E o vinho da eternidade
habita no coração da saudade
onde o mistério emana
eflúvios sulfúricos
de um poema escuro
como a noite,
e que de estrelas longínquas
ecoa toda a sua eternidade
em versos fúnebres
de loucura e terror.
Da noite escura do inferno
nasce um demônio vermelho
de fogo e desvario,
ele corre pelo silêncio
trevoso do martírio,
cresce entre os detritos
do apocalipse,
e de sombras se alimenta.
A elegia do ébrio demônio
se anuncia pelo poeta morto
que não sabe da luz do dia,
e que na noite faz orgia.
Eis o tempo sepulcral
que a solidão ébria
descansa temerária
pelos seus pecados.
01/11/2010 Elegias Existenciais
(Gustavo Bastos)
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Elegias Existenciais - II
Desespero em que jaz o abismo.
Sou um ser decrépito
em minha alma,
vejo o tempo descer
das nuvens da eternidade
como um sinal
de que poderia estar salvo
da masmorra dos arrependimentos
e pesares.
Neste sol vermelho de outono,
o socorro dos cadáveres
se pôs na guilhotina
de sua miséria bruta,
o canto salvífico
tomou a trova e os poderes
da poesia
se libertaram
como melodia melíflua
de harmonias sobrenaturais.
Desespero que nos honra
com sua coroa sanguinária!
Sou o tolo e vil hipócrita
da semeadura métrica
intravenosa da carne,
vivo em suspense
como um calor de morte
e inferno astral,
vivo em carnes maduras
de horror.
E o meu umbral de suicidas
é a sinfonia da letargia
e das sombras morféticas
de um destino incógnito.
Sofro em tempestades teatrais
de uma estória tenebrosa
em ricas poesias sáficas
e eróticas,
nesta poesia divina
em que o coro trágico
se anuncia
numa alma renovada
de cantorias esperançosas
de beber do vinho
da eternidade.
12/10/2010 Elegias Existenciais
(Gustavo Bastos)
Sou um ser decrépito
em minha alma,
vejo o tempo descer
das nuvens da eternidade
como um sinal
de que poderia estar salvo
da masmorra dos arrependimentos
e pesares.
Neste sol vermelho de outono,
o socorro dos cadáveres
se pôs na guilhotina
de sua miséria bruta,
o canto salvífico
tomou a trova e os poderes
da poesia
se libertaram
como melodia melíflua
de harmonias sobrenaturais.
Desespero que nos honra
com sua coroa sanguinária!
Sou o tolo e vil hipócrita
da semeadura métrica
intravenosa da carne,
vivo em suspense
como um calor de morte
e inferno astral,
vivo em carnes maduras
de horror.
E o meu umbral de suicidas
é a sinfonia da letargia
e das sombras morféticas
de um destino incógnito.
Sofro em tempestades teatrais
de uma estória tenebrosa
em ricas poesias sáficas
e eróticas,
nesta poesia divina
em que o coro trágico
se anuncia
numa alma renovada
de cantorias esperançosas
de beber do vinho
da eternidade.
12/10/2010 Elegias Existenciais
(Gustavo Bastos)
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
ELEGIAS EXISTENCIAIS - I
Quando as trevas dos céus infinitos
se fecham sobre a poesia,
o universo inteiro está em face da morte
de seus trovadores,
eis a poesia na existência mortal
dos homens,
eis seu ritmo sepulcral
que nos dá ânimo
para viver enquanto
não morrermos.
Volto-me à poesia que murmura
seu lamento entre as sereias
dos mares de dentro.
Semeio em meu verso o incenso
da alma fulgurante e vidente
das sombras do inferno.
Pois a queda angélica dos demônios
são sonhos, pesadelos e delírios
como o poeta os havia imaginado.
Desde épocas arcaicas como esta terra,
sou o fim do abismo no fim do mundo,
escrevo sob o sol medonho
os pensamentos e augúrios
de um instante.
Penso no abismo do ser
em que está a existência
mortal.
04/10/2010 Elegias Existenciais
(Gustavo Bastos)
se fecham sobre a poesia,
o universo inteiro está em face da morte
de seus trovadores,
eis a poesia na existência mortal
dos homens,
eis seu ritmo sepulcral
que nos dá ânimo
para viver enquanto
não morrermos.
Volto-me à poesia que murmura
seu lamento entre as sereias
dos mares de dentro.
Semeio em meu verso o incenso
da alma fulgurante e vidente
das sombras do inferno.
Pois a queda angélica dos demônios
são sonhos, pesadelos e delírios
como o poeta os havia imaginado.
Desde épocas arcaicas como esta terra,
sou o fim do abismo no fim do mundo,
escrevo sob o sol medonho
os pensamentos e augúrios
de um instante.
Penso no abismo do ser
em que está a existência
mortal.
04/10/2010 Elegias Existenciais
(Gustavo Bastos)
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