PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quarta-feira, 26 de julho de 2023

GOLPISMO INELEGÍVEL

“É fato a sucessão de fracassos das tramas bolsonaristas.”

 

No mês de junho deste ano a revista Veja teve acesso ao relatório da PF (Polícia Federal) sobre celular de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Neste celular os peritos escrutinaram mensagens de WhatsApp, áudios, backups de segurança e arquivos armazenados.

Portanto, o que se viu foram mensagens e documentos que criavam um roteiro para anular as eleições de outubro do ano passado. Indo além, tal anulação eleitoral poderia dar o ensejo para uma intervenção militar, levando, consequentemente, a um golpe de Estado.

Tal documento de autoria desconhecida sugeria ao então presidente Jair Bolsonaro o envio para os comandantes das Forças Armadas de um relato das inconstitucionalidades praticadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em seguida seria nomeado um interventor com poder absoluto até o restabelecimento da ordem constitucional dentro de um prazo definido.

A minuta, por sua vez, intitulada “Forças Armadas como poder moderador” criticava decisões de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que também atuavam no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), expondo a atuação abusiva do Poder Judiciário para tentar justificar uma ação militar, o que incluía como ponto de partida a suspensão da diplomação de Lula.

Com a eleição de Lula, a barafunda bolsonarista foi imediata, pois, em uma das mensagens do celular de Mauro Cid, temos o subchefe do Estado-Maior do Exército, Jean Lawand, em que ele dizia ao ex-ajudante de Bolsonaro que se precisava dar uma ordem para os militares agirem.

Esta já era a segunda minuta golpista, depois da encontrada em janeiro no apartamento do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, em Brasília, e que visava um decreto de Estado de Defesa na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Contudo, não há relação comprovada entre as duas minutas, mesmo que tenham teores e ideias semelhantes.

No celular de Mauro Cid ainda temos material com a tese falaciosa do advogado e professor emérito da Universidade Mackenzie Ives Gandra Martins, em mais um tentativa de distorcer o sentido do artigo 142 da Constituição Federal, em que o advogado alega um precedente para a intervenção das Forças Armadas em caso de conflito entre os três Poderes. Ives Gandra alegava ativismo judicial e aparente ilegalidade por parte de decisões tomadas por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que contrariavam o Princípio da Moralidade Institucional.

O texto do advogado sugere : “Diante de todo o exposto e para assegurar a necessária restauração do Estado Democrático de Direito no Brasil, jogando de forma incondicional dentro das quatro linhas, com base em disposições expressas da Constituição Federal de 1988, declaro o Estado de Sítio; e, como ato contínuo, decreto Operação de Ganatia da Lei e da Ordem”.

Por conseguinte, no ofício enviado ao STF (Superior Tribunal Federal), a PF (Polícia Federal) afirmou que os estudos de Ives Gandra e o apócrifo pretendiam servir de fundamento para a confecção de uma minuta de decretação de Estado de Sítio e de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), tudo contido no aplicativo WhatsApp de Mauro Cid.

Em seguida a esta descoberta de uma nova trama golpista, estavam se dando a CPMI do 8 de janeiro, em que Mauro Cid fez um depoimento nulo à comissão, em que ficou mudo. Além disso, tivemos uma trapalhada do senador Marcos Do Val, que fez um depoimento desastroso em fevereiro deste ano à PF (Polícia Federal).

Do Val alegava ter participado de uma reunião golpista com Jair Bolsonaro e o ex-deputado Daniel Silveira para tentar gravar escondido o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Superior Tribunal Federal). Contudo, o senador Do Val, nos meses seguintes, apresentou diversas versões da mesma história, o que levou ao descrédito e a uma zombaria natural sobre a figura exótica que se tornou o senador entre seus pares. 

Diante do que foi revelado pelo celular de Mauro Cid, também estava sendo encaminhado o julgamento, enquanto isso, por parte do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), da possível inelegibilidade de Jair Bolsonaro, o que foi aprovado por maioria de votos, 5 a 2, pelo Plenário do tribunal, em que Jair Bolsonaro ficará inelegível por oito anos, contando a partir das eleições de 2022.

A inelegibilidade de Jair Bolsonaro foi aprovada baseada na reunião extemporânea realizada com embaixadores estrangeiros no dia 18 de julho no Palácio Alvorada, em que se configurou abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Tal reunião que servira como pretexto para o então presidente tentar, mais uma vez, desacreditar a legitimidade das eleições brasileiras, pois as urnas eletrônicas não garantiriam a segurança dos dados e a lisura dos resultados. Bolsonaro ainda poderá recorrer ao próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ou ao STF (Supremo Tribunal Eleitoral), e sua defesa já sinalizou que pretende recorrer de eventual condenação.

É fato a sucessão de fracassos das tramas bolsonaristas. O país, depois de ser castigado por uma escolha eleitoral desastrosa, coincidindo com o período trágico da pandemia da Covid-19, passou a ser afortunado pela baixa capacidade intelectual e estratégica do bolsonarismo. A coleção recente de fracassos do bolsonarismo se estendem das eleições de outubro de 2022, passando pela conspirata mambembe do 8 de janeiro de 2023, até as descobertas dessas minutas caricaturais de hostes improvisadas buscando o golpe que não aconteceu, culminando com a inelegibilidade do mito deles por oito anos, depois de um convescote que subverteu qualquer ideia diplomática fundamentada.

 

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Blog : http://poesiaeconhecimentoblogspot.com

MELQUÍADES

Fala qual diabo

o pilantra, não 

se entendia 

patavinas

da tresloucada

fuga.


Tocava reco-reco,

roubava no bilhar

e no jogo de três e

um, fumava que 

nem uma caipora,

bebia cachaça

e comia jiló

em conserva.


Diabo torto,

um homem 

torpe, e que

foi a maldição

dos otários.


Andava

na praça

dos malandros,

e na roda de samba,

devoto de pelintra,

sócio de Exu,

sumiu no mundo,

com uma maleta

de dinheiro para 

a boêmia.


26/07/2023 Gustavo Bastos 


PRÍAPO MORREU

Príapo não sabia olhar 

formas esbeltas

com saber e plenitude,

a cada ragazza,

seu riso crescia,

espalhafato, tara

e aleivosia,

todo o enredo

torpe da esquina,

uma bela humilde

ferida, com as pernas

abertas, e o sangue

no chão, 

Príapo foi denunciado

enfim, pularam

de seu séquito

faces espantadas,

e um mulherio

falava das fantasias

de vampiro e dos traumas

advindas do ex-garanhão,

gabola, agora murcho

como um bucho

e exangue que nem

broxa, Príapo

chorava piamente,

e hipocritamente

mentia seu vendaval

de vício e desonra.


26/07/2023 Gustavo Bastos 


EDUCAÇÃO EMOCIONAL

Para com isto, a tela suja

da acrimônia, do fastio,

do amargor.


Já que a vida dá jeito

em tempestades,

faz de poesia rumo certo,

e o peito aberto,

é rio que desce doce,

para a água salgada

do mar.


26/07/2023 Gustavo Bastos 


segunda-feira, 24 de julho de 2023

O LOBO DO HOMEM

Botando para quebrar, 

a trupe estava no páreo,

uma gangue de maloqueiros,

deste submundo,

a vida áspera

da orgia de paus

e pedras.


Foi à pique

o comércio,

uma manada

chula, xucra,

levava tudo,

saqueava

e gritava,

numa overdose

de ignorância civil.


Veio o choque,

tudo para o alto,

fumaça de lacrimogêneo,

costas estalando,

gás de pimenta,

e toda a trupe,

uma parte presa

e fichada, e uma outra

parte com TV, Notebook, 

celular, e uma baba parva,

amarela, descendo pela

língua e pelos lábios.


Se podia ver a fala 

e o olhar aparvalhados,

faiscando dubiedade moral

e subia uma fritura interminável

que saía da barraquinha

que vendia cachaça

e vendia batata frita

de saquinho, um 

óleo preto

que descia,

e a baba parva,

amarela,

que descia,

e que pingava, 

pingava,

pingava …


24/07/2023 Gustavo Bastos - POESIA BRUTALISTA


ESCADARIA DO METRÔ

Saindo do metrô estava um punk, alfinetes, machadinha etc.

O cabelo verde, moicano, e um casaco DK de couro,

todo amalucado, estava com um odor reconhecível de cola.


A bem da verdade, sua namorada tinha me visto 

outro dia, não dei bola, pois tinha uns carecas

naquele pátio no dia, disfarcei e saí pela tangente.


Balançando correntinha, um deles, com cruz gamada

no braço, vociferava contra judeus e punks anarquistas.

Poderia ser uma dessas organizações clandestinas,

em que a imaginação fica ardendo vendo

Arquitetura da Destruição, ou melhor, 

Riefenstahl, sim, a Leni vendida

do Triunfo da Vontade,

e fazia a cabeça do careca

versões adulteradas de Nietzsche

e falsificações grosseiras,

fotos manipuladas

e fake news etc.


O punk de boutique,

depois, tava branco,

pálido, fraco, 

vomitou leite

com manga, 

ele dizia, 

só não tinha 

batido

em velhinha.


24/07/2023 Gustavo Bastos - POESIA BRUTALISTA