A esperança é um livro aberto :
sua capa dourada,
sua lombada astuta,
a esperança é verde
e de todas as cores,
a esperança se folheia
com calma,
a onipotência aqui não reside
e não faz ninho,
a esperança precisa
ser paciente e humilde,
ser boa mas nunca tola,
a esperança tem que ser esperta
sem ser maliciosa,
bom, aqui o poeta nos diz
de seu exato motor
de esperança,
versos que não sucumbem,
o corpo sem estigma,
a vida livre,
o verso que
se sabe
inteiro,
potente,
vivo
e leve.
A esperança é leve, livre
e não gosta da arrogância,
a esperança é gente fina,
gente boa, mas nunca
simula simpatia,
pois a esperança não é boba,
é inteligente e sabe
o que quer,
a esperança está na moda,
a esperança é fashion,
dizem que é a última que morre,
mas quem tem esperança
nunca morre,
vira estrela.
27/10/2018 Gustavo Bastos
sábado, 27 de outubro de 2018
POETA
Um pássaro me pousou nas costas,
sinto suas asas se abrirem,
me sinto um anjo de asas
em sua carona,
nós levantamos o voo.
Passamos por todas as cidades e florestas,
as montanhas e as cachoeiras
são magníficas.
Um pássaro de sonho e de sol,
na fuga de seu céu perfeito.
Eu, depois desta viagem toda,
virei poeta, e desatei
a fazer versos,
este seria então meu jeito de voar,
o voo que o pássaro havia
me ensinado,
pois primeiro pensei ter virado anjo,
mas o voo me revelou
meu ser todo encarnado
e anímico :
poeta.
27/10/2018 Gustavo Bastos
sinto suas asas se abrirem,
me sinto um anjo de asas
em sua carona,
nós levantamos o voo.
Passamos por todas as cidades e florestas,
as montanhas e as cachoeiras
são magníficas.
Um pássaro de sonho e de sol,
na fuga de seu céu perfeito.
Eu, depois desta viagem toda,
virei poeta, e desatei
a fazer versos,
este seria então meu jeito de voar,
o voo que o pássaro havia
me ensinado,
pois primeiro pensei ter virado anjo,
mas o voo me revelou
meu ser todo encarnado
e anímico :
poeta.
27/10/2018 Gustavo Bastos
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Poesia
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
TELEVISION E O ÁLBUM MARQUEE MOON
“Marquee Moon é o marco-zero do pós-punk.”
A banda Television é um fenômeno ímpar no movimento punk que
se consolidou sobretudo em 1977, mesmo ano de lançamento do principal álbum da
banda, o Marquee Moon. O disco é tão emblemático como objetivo, em oito canções
que completavam cinquenta minutos o recado é dado com uma força e precisão
inauditas.
O Television era uma banda diferente, e de um preciosismo que
não se confundia exatamente com um virtuosismo no seu sentido gratuito, era uma
banda que amadureceu com bastante trabalho e esmero, numa produção de algo
ainda novo no cenário musical, ecoando jazz experimental, folk e rock clássico
que já antecipava o que viria a ser o pós-punk.
Marquee Moon antecipa com maestria os caminhos do rock
alternativo, sendo como o modelo do que veio a ser a típica banda de rock
nova-iorquina, tal veia que tinha predecessores como Velvet Underground, Modern
Lovers e New York Dolls, e aqui temos os contemporâneos do Television como
Patti Smith e os Talking Heads, e aí vindo sucessores como Sonic Youth e The
Strokes, e temos o seguimento desta linha virtuosista com bandas diversas como
R.E.M., Joy Division, Pixies, Echo & The Bunnymen, Wilco e Radiohead.
A banda Television começou numa obsessão de seus músicos em
tocar bem, no que isto fez com que o primeiro álbum, que viria a ser o Marquee
Moon demorasse a se concretizar. Por exemplo, a banda fazia ensaios de até seis
horas todos os dias, tirando domingos, e que levou Tom Verlaine ao CBGB`s, cuja
sigla era de country, bluegrass e blues, e ali a banda Television tocaria pela
primeira vez com o Patti Smith Group, local que passaria a receber bandas novas
como os Ramones, os Stilletos que virariam o Blondie e os Talking Heads. Aqui temos
configurado um cenário geral do punk nova-iorquino que começa em 1975 com o
disco Horses de Patti Smith, e em 1976 com o debut autointitulado dos Ramones.
Como dito, a gestação de Marquee Moon foi aos poucos, Verlaine
e Lloyd se alternavam entre guitarra base e solo, reinventando o instrumento na
história do rock. E temos então a produção de uma música que não era apenas
feitas de virtuosismo, mas de fontes do blues e do folk, mas num desenho que se
pode chamar de urbano, citadino.
Verlaine demorou a liberar o material da banda, desde 1974 a
banda foi contatada, teve até com a Island e a produção de algumas músicas com
Brian Eno, mas o guitarrista não se satisfez com o som da produção, até a gravadora
Arista tentou contratar a banda no ano seguinte, mas foi em 1976 que a banda
assinou com a Elektra e finalmente Marquee Moon seria realizado, com Verlaine e
Lloyd escolhendo Andy Johns para a engenharia de som, este que já havia
trabalhado com bandas como o Humble Pie, Free, Jethro Tull e Led Zeppelin, pois
o Television queria Andy sobretudo pelo fato do som que este havia tirado das
guitarras no disco Goat´s Head Soup dos Rolling Stones.
O álbum foi gravado em setembro de 1976, e mesmo com tempo e
liberdade, a banda já tinha tal domínio do material que tudo foi muito rápido,
e o disco foi lançado em 7 de fevereiro de 1977. Marquee Moon é o produto
nova-iorquino beat de um cenário urbano decadente entre solos de Verlaine e
seus vocais falados e gritados, com pouco vocal cantado, e então temos o
documento musical que é o testamento do nascimento do pós-punk e o fim da era
clássica do rock, com som melódico, jazzístico, já avançando num terreno
diferente do punk, este que ainda tinha um som agressivo e direto.
O Television influenciou o que viria a ser mais a frente o
indie rock, banda que inaugurou o caminho do pós-punk com uma formação poderosa
que tinha o letrista Tom Verlaine (vocal, guitarra e teclado), Richard Lloyd (guitarra
e vocais), Fred Smith (baixo) e Billy Ficca (bateria). Marquee Moon é o
marco-zero do pós-punk.
Marquee Moon junta influências do proto punk, indo até o art
rock e antecipando passos que seriam dados por bandas importantes do rock
alternativo como o Sonic Youth, por exemplo, e ainda ecoando ao mesmo tempo Lou
Reed, Velvet Underground, David Bowie, e a guitarra de Robbie Krieger do The
Doors na música-título do álbum.
O segundo álbum Adventure de 1978, por sua vez, não teve
muito impacto, pois a banda já se encontrava entre brigas e visões musicais
conflitantes entre os membros da banda, com a banda se separando logo após o
lançamento deste álbum. No que temos a volta da banda em 1992, com a gravação
de um terceiro álbum de nome Television e com a banda fazendo apresentações
intermitentes em Nova York e esporadicamente pelo mundo.
Link recomendado : https://www.youtube.com/watch?v=s4s5bj5fZO8
Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
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domingo, 21 de outubro de 2018
O CAMPO DOS MORTOS
Sereno o campo dos mortos
goteja de chuva,
do pó marmóreo
os cantos sublimes
do céu,
a imortalidade da alma,
a gênese dos sonhos
e delírios de morte.
Vejo e aceno a mais um que
se foi, e este canto de fuga
enumera minhas mortes
queridas,
os planos fiéis
que me levam
ao luto,
oh, o fúnebre campo dos mortos,
este cheiro de cadáver,
este palco da memória,
e estes poemas que
falam da paz eterna.
22/10/2018 Gustavo Bastos
goteja de chuva,
do pó marmóreo
os cantos sublimes
do céu,
a imortalidade da alma,
a gênese dos sonhos
e delírios de morte.
Vejo e aceno a mais um que
se foi, e este canto de fuga
enumera minhas mortes
queridas,
os planos fiéis
que me levam
ao luto,
oh, o fúnebre campo dos mortos,
este cheiro de cadáver,
este palco da memória,
e estes poemas que
falam da paz eterna.
22/10/2018 Gustavo Bastos
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POEMA SUICIDA
Tenho, em casos de suicídio,
pontas de cigarro
queimadas na pele
insossa,
cartas mal escritas
por mãos trêmulas,
e uma dose de cianureto
na cabeceira.
Este poema solene
ainda está vivo,
mas passa mal,
muito mal,
com ânsia de vômito
e vontade de morrer,
este poema exangue
calcula seu passo
medindo o sangue
vertido,
e o cenário não é divertido,
é urgente.
22/10/2018 Gustavo Bastos
pontas de cigarro
queimadas na pele
insossa,
cartas mal escritas
por mãos trêmulas,
e uma dose de cianureto
na cabeceira.
Este poema solene
ainda está vivo,
mas passa mal,
muito mal,
com ânsia de vômito
e vontade de morrer,
este poema exangue
calcula seu passo
medindo o sangue
vertido,
e o cenário não é divertido,
é urgente.
22/10/2018 Gustavo Bastos
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ORÁCULOS POÉTICOS
Contemplo o inamovível
de meus anseios,
caio e levanto
sem atavios,
contemplo a rubra flor
que explode,
vigor e galhardia,
poemas amados,
jogos de sedução,
eis o poeta como está,
zonzo de prazer,
quase um zigoto.
Contemplo as ações infindáveis,
do alto de minha torre,
como um nababo,
como um poeta do ópio,
como um contador de causos
que são elegantes
em vinho e láudano,
sou este que com encantamentos
faz da magia a profecia,
e do poema, oráculo.
22/10/2018 Gustavo Bastos
de meus anseios,
caio e levanto
sem atavios,
contemplo a rubra flor
que explode,
vigor e galhardia,
poemas amados,
jogos de sedução,
eis o poeta como está,
zonzo de prazer,
quase um zigoto.
Contemplo as ações infindáveis,
do alto de minha torre,
como um nababo,
como um poeta do ópio,
como um contador de causos
que são elegantes
em vinho e láudano,
sou este que com encantamentos
faz da magia a profecia,
e do poema, oráculo.
22/10/2018 Gustavo Bastos
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POEMA FINDO
Neste canto do indizível
eu digo que não sei,
digo que não sei dizer
o que nunca disse,
eis, indizível.
No inaudito tenho dito
coisa tolas,
esmero e sacrifício
são meus versos.
Toda estrela um dia cansa
e morre, todo sol se exaure
de si, todo planeta é
consumido em pó,
e o corpo, este coitado,
é um infinitesimal
mínimo do cosmos.
Eu, poeta reles,
sou menos ainda,
me findo em poema.
22/10/2018 Gustavo Bastos
eu digo que não sei,
digo que não sei dizer
o que nunca disse,
eis, indizível.
No inaudito tenho dito
coisa tolas,
esmero e sacrifício
são meus versos.
Toda estrela um dia cansa
e morre, todo sol se exaure
de si, todo planeta é
consumido em pó,
e o corpo, este coitado,
é um infinitesimal
mínimo do cosmos.
Eu, poeta reles,
sou menos ainda,
me findo em poema.
22/10/2018 Gustavo Bastos
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