PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

LEMBRANÇAS ESTOMACAIS

  Pensei em tudo ao largar o cigarro, dei de banda com um gole de cerveja, bebi até não saber mais quem eu era. Fui ao local de minhas memórias: lá moraram todos os amigos, anos bem estupendos, vou e volto, de anos antes ainda retomarei a máquina abortada, de tudo que amei a flor vinga toda raça. Cigarros apaixonados, cerveja no sangue de orfeu, vive o sangue do himeneu. Flertei com a morte, ela estava azul. De noite de supetão tinha uns gringos falando asneiras, não sabia a língua em que falavam, mas por certo que eram asneiras, uma vez que nada se entendia.

04/09/2013 Pequenos Trechos
(Gustavo Bastos)

sábado, 24 de agosto de 2013

SACANDO PINK FLOYD

Ouvindo Pink Floyd vem tudo plácido, ouvindo cada fumaça de eterno pelo ar, Pink Floyd bicho, tudo emana deste mistério, Set The Controls For The Heart Of The Sun é o coração do universo, Echoes é a História do universo, fiquei obcecado por See-saw por estes dias, já fui obcecado por The Piper At The Gates Of Dawn, tenho gosto por Animals e Wish You Were Here, não conheço muito bem Obscured By Clouds (por enquanto), Final Cut foi um fracasso, mas quero dar uma sacada, redescobri More, já fiz bons passeios por Atom Heart Mother, não acho The Wall indispensável não, já tentei The Division Bell, mas o que faz chorar na alma, claro, é The Dark Side Of The Moon.

24/08/2013 Pequenos Trechos
(Gustavo Bastos)

CUIDADO

Desatento passa o bonde, fica na boa que tudo é mais, faz o corre, não tem desaforo, cada língua se morde, pra esperar só se vale, pra esquecer o que "não bate", pois de amor só de frente, pois sim merece assim, papo bom é coisa farta, pau na máquina é poesia, faz o teu cuidado, não dê voltas, acolhe quem te faz abrigo, não fala demais pra não dar bode, tire os esqueletos, eles são dos outros, cuide de tudo, desatento fica o norte, distraídos, mas só no certo, pois o certo é o que é, não vacila, não perturbe, não domine, deixa a fruição, não tem que provar nada, faz e anda, faz e fé, faz o que achar da hora boa, ficar de boa é uma arte difícil, quando tem dia de bode não conversa, no outro dia acerta, ritmo e poesia, só quem manda são os feras, é tudo nosso quando queremos, mas sem pau mandado, sem papo cruzado, só a cara, de face a face pra dizer o que merece, sem dar de cara com a parede, pois de tudo que se perdeu, uma coisa se reencontrou, fé sua danada, fé e nada mais.

24/08/2013 Pequenos Trechos
(Gustavo Bastos)

COMILANÇA

Comi no McDonalds, vomitei beterraba, quando fui ao Burger King, não havia rei, só carne e batata frita, fui no refil quatro vezes, outro dia queria o molho do Big Bob, depois fui atrás de um yakisobba que só conhece quem mora na minha rua, sou habitué de comida árabe, odeio azeitona, odeio mil vezes azeitona, mas adoro tacar azeite no quibe cru, como tudo sem reclamar, só não vou de abóbora, abóbora me dá gastura, certo dia, devia ter uns 12 anos, estava comendo doce de abóbora sem saber que era, quando disseram: "Estão gostando do doce de abóbora" não consegui mais dar uma colherada, beterraba eu nunca comi e odeio, se me torturarem botem três pratos na minha frente: um com um montinho de azeitonas, não importa se verdes ou pretas, outro prato com beterrabas, e outro prato com abóbora, talvez seja a minha morte, não saberia escolher, mas agora penso em coisas de comida, não sei porque, mas tudo que faz mal engorda e mata de enfarto, Deus fez tudo ao contrário para existirem os veganos, os macrobióticos e os iogues, tudo ao contrário para a gordura ser fatal, Deus nos quer sábios, pois talvez haja mais sabedoria numa alface do que num cheese-bacon, vai ver que é isso. (Quer comer sanduíche saudável, vai no subway e pede aquele com almôndegas, hahahahaha)

24/08/2013 Pequenos Trechos
(Gustavo Bastos)

TRABALHO INÓCUO E SAÚDE MENTAL

Tem o barulho da máquina, quem pensa em trabalho além da manhã quer salário de rei. Pois do stress todo tem todo o tempo tomado, rumina nada e não ganha nada. Todos os trabalhos que se fazem são honras, dignos vão os sapatos, correm os operários, derretem os relógios, tem a máquina e seu barulho, a vida barulhenta da cidade, toda cidade tomada na disputa, a livre concorrência fazendo seus espasmos, socorrem os afogados, matam enforcados os que se desviam, fé em tudo, diz o registro de seu contra-cheque, bate o ponto chefia, corre para não perder o ônibus, se condena se chega atrasado, pois aí vem a repreensão, pois aí vem a advertência, depois a suspensão e por fim a exoneração, esta é a lei do karma, acorda nego que a hora passa, segura a máquina na unha guerreiro, o relógio pulula de ponteiros, saudades contemplativas são luxos, desordenados são os furos, não dá tempo mais, fuja para lá da hora perdida, se mate e mate a todos, a cidade só relaxa depois da cerveja, pobre ilusão, tudo é tédio, a vida mais que vida vem também, se tiver em teu peito algo de virtude, se tem poesia e teatro e música, alguns criam e escapam, mas não vivem para escapar, quem quer escapar nem arte faz. Não fazer nada é a chave mortal dos que não andam, corre aí, faz e manda, obedece e vai, o que importa é ir indo.

24/08/2013 Pequenos Trechos
(Gustavo Bastos)

terça-feira, 11 de junho de 2013

SOBRE A ARTE DA FLATULÊNCIA

Quando se disfarça tem o odor de uma fera morrendo, quando se faz de conta dentro de repartimentos a cara dura é pouca, tudo fica fétido como na hora de sair como quem nada fez. O silencioso é o pior, o que sopra é cruel. O barulhento é exibidoso, quando se está em ambiente familiar a coisa fica estúpida, faz-se de propósito, mas quando sai sem querer é motivo de vergonha de quem o faz.

11/06/2013 Pequenos Trechos
(Gustavo Bastos)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O COMEDIANTE DA TORTA NA CARA

Ele manda uma torta na cara do presidente e sai correndo. Sua vida é um pastelão, número de music-hall, vendeta de vaudeville, tem na farsa trágica seu novo espelho, ele come a torta bem comida, dá um arroto depois de beber dois litros de coca-cola em trinta minutos, fuma um narguilé neurotóxico e dorme numa cama de palha para se coçar como no desenlace de sua febre mortífera, das asas que ele imaginou tem o tédio como esperança. O homem agora prepara um novo ataque de torta na cara, será um empresário conhecido em todo o país, ele dá a tortada e foge, a polícia lhe dá cacetadas na bunda, ele ri e se esfola todo, ele é o comediante da nau furada de toda geração de novos palhaços, ele é o panaca que deu uma sapatada no padre da igreja. Ele chamou o curioso de abelhudo e lhe deu uma bela tortada na cara, voou chantilly pra todo lado.

10/06/2013 Pequenos Trechos
(Gustavo Bastos)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

OVO

Ele era redondo, poderia ser frito ou cozido. Faz que a galinha tem um tanto de voz de círculo, bota ovos ovo na frigideira. Quando caminha faz barulhos estranhos, o ovo que sai de sua cloaca também é o monumento mais bizarro da natureza, mas se fosse uma esfera? Seria perfeita? Mas quando nasce do ovo um pintinho o ovo deixa de ser enigma e alquimia e vira um bicho amarelo e escroto que faz piu como um hino fofinho e irritante. Prefiro a galinha, ou melhor, este pintinho pode virar um frango assado de padaria com farofa enfiada no cú, e o ovo mexido, o omelete, tudo o mais é uma festa do ovo, tudo vem do ovo e tudo que diz ovo ou a galinha não entendeu que é o ovo que dá o sentido da cloaca, se o buraco é grande cabe um ovo, se o ovo cai no ninho, a natureza sabe o que faz, somos meros mamíferos comedores de ovo, bebíamos leite mas nos tornamos onívoros, e uma dúzia de ovos são fáceis de se espatifarem no chão e quebrarem fazendo uma meleca amarela pelo chão. Mas o barato mesmo é dar ovada em aniversariante, com farinha, talvez.
06/06/2013 Pequenos Trechos
(Gustavo Bastos)

FLUXO BOEMIO

Ela tem aquele ar estático, puro enigma de uma flor, ele tem o ar concentrado e nervoso, os amigos correm pela noite, eu bebo um refrigerante na esquina onde toca rock e blues, não sei onde estou quando ouvia Jazz. Ela se entende em tudo e me entende como se fosse muito fácil. Trocávamos carícias no mar e ventos no fogo, soprou na rua dos lamentos o ourives e uma goiva para praticar astúcias na prata e no violão. Eu tinha medo de dizer onde tudo fica em tudo mais que se vai. Anotei o telefone, desci rumo ao trabalho, ventava horror na paz da cidade. Na época se bebia muito vinho e se falava eternas besteiras, depois eu sumi, fui passear, olhar as árvores, meditei e nada fui até este dia de novo dia, felicidade de um carro na hora exata de se perder. Escutava Hendrix com o carro parado em frente a casa dela, ela tinha um namorado, eu matei este namorado com faca e bomba. Matei depois todas as outras com quem não tive nada. Bebi cerveja e joguei xadrez pelo dia inteiro, lá pelas três da madrugada escrevi uns poemas num papel que depois amassei e joguei fora, um doido achou o poema no lixo e lá dor rimava com amor, mas era o calor que ficou nas entranhas de um sonho louco, passei com notas brilhantes no curso de filosofia, fumei maconha pra caralho, bebi pra porra, a boêmia era azul e era preta, luz de dia no trabalho, uma mágoa crescendo em reevolta, reeenascendooo o ooodooor, faz tempo que a ruína mesmerizou seu ataque, eu nasci de um fardo, o rock me levou no bar, joguei sinuca com ares cocaína e vinho e tudo no sangue como se não tivesse nada que ver com todas as coisas que eu via.

06/06/2013 Pequenos Trechos
(Gustavo Bastos)