(soneto decassílabo heroico)
Vingar-se pela honra está tão longe
do que vive em mim, fundo como o frio,
que não há sorte métrica no cio
destas damas cerúleas da nua fonte.
Feito o verso, não sobra nada urdido,
pois que da latitude não há méritos
nenhum, quando quimeras são prosélitos
para o núncio devasso em seu olvido.
De esquecer se faz forte o seu tremor,
tal um abalo sísmico de vento,
que devora o medonho olor de amor.
Eu não sei destas coisas em terror,
já não tendo por filha a sedução dentro
de mim, para morrer tão redentor.
12/03/2011 Sonetos da Eternidade
(Gustavo Bastos)
sábado, 12 de março de 2011
Canto Sobrenatural
Em espírito vou dizer-vos
estas coisas:
Não há um níquel de filosofia
em poesia morta,
não há o tédio em minha pena,
o tédio mata qualquer criação.
Foram sete chaves em que tranquei
a inspiração,
nós temos a regra se sermos comedidos
em nossas colocações,
só um surdo de nascença
pode ouvir a cantoria dos versos
no silêncio.
Então, das formas rútilas,
tiro o sumo de que se farão
as obras sobrepostas
em vinho e terremoto.
Nas escadas para o infinito
ficará a minha tumba
nas penumbras
do inferno,
e das loucuras terei
o sublime momento
da vidência
que no caos
vê tudo
num átimo
de sempiternidade.
12/03/2011 Delírios
(Gustavo Bastos)
estas coisas:
Não há um níquel de filosofia
em poesia morta,
não há o tédio em minha pena,
o tédio mata qualquer criação.
Foram sete chaves em que tranquei
a inspiração,
nós temos a regra se sermos comedidos
em nossas colocações,
só um surdo de nascença
pode ouvir a cantoria dos versos
no silêncio.
Então, das formas rútilas,
tiro o sumo de que se farão
as obras sobrepostas
em vinho e terremoto.
Nas escadas para o infinito
ficará a minha tumba
nas penumbras
do inferno,
e das loucuras terei
o sublime momento
da vidência
que no caos
vê tudo
num átimo
de sempiternidade.
12/03/2011 Delírios
(Gustavo Bastos)
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Poesia
sexta-feira, 11 de março de 2011
DESMATAMENTO
Estava morta a árvore.
Seu silêncio era depois
de uma penumbra milenar.
De que era feita a matéria
de sua madeira?
Os pássaros ali se ajuntaram,
e o rio passava indócil pelas terras
e saraivas.
Num sopro ela se estendia pelas raízes,
e o sóbrio amante das árvores
pranteava junto aos pântanos.
Quem era amante como a flor?
Atirava-se a madeira para a mobília
de um rico viajante,
era madeira de canoa e madeira de mesa,
era também rica de galhos,
e a sua vida imobilizada
se tornara a casa e os utensílios,
e a penumbra já não mais existia,
mas um vasto deserto
de onde a floresta tinha sido abortada.
01/05/2009 Gustavo Bastos
Seu silêncio era depois
de uma penumbra milenar.
De que era feita a matéria
de sua madeira?
Os pássaros ali se ajuntaram,
e o rio passava indócil pelas terras
e saraivas.
Num sopro ela se estendia pelas raízes,
e o sóbrio amante das árvores
pranteava junto aos pântanos.
Quem era amante como a flor?
Atirava-se a madeira para a mobília
de um rico viajante,
era madeira de canoa e madeira de mesa,
era também rica de galhos,
e a sua vida imobilizada
se tornara a casa e os utensílios,
e a penumbra já não mais existia,
mas um vasto deserto
de onde a floresta tinha sido abortada.
01/05/2009 Gustavo Bastos
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EXPECTATIVA
O que demora para acontecer
é o dia mais ditoso.
Se tu perderes a paciência,
não estarás de todo feliz.
Espera e continua,
talvez a vida seja demorada
em certos casos.
Mas o que a vida guarda
é o tempo de que tu sonhas
em nada conter
e tudo dar.
O que demora é talvez o amor lindo.
O que demora é talvez a bruma
e a poesia.
Mas o que é que não demora nesta vida?
Sejas então resignado
e não temas o que virá.
01/05/2009 Gustavo Bastos
é o dia mais ditoso.
Se tu perderes a paciência,
não estarás de todo feliz.
Espera e continua,
talvez a vida seja demorada
em certos casos.
Mas o que a vida guarda
é o tempo de que tu sonhas
em nada conter
e tudo dar.
O que demora é talvez o amor lindo.
O que demora é talvez a bruma
e a poesia.
Mas o que é que não demora nesta vida?
Sejas então resignado
e não temas o que virá.
01/05/2009 Gustavo Bastos
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ESFORÇO
O trabalho com que conduz
os teus braços,
são a porta para o triunfo
de teu pensar.
Estando à beira de perder
os teus sonhos mais reais,
continua, no entanto,
com uma fome de vida.
E a todo calor em que repousas,
será este dia o teu manancial.
Onde possas inclinar a cabeça,
descansa no teu leito a dor reluzente.
E aí já tens a recompensa,
um bom banquete
para as horas de alegria.
01/05/2009 Gustavo Bastos
os teus braços,
são a porta para o triunfo
de teu pensar.
Estando à beira de perder
os teus sonhos mais reais,
continua, no entanto,
com uma fome de vida.
E a todo calor em que repousas,
será este dia o teu manancial.
Onde possas inclinar a cabeça,
descansa no teu leito a dor reluzente.
E aí já tens a recompensa,
um bom banquete
para as horas de alegria.
01/05/2009 Gustavo Bastos
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