A casa mal amada dos olhos meus
está na neblina do olvido.
Quero ferir o coração
em tenebrosa nuvem escura,
e dardejar o pranto
com o eclipse do tempo
mal contado do relógio.
Sou o trigo desta terra bendita.
Caio num sopro pelo infinito
de navios e cais.
Tenho em minha varanda
o sol sempre sonoro
de uma lama vermelha
do crepúsculo final.
O ventre de uma vil fêmea
não me fez alegre e nem homem
viril.
Sou vítima do ardil suicida
da tempestade da bomba,
um serviçal do agouro
para a metafísica das sombras,
o exílio fumegante
da dor carnal esquartejada
pelo ódio dos soldados
ao pé da montanha negra
dos meus ares imaginários.
Cada queda fazia o meu poema,
e eu vivia de onde o mar era oceano.
Pelo canto fatal eu não dormia,
e era a manhã de um cinza pálido
que depois a aurora cobriria
de arrebol em todos os lares,
e as antenas e satélites
tomariam fôlego
para a imagem etérea do dia
e o fim funesto da noite.
Eu queria como queria deitar
na várzea sob um signo de espanto,
e matar os bois para um apetite
devorador e eterno.
Não terei que me fazer poeta
por estes estertores e devaneios,
sendo isto, a sombra transcendente,
o meu silêncio para o nada.
Desta casa e desta varanda,
sonho com um coração imenso
donde se tem uma visão da praia
em que posso beijar o mar,
e deste imenso da imensidão,
mergulhar para o profundo
do qual ninguém sabe voltar.
07/06/2010 Gustavo Bastos
segunda-feira, 7 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
OFERENDA
A tormenta vaza aos sentidos,
Dou uns trocados para os bárbaros,
Segredo enfadonho de todo verso,
Crítico estourado, indigente das fábricas.
Paraíso deste mundo vagabundo,
Potrancas se organizam e se balançam.
Noite de dançarinos vorazes,
Milagre das oferendas,
O que os deuses comem,
Esses manjares de ócio.
Há muito tempo está escrito,
Na praia de todas as almas,
Velas de umas rezas levantadas.
O que sobra aos batuqueiros,
Danças dessas moças.
Em torno dos altares que fulguram.
Belas vestimentas, alvas de tão puras.
O que é certo avulta no desfecho da obra.
Ao que é de morte gritou a vida.
Pelo que a esperança professa,
Tenham no coração o espírito da verdade.
Que o poema não seja apenas um jogo,
Pois a vida é que se revela.
O canto das perdições, das dores ocultas.
A divindade que me pegou era um orixá.
Tenham lenha para a fogueira,
As danças marcam os trabalhos,
Vamos fazer uma oferenda,
Para a vida da floresta.
Que batam os tambores!
Dou uns trocados para os bárbaros,
Segredo enfadonho de todo verso,
Crítico estourado, indigente das fábricas.
Paraíso deste mundo vagabundo,
Potrancas se organizam e se balançam.
Noite de dançarinos vorazes,
Milagre das oferendas,
O que os deuses comem,
Esses manjares de ócio.
Há muito tempo está escrito,
Na praia de todas as almas,
Velas de umas rezas levantadas.
O que sobra aos batuqueiros,
Danças dessas moças.
Em torno dos altares que fulguram.
Belas vestimentas, alvas de tão puras.
O que é certo avulta no desfecho da obra.
Ao que é de morte gritou a vida.
Pelo que a esperança professa,
Tenham no coração o espírito da verdade.
Que o poema não seja apenas um jogo,
Pois a vida é que se revela.
O canto das perdições, das dores ocultas.
A divindade que me pegou era um orixá.
Tenham lenha para a fogueira,
As danças marcam os trabalhos,
Vamos fazer uma oferenda,
Para a vida da floresta.
Que batam os tambores!
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Coração Maldito,
Poesia
AS COLINAS
Alturas intensas dos ares gelados,
Outrora de uma maravilha,
Júbilo e encantamento esperado.
As colinas em que se perde o olhar.
A fortuna da vida de poeta,
Que grita na alma,
Nos vários ritmos do poema.
Esta nuvem em que mora a volúpia.
Os demônios da paixão que morrem.
Amores e desastres da beleza.
Os outonos da morte, a paranoia do caos.
Os mares aflitos do coração,
Que acordam a metamorfose do tempo.
Pelos céus que encontro nesses montes.
Quando se revelam tais versos,
Pelas trilhas das orações.
Os desertos cantam outras eras,
Deserto de trigo, deserto de tomilho.
O que sinto plenamente é o porvir.
Depois das matanças, um retorno ao bem querer.
Atrás das colinas, esse sol que tanto procuro.
Dos sonhos que imaginava,
Vertia o sangue, beijava o fulgor.
Terras distantes em meu delírio,
Já abria as portas do espírito bondoso.
Em minhas mãos uma mulher morta,
De tal terrível desejo.
As colinas, as colinas ...
Passeios por mundos vicejantes,
Nas loucuras do amor intenso.
Por onde me criei, sou jovem e esperançoso.
A malícia deste verso
Eu faço com honra e ironia.
Minhas primaveras, meus sóis,
O verão de um longo fervor.
Que as chamas levem os fantasmas.
Vejo o rincão do descanso, leve nostalgia.
Lá onde estou pleno,
Doce pássaro de nobreza e candura.
Os ricos campos verdejam de tanto êxtase.
Em volta das colinas, as doces colinas.
Alturas que refulgem, raios estupendos,
Uma formosa névoa me regenera.
Rios de exuberância, plena exuberância.
As longas viagens de uma vida.
Belas contemplações, os olhos que miram.
Pinturas pungentes do coração.
Floresta tão amada,
As almas nativas e adoradas
Deste meu poema, que vive a terra nativa.
Nas colinas moram os anciãos,
Meus sábios monges,
Minhas douradas iluminações.
O que a esfera azul me servia,
As estrelas da constelação da magia.
Ao que o verso se referia,
Dou o sangue pela arte.
Espero o magnífico da morte,
E a tão louvada fraqueza de poeta,
Se apaixonar pela natureza.
Desespero de poeta, saber que é vulnerável
Ao tempo e à paixão. Tenebrosos caminhos,
Dos mil levantes da alma poderosa.
Os beijos malditos que sonhavam,
Mares deste sonho, lua amorosa.
Este amor é o veneno da sedução.
Volto-me aos encantos perdidos,
Volto à selva em que um dia dormiria.
Estes céus em que moram as colinas ...
Eleva todo espírito que se torna poesia.
Outrora de uma maravilha,
Júbilo e encantamento esperado.
As colinas em que se perde o olhar.
A fortuna da vida de poeta,
Que grita na alma,
Nos vários ritmos do poema.
Esta nuvem em que mora a volúpia.
Os demônios da paixão que morrem.
Amores e desastres da beleza.
Os outonos da morte, a paranoia do caos.
Os mares aflitos do coração,
Que acordam a metamorfose do tempo.
Pelos céus que encontro nesses montes.
Quando se revelam tais versos,
Pelas trilhas das orações.
Os desertos cantam outras eras,
Deserto de trigo, deserto de tomilho.
O que sinto plenamente é o porvir.
Depois das matanças, um retorno ao bem querer.
Atrás das colinas, esse sol que tanto procuro.
Dos sonhos que imaginava,
Vertia o sangue, beijava o fulgor.
Terras distantes em meu delírio,
Já abria as portas do espírito bondoso.
Em minhas mãos uma mulher morta,
De tal terrível desejo.
As colinas, as colinas ...
Passeios por mundos vicejantes,
Nas loucuras do amor intenso.
Por onde me criei, sou jovem e esperançoso.
A malícia deste verso
Eu faço com honra e ironia.
Minhas primaveras, meus sóis,
O verão de um longo fervor.
Que as chamas levem os fantasmas.
Vejo o rincão do descanso, leve nostalgia.
Lá onde estou pleno,
Doce pássaro de nobreza e candura.
Os ricos campos verdejam de tanto êxtase.
Em volta das colinas, as doces colinas.
Alturas que refulgem, raios estupendos,
Uma formosa névoa me regenera.
Rios de exuberância, plena exuberância.
As longas viagens de uma vida.
Belas contemplações, os olhos que miram.
Pinturas pungentes do coração.
Floresta tão amada,
As almas nativas e adoradas
Deste meu poema, que vive a terra nativa.
Nas colinas moram os anciãos,
Meus sábios monges,
Minhas douradas iluminações.
O que a esfera azul me servia,
As estrelas da constelação da magia.
Ao que o verso se referia,
Dou o sangue pela arte.
Espero o magnífico da morte,
E a tão louvada fraqueza de poeta,
Se apaixonar pela natureza.
Desespero de poeta, saber que é vulnerável
Ao tempo e à paixão. Tenebrosos caminhos,
Dos mil levantes da alma poderosa.
Os beijos malditos que sonhavam,
Mares deste sonho, lua amorosa.
Este amor é o veneno da sedução.
Volto-me aos encantos perdidos,
Volto à selva em que um dia dormiria.
Estes céus em que moram as colinas ...
Eleva todo espírito que se torna poesia.
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