PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

sábado, 24 de janeiro de 2026

ILHA DE SANTA HELENA

Do século do terror, guilhotinas de Brumário,

mortes de Termidor, Robespierre, Danton,

a escumalha violenta de Marat, um Sade

enlouquecido a fazer mofa do Ancien Régime,

com os rococós fedorentos das perucas de Watteau,

de uns brioches mofados de Antonieta,

a fazer de Waterloo a farsa da Restauração

dos Órleans, de uma baguete Bourbon,

na bombonière, na boulangerie,

com os ditos de Jean Valjean,

os pedaços de Justine, numa noite

de vileza em Sodoma e a morte

do louco imperador da Ilha 

de Santa Helena, numa casa

infestada de ratos e aranhas,

espumando pela boca o 

arsênico verde-esmeralda

com o brasão de Flor

da dama suicida, poetisa má,

que escreveu seu epitáfio

fumando um haxixe nas 

montanhas dos Pirineus.


24/01/2026 Monster 

  

AZUL DA PRÚSSIA

A cápsula explode no seu aroma doce e amargo de amêndoa,

escorre o azul nos tijolos e os corpos estão só ossos.

O vinco da goma, o cheiro inerte de pneumonia,

nas catacumbas dos suicidas, nos mártires que

ecoavam seus fantasmas nos pântanos e nos vales.


Os poemas que ali cessaram, o julgamento capital

sobre as cabeças das bestas-feras chapadas

de anfetamínicos e de codeína injetável.

Os ritos romanos dos asseclas da morte,

que na árdua ária trinava o caos.


Eis os escritos das chusmas das cinzas,

o pigmento venenoso que mata a presa,

arde na boca dos assassinos, rompendo

o véu das astúcias e dos ardis,

queimando na noite das facadas.


24/01/2026 Monster 

domingo, 18 de janeiro de 2026

RELVA BRUMA

Vicários da armada solar,

os seixos da floresta densa,

em que os capitulados gemem,

na noite da chuva o terrível

cosmos engole o desespero,

correnteza das nuances, 

os poetas das ilhas brotadas,

dos elfos ritos das fadas loucas,

em relvas brumas montesas. 


Surge, vai vindo o silente estrondo,

nas águas das páginas marítimas,

dos dosséis florifloridos,

latifoliada canção arvoreda, 

plenipotente, o poema brio. 


18/01/2026 Sublime 

O POEMA DE TORPEDO

Alucina a tormenta, o torpedo que tonteia a febre.

Vários executados, corpos mergulhados no mar,

o apito do sino, o farol que brilha na noite.


Eis que de poesia morre o velho, o vate vive.

Pois, dando de si ao torrente da alma,

tonitruante o estro mapeia a alma,

localiza a magia, faz o milagre.


O poeta, com os ases e o comando,

dá os nós do vento, à sorrelfa,

na queda do navio astuto,

na praia dos lírios cantantes,

diante da lufada do sol.


18/01/2026 Monster