PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

NOVA PAIXÃO

Puro vento de minha paixão,

mal que passa como o tempo passa.

A vida é uma corrente contínua

de vários matizes

onde todos os dias

a sombra e a luz

dançam

num jogo

de sedução.



Onde vai o amor que me invade?

Noite adentro ao corpo do meu desejo,

silêncio nas trevas de teus olhos,

ondulantes sensações no segredo

de teus cabelos,

o sonho só pode ser um sonho,

com a alma que naufraga na distância,

com o vinho que me embriaga

no paraíso de uma imagem bonita.



A paisagem de tua alma

me traz um frescor jovial,

estando perto ou longe,

perto do coração

e longe fisicamente,

mas o meu amor é teu

e eu não tenho medo,

algo em mim nasceu novamente,

e o fogo que está aceso agora

é uma visão de fé para tudo.



29/09/2010 Poemas de Amor e Outros Verões



Gustavo Bastos

PAIXÃO SÚBITA

Acho que estou apaixonado, não sei.

Bom, não sei se estou assim

cheio de amor pela vida

e por uma mulher,

mas apaixonado acho que estou.



O mundo é grande?

O mundo é pequeno?

Não sei, pequeno ou grande,

longe ou perto,

a distância não importa,

o idioma não interessa,

dizem que o amor é universal,

e se eu tiver que percorrer

a distância do universo inteiro

para achar o meu amor ...

eu o farei!



28/09/2010 (01:35) Poemas de Amor e Outros Verões



Gustavo Bastos

O ROMÂNTICO SOLITÁRIO

Eu procurei por você a noite toda,

você não estava lá.

Eu caçei a tua sombra

por todos os lugares,

em todas as bocas que beijei

você não estava lá.



É que o tempo passou ...

eu cresci e me tornei inóspito,

me vendi barato

para os prazeres mundanos,

me esqueci de relembrar

momentos vividos e findos,

caí no precipício

como um chumbo

duro como a dor,

e neste andar cambaleante

do meu amor,

você não estava lá.



Procurei nas notícias dos jornais,

nenhum sinal da tua presença,

e agora não tenho certa

a tua imagem na minha cabeça,

por que o tempo passou

e te levou embora.



12/09/2010 Gustavo Bastos

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O PASSO DOS POETAS

Meu passo segue agora

Lorca e Neruda.

A fria madrugada dos olhos

me faz a canção mais clara

de todos os ventos da vida,

como se anda entre os poetas

de uma visão sobrenatural

aos clarins e trombetas

de que se faz o sangue do poeta

em seu cadafalso.



Meu passo segue a poesia mundana

dos caracóis.

Meu passo vai ao rumo dos cantores

de timbre profundo

para que a música

que habita o poema

seja repleta de planuras

de que decerto

urge o tempo

de preguiça

e contentamento

do poeta cigano

de mãos lavadas

pela pomba branca

que um dia

pousou

em seu astrolábio,

poetas são criaturas

terrivelmente belas

e delirantes.



11/09/2010 Gustavo Bastos

DO SURGIMENTO DA AURORA

Da noite surge a aurora ao claro dia.

Sete vezes eu perdoei

a minha praia do mar

de sangue,

oceano aquático

de morte e grito,

solene como o hino

das sombras vizinhas

da cólera,

armadas de sonhos áureos

que sempre bordam

a vestimenta do guerreiro.



Aurora parida da luz que surge,

as viagens do meu espírito

quando se levanta o véu de Maia

são os delírios prontos ao abismo

em que morre o poeta

no seu ancoradouro,

doura de ouro

a prata senil

de suas canções,

e a brava cotovia

sai ao vento

como um lume desesperado

que vive no poema.



11/09/2010 Gustavo Bastos

O SENTIMENTO DA LIBERDADE

Sentimos a morte e a vida

como uma ânsia de ser o que se é,

devoramento e fuga

para o caminho sem saída,

uma noite para o folguedo

das rosas malditas,

o trono do rei decapitado

pelas loucas suicidas.



Sentimos a vida e a morte

como um grito de dor e prazer

de frente aos símbolos,

uma transcendência da alma

me toma os poros,

e a indecência da carne

me toma a vista.



Sentimos o horror e a beleza

como o anúncio

da morte da vida

num súbito

devaneio

que acaba

na esbórnia

dos impetuosos

campos

de céu e inferno.



A vida é como a morte,

e o prazer de ser o que se é

nos dá liberdade para a loucura.



11/09/2010 Gustavo Bastos

sábado, 16 de julho de 2011

A POLÍTICA DA ANTIPOESIA

Tal qual a política dos homens,

a poesia também vive de retórica.



Desde a sua fundação ignota,

a sociedade faz de nós

atores canastrões enfileirados.



A política fala de forma persuasiva

sem escrúpulo ou anestesia.

A poesia fala da beleza

com ritmo e galhardia.



Tal qual a noite dos poetas,

a escuridão do discurso inflamado

nos lembra dos egoístas

que nos tomam as palavras

e fazem da fábula a verdade

da mentira.



Se liquidam entre si

os gaviões do poder,

aniquilam o poeta

e a sua poesia terminal,

enterram o amor

e a sua voz seminal.



10/09/2010 Gustavo Bastos

A MUDANÇA

Todos nascem do acidente,

fonte notável que encanta

o fio da navalha

no corpo e no sangue

da serpente.



O acidente do qual

surge o humano,

com a dor

e o pecado

da trilha

pelo campo

árido

da vida,

é como o anjo torto

em degraus no céu

absorto.



Do acidente nasce a fatalidade,

sua contradição necessária

que da contabilidade dos mortos

sofre uma bruta descida

ao inferno,

e a alma de lá afundada

serve aos senhores hipócritas

do poder que Deus lhes concede.



Todos sofrem a vida inteira

a ressaca desta nau

toda ferida e errante,

nau dos insensatos

que riem a todo instante.



Abra o coração, poeta!

Quando a batalha é pela virtude,

não se entregue aos exílios

de almas desvalidas,

seja o triunfo o teu galardão

de frente ao império da morte,

afirmando paz e luz

depois dos dias

de miséria.



10/09/2010 Gustavo Bastos

O MUNDO

Eu entendo o mundo.

O mundo é sempre este trivial

e enigmático território

de pessoas e sentimentos.

O mundo carnal das formas

infinitas dos corpos

e suas almas encarnadas.



Eu sinto o mundo.

O mundo da matéria,

não o mundo etéreo.

O além não é uma compreensão

senão do mundo que está

e se faz da terra.



O mundo é o pensamento.

O mundo é a ação.



Minha vontade de abarcar

o mundo com uma mordida

acaba com a fome de mundo

do meu poema,

e o poema diz o mundo

com o tempo necessário

de um mundo cão.



Eu quero conhecer este pleno mundo,

que da plenitude da areia

e do solo nos desvenda

o céu e as estrelas

estando eu preso à terra.



10/09/2010 Gustavo Bastos

A COISA

A coisa, rarefeita que seja,

também se dá ao poema

quando este surge

e se faz.



É como romper uma prisão,

emancipa-se a alma do poeta

e de súbito há um clarão.



O irromper do poema

é a vazão do poeta.



Testemunha que é,

o verso é então declamado

e o espírito incontido

derramado.



Poeta que se faz poeta

no dar-se de poema

e no fazer-se poesia,

eis o destino que enobrece

aquele que do ritmo de uma nau

sabe navegar deliciosamente

ao porto da alma que se enaltece.



A coisa, mais que tudo,

da qual se diz o que se diz,

pode ser qualquer coisa,

desde que seja bela

e bem-dita.



04/09/2010 Gustavo Bastos

sábado, 9 de julho de 2011

O ENCONTRO DA VIDA

Sinto-me bem quando estou cansado,

pois sei que o dia foi intenso

e de bastante alegria.

Sinto-me bem por ter passado

por estas várias horas

na labuta e na festança,

sou somente a certeza

de que tudo é grandeza

e sabedoria

para além da tristeza

e melancolia.



Por estar cansado estou feliz,

pois o bem que me faço

é o mesmo bem da doação ao outro

antes do encontro com a morte.

Pois no dia da minha morte

estará o encontro

da minha alma

com o meu silêncio.



31/08/2010 Gustavo Bastos

A NOVA ESCRITA

Traduzo o que não sei

quando escrevo,

uma prosa ou um poema

de não sei o quê

me domina, e o pensamento

flui,

aberto,

desvelado,

tragicômico

e teatral.



Traduzo toda sorte de cantigas,

toda sorte de dilemas,

minha alma se coloca

num ritmo como música

na palavra,

a palavra já posta

pela língua,

mas recriada

na escrita.



Sou o que não sei,

e o que não sei

me fascina.



27/08/2010 Gustavo Bastos

AS FERAS ADORMECIDAS

Quem me deu a dor da parturiente

ao fazer poemas?

Como a gota de chuva no cais sombrio,

tive que ancorar no linho e na seda,

traficar perfume e sândalo

pela noite das corujas,

fui ao terror das pradarias,

uma pedreira eu abri ao rubi,

e nesta densa névoa do poema

encontrei o sal do mar

contando os alimentos das vítimas

náufragas com os ventres cortados

de sangue, nuvem e poeira.



Quem me faz tão hipócrita

quanto a máscara?

Antigos são os fardos malditos

que estão nos cavalos

que carregam os homens,

a intempérie do clima

me obrigou ao caos da preguiça,

e na praia com os ombros arqueados,

desci à fúria das lástimas ondulantes,

cresci no ódio da pátria verde,

e andei pelos charcos da vida fria

do outono.



Eis que o verde cresceu

para ser queimado,

a floresta virou deserto

no poema criado para a fazenda,

e touros, hipopótamos,

elefantes, rinocerontes, leões,

formigas, morcegos e águias,

toda sorte de seres variegados,

encantam o clima botânico

do paraíso perdido,

então os homens fumam,

os homens fumam

e vão aos horrores da febre,

e o escárnio do poeta

se torna uma fatalidade

para o céu e os anjos,

e a dor da carne nos acorda

com sua amargura de fera,

e os dias passam como passam

os abutres da morte.



25/08/2010 Gustavo Bastos

SENSÍVEL POEMA DEVORADO

Quanto mais eu penso

em deixar o poema falar,

mais ele se esconde e fica mudo.



Vivido ele é, poema escasso,

da negra sombra emprestado.



Sou o exílio neste mar de verso,

tenho nas mãos as diabruras,

vou em vãos então nas carnes nuas.



Fui herói romântico um dia,

mas neste agora só tenho a agonia.



Fui mistério na flor da alma,

e agora contemplo o céu com o fulgor

da calma.



Venho deste imenso azul eterno,

sou a cruz sempiterna do universo,

poeta degredado das suas amantes,

sou o vinho desejado e fermentado.



Quando, pois, estarei sóbrio?

Aqui está o poema desvelado,

uma descoberta do que é o bem

em um encontro de seres alados.

Poeta, a nuvem te toma.

Navega, enquanto tudo desmorona.



Sou este que vos diz

que o poema é líquido,

sou o bruto e o sensível,

não tenho amor de chuva

e nem de sol,

sou um pobre manso no farol.



Delicada é a fonte do poeta,

este que vos dá a sua senda,

um voraz do verso

do qual se alimenta,

este que é o devorador

de sonhos,

pronto ao fugaz

que vive num

lago profundo.



25/08/2010 Gustavo Bastos

MANUAL DO VENCEDOR

O que guardar no coração?

Talvez cada momento de alegria,

cada dor sofrida,

todas as pessoas que lhe agradam.



Vamos à alma bondosa do dia,

a vida é um plano engenhoso

de vários matizes,

o coração se guarda

da maldade e do descalabro,

o coração meu de cada dia

me quer mais santo e profeta,

um coração ao mar dos labirintos,

o que tudo sente ao porvir

e que sonha o eterno viver.



O que esperar da vida?

Quem se assenta e morre

não tem volta,

só vence quem tem o poder

da transformação,

pegue a sua espada

e proclame ao mundo

a sua fé e bravura,

deixe aos impiedosos

uma ilusão escarnecedora,

pois o dia adventício

é de quem teve coragem

de lutar até

o último suspiro.



19/08/2010 Gustavo Bastos

BORBOLETEAR

Voa como borboleta

a poesia e o meu cantar,

de dia faz rima,

de noite canta à lua.



Voa para o alto

a minha poesia no

meu cantar,

uma hora faz versos,

outra hora para e contempla,

depois vai embora,

e na fuga corre

para o longe infinito.



Borboleta voa para o sem rumo

de asas,

foste lagarta,

e depois do casulo,

virou musa e fada.



18/08/2010 Gustavo Bastos

domingo, 3 de julho de 2011

DO IMORTAL CANTO SANTO

Deito-me quebrantado pela fé intumescida,

nos meus pés está posto o caminho

pelo sem fim do destino,

nas mãos a escultura e o poema,

no pensamento a filosofia do tempo,

nas noites a constelação

do universo de vastidão

estrelada.



Eu sei bem de mim,

sou o caos no jardim,

sou a febre e o dia que se cala,

tenho todos os ritmos

e a possibilidade fatal

de ser sempre poeta.



A fé é importantíssima,

a descrença no mundo e nos homens

pode matar alguém de angústia,

somos areia infinita desta terra

que o verme come o corpo

e libera entre os cantos

o santo imaculado

que não perece

mesmo morto.



18/08/2010 Gustavo Bastos

A DESCOBERTA DO POEMA

Descobri agora um poema

que se calou por muito tempo,

sem rima e sem dor,

sem alma e sem olor.

Eis um poeta que sentiu

nada deste poema,

ele nunca o concebeu,

eu vi a tristeza que está

em todos os versos

deste poema oculto

e agora à luz do dia

ele se revela

com a água e o ar,

tão fluente em suas ondas

quanto o mar infinito,

tão desejoso de morrer

quanto um suicida sem temor,

eis o que é o seu horror,

eis o que é o seu amor,

poema ... um fato de palavras,

palavras por muito tempo

ignoradas e contidas,

e que neste momento do presente

vem à claridade de todos os poetas

que querem prová-lo,

seu desenlace é agora,

seu tempo é o mistério

que o verso agora dá fôlego

a quem o escreve

sem medo da morte

ou da solidão.



07/08/2010 Gustavo Bastos

TERNURA E MELODIA

Tenho andado, nesses dias passados,

como uma flecha sem rumo

até ao alvo inesperado.



Sou testemunha da vida,

observo as vidas deste caminho

pelo qual sou poeta sem poetisa

ou sem musa.



Venho do mundo paralelo do verso

que tudo vê e tudo sente,

sou o inverso no que se escreve

neste verso,

sou azul ou amarelo,

tenho as cores em mim

e um vazio violento

de abismo e saudade.



Olhos ao encontro do dia,

sei do que sei ao sentir a nuvem

do claro dia,

e no outro dia que vem,

o sol se vai e a chuva vem,

sou como todos,

um eterno humano

que se faz de amor, ódio

e alegria,

sou o fim humano,

finito na carne

e infinito no coração.



07/08/2010 Gustavo Bastos

ALEGRIA DO MEU CORAÇÃO

Será possível manter tudo em segredo?

Uma voz maviosa e desejável

pode invadir a solidão de meu castelo,

eu tendo, enfim, uma partilha do que vivo

com outro semelhante e tão meu,

o esforço feito de mútuo entendimento,

e um puta tesão que surge como fermento.



O segredo do meu desejo

será desvelado como um corpo silente,

e esta conversa a dois

será o plano perfeito de um

romance secreto ...

onde todos os dias serão

cheios de vida

e repletos de magia,

onde haverá cura para qualquer vício,

tudo no esquema,

tudo pronto ao devir

de carnes e almas

que se almejam,

endorfina para a cabeça

que um dia já esteve esgotada,

novas paragens para o beijo

no labirinto da língua,

e uma grande satisfação

depois de um amor perfeito

na cama ...



Para nos salvar do tédio

e da falta de emoção,

sou o teu cavaleiro,

fugindo para o salgado do mar.

Poderíamos nos encontrar

totalmente perdidos,

e numa noite qualquer brindar

o fato de estarmos vivos

e nada mais.



25/06/2010 Gustavo Bastos