PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O PETRÓLEO VENEZUELANO

“intervenção norte-americana reflete uma nova era”

  

A escalada trumpista foi um constante teste das reações venezuelanas e da comunidade internacional, que começou com a mudança de legislação doméstica para grupos terroristas, deslocamento de enorme destacamento aeronaval para o Caribe, exercícios militares na região com o auxílio da República Dominicana e Trinidad e Tobago, apoio da Holanda, com presença no Caribe, com Aruba e Curaçao, países autônomos dentro do Reino dos Países Baixos (Holanda), que têm governos próprios e autonomia interna, com o Reino cuidando da defesa e das relações exteriores, tratando-se de uma monarquia constitucional com status de autogoverno.

Trump contou também com a colaboração de Porto Rico, um território dos Estados Unidos, não sendo um país independente, pois se trata de um Estado Livre Associado com cidadãos americanos, sem voto nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, tendo constituição própria, governo e moeda (dólar), embora esteja  sob soberania de Washington. Em seguida, Trump bombardeou 36 lanchas no Caribe, com 115 mortos, oferecendo recompensa pela entrega de Maduro e o nomeou líder narcoterrorista, fechou o espaço aéreo do país, praticou pirataria com um petroleiro, bloqueou o comércio de petróleo e bombardeou a fronteira com a Colômbia.

A agressão militar norte-americana também serviu para demonstrar e vender a sua força militar, neste caso, a força Delta, com sistema de inteligência, comunicação, interferência cibernética e eletrônica, além de mais de 150 aeronaves, numa exibição da indústria bélica dos Estados Unidos em seu poderio. Tais forças foram mobilizadas através de uma retórica sofismática sobre democracia, direitos humanos, combate às drogas etc, criando um Estado de Exceção, com execuções de pessoas em alto mar, sem julgamento, sem submeter suas decisões militares ao Congresso norte-americano.

A falácia parte da questão imigratória, guerra às drogas, a exploração de recursos estratégicos, colocando a Venezuela no centro da pauta intervencionista, em uma geopolítica instável, tresloucada, de um líder mimado, narcisista, repetindo a série histórica de figuras carismáticas cujas tendências são, invariavelmente, escalafobéticas, de egos inflados, culto da personalidade, tudo de um gosto duvidoso, com discursos mão dura, atos de agressão e de guerra, com alguns que terminaram mal, suicidando-se ou sendo pendurados como peças de açougue em praça pública, ou ainda sendo linchados até a morte por populares. 

Trump, que já tomou uma triscada de bala na orelha, e cuja saúde é questionável, não aliviará o mundo de seus delírios de grandeza e, não há muita esperança diante de um vice como D. Vance, com um obscurantismo e psicopatia mais nazistas ainda. Quanto aos Estados Unidos, o fator que ainda retoma uma esperança, no entanto, reside na própria população norte-americana, uma parte dela, considerável, que é ou está crítica e insatisfeita com os rumos autocráticos dentro de seu país, e os movimentos do mercado, da economia, outro fator de pressão contra Trump e suas barbeiragens tarifárias.

O regime bolivariano da Venezuela possui um modelo descentralizado, em que os comandos e operações culminam nas comunas, integrado ao povo organizado, de modo que o sequestro de Maduro não deixou o sistema do país acéfalo. E o ataque, além desta captura, incluiu bombardeios simultâneos em áreas civis de quatro estados do país. Sendo que Maduro foi mantido vivo para não virar um mártir do bolivarianismo chavista. Com os Estados Unidos afirmando se tratar de uma questão de segurança pública e não de defesa militar, isso num país com uma oposição nula, enfraquecida, sem ninguém com legitimidade para ocupar o poder no lugar do sistema estabelecido por Chaves e sucedido por Maduro. 

A operação completa durou uma hora e meia, empregou 150 aeronaves, inteligência e recursos cibernéticos. Os ataques a instalações militares se concentraram no Tiuna e na base aérea de La Carlota (onde se concentram as baterias antiaéreas). E, ao fim, Maduro e sua esposa Cília foram levados para Nova York, em que a Venezuela manteve o governo com a vice-presidenta, Delcy Rodríguez, que agora responde pelo mesmo.

E no contexto latino-americano, a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) não obteve consenso em sua reunião, faltando uma estrutura como o Conselho de Defesa Sul Americano, como mediação e dissuasão em conflitos regionais, sem falar no esvaziamento da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), entrando em colapso em 2018, depois de divergências ideológicas e saída da maioria dos países membros para a fundação do Prosul.

Trump opera mudanças no deep state, com intervenções que ativam esta nova dinâmica, com o presidente norte-americano sendo a figura que vocaliza este “Estado profundo dos Estados Unidos”, o que se configura em sua nova doutrina, com a primeira intervenção direta de caráter militar dentro da América do Sul, por parte das forças norte-americanas. Ao passo que o Brasil não se posicionou de modo suficiente como liderança regional. 

E, dentro dos Estados Unidos, a justificativa foi a captura de dois acusados de narcoterrorismo, refletindo a visão atual interna, em que a população norte-americana, ao mesmo tempo que não quer mais saber de intervenções militares pelo mundo, defende o combate ao tráfico internacional de drogas, o que coloca o direito internacional em uma situação ambígua, e também usando o argumento de que o Departamento de Guerra foi utilizado como linha auxiliar em tal operação na Venezuela, mais uma vez misturando as coisas para beneficiar os seus interesses, que envolve, ao fim, as empresas de petróleo, tendo como missão a reconstrução da infraestrutura petroleira, através de um financiamento que depois será reembolsado. 

Quanto às declarações de Trump sobre investimentos na Venezuela nesta reconstrução, a Chevron, que é a única companhia de petróleo dos Estados Unidos que ainda opera no país sul-americano, apenas afirmou que a sua atuação cumpre leis e regulamentos pertinentes. A ExxonMobil e a ConocoPhillips não se manifestaram sobre o plano anunciado pelo presidente norte-americano. Esta indústria petrolífera, que há meio século passava por um processo de nacionalização, teve o seu aprofundamento em 2007, com o controle das operações que ainda eram geridas sob acordos privados, o que provocou a saída das duas empresas citadas, enquanto a Chevron aceitou se adaptar às novas condições impostas pelo governo chavista. 

Depois deste controle estatal chavista se impondo, as duas empresas entraram numa batalha judicial contra o governo venezuelano, que teve o seu encerramento favorável às petrolíferas, através do CIADI (Centro Internacional para a Arbitragem de Disputas Relativas a Investimentos), do Banco Mundial, em que a Venezuela foi obrigada a indenizá-las com milhares de milhões de dólares. O país sul-americano ainda não quitou integralmente as indenizações, com um embargo norte-americano ao petróleo venezuelano ainda em vigor, com Trump acusando a Venezuela de roubar as companhias petrolíferas dos Estados Unidos através do controle estatal chavista.

A Venezuela passa pelo contraste de possuir cerca de 17% das reservas mundiais de petróleo, com uma produção que chegou a 3,5 milhões de barris diários na década de 1970, com uma queda vertiginosa desta produção provocada pela falta de investimentos e problemas de gestão, o que refletiu numa produção, em 2025, de 1% da produção mundial, cerca de 1 milhão de barris diários. Diante disso, para retomar os níveis de produção anteriores, um investimento de cerca de 110 bilhões de dólares serão necessários. E isso para alcançar, em 2030, dois milhões de barris diários. 

Mesmo diante de um mercado petrolífero mundial de excesso de oferta, com preços caindo, exigindo uma maior seletividade das empresas petrolíferas nas suas decisões de investimentos, as grandes petrolíferas norte-americanas irão disputar este espólio venezuelano, numa competição intensa que, mesmo com os investimentos necessários, concentra um potencial de retorno bilionário. 

As características desta intervenção norte-americana reflete uma nova era em que se mesclam ações contemporâneas como as sanções econômicas, retórica antidrogas no combate ao crime organizado, juntando táticas do século XIX, com bloqueios navais e pirataria, de meados do século XX, na intervenção militar direta, em que havia contra-insurgência e golpes de Estado. E o clima trumpista tenta transmitir uma confiança e ofensividade alimentadas pelo Maga (Faça a América Grande Novamente, na sigla em inglês). 

Esta ação feita na Venezuela inclui um desdobramento que é a estratégia de estrangulamento do regime cubano, com o corte do fornecimento de petróleo bruto da Venezuela, que entrava praticamente de graça, em que o sufocamento econômico é visto como suficiente para derrubar o governo cubano, sem a necessidade de uma ação militar, pois também detona uma crise energética no país caribenho. 

Para Trump, estas ações intensificam a crise cubana e o fim do regime socialista no país. O que é mais um golpe na ilha, que já perdera a ajuda do regime socialista da União Soviética, com a dissolução daquele país, na fragmentação da CEI (Comunidade dos Estados Independentes) e a volta da Rússia como país único e a ascensão de Boris Yeltsin e queda de Mikhail Gorbachev, junto com os desastres da Perestroika e da Glasnost. 


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário : https://www.seculodiario.com.br/colunas/o-petroleo-venezuelano/


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

QUANDO DEIXAMOS DE ENTENDER O MUNDO, DE BENJAMIN LABATUT

“narrativa documental”


Benjamin Labatut é um escritor chileno que ficou conhecido por obras literárias que misturam ficção e temas reais, num tipo de escrita que mescla elementos de realidade histórica, referências científicas, e a partir disso ergue um texto que levanta temas complexos, muitas vezes, em uma forma de literatura que se pode acessar mesmo sem conhecimento prévio dos temas e informações (ou fabulações) que ficam inseridos em contos e romances que parecem um documento de eventos do mundo real, o que pode ser verdade ou não, ou ainda um híbrido que resulta numa literatura nova e original. 

O escritor nasceu em Roterdã, na Holanda, e mora desde os quatorze anos em Santiago, no Chile. Publicou La Antártica Empieza Aquí, ganhando o Prêmio Caza de Letras, depois lançou Después de la Luz, sendo a sua terceira obra Quando Deixamos de Entender o Mundo, que teve indicação para o International Booker Prize em 2021. Esta última obra, publicada originalmente em 2020, não se limita a ser uma narrativa histórica, mas flerta com o ensaio, a ficção científica e o romance de ideias.

Nesta obra Labatut tem influência de autores como W.G. Sebald, de onde recebe o caráter documental como um recurso literário inovador, misturando fatos reais, história e ficção. Com Thomas Pynchon ele recebe uma espécie de narrativa científica e filosófica, com questões como a fronteira entre a genialidade e a loucura, que lembram o que Thomas Pynchon realizou em O Arco-íris da Gravidade. Nesta obra temos a abertura que se dá com uma epígrafe de Wernher von Braun. 

Este construiu uma das armas mais letais que seria utilizada pelo regime nazista, ao passo que tentava descobrir a existência da vida após a morte e da imortalidade da alma. Este se muda para os Estados Unidos e trabalha pela Disney e ainda a Nasa. Este personagem terá um caráter multifacetado semelhante aos cientistas retratados nesta obra de Labatut, em que o conhecimento avançado se mescla com a mística e a ambivalência política. 

Outras influências de Labatut também incluem o beatnik William Burroughs, além de Roberto Bolaño, Eliot Weinberger e Pascal Quignard. E esta obra possui quatro narrativas que parecem ser a leitura de verbetes de enciclopédia ligados a cientistas de destaque dos últimos séculos, com vidas complexas e incompreendidas, com uma base narrativa associada também ao autor Éric Vuillard, de A Ordem do Dia, concentrada em fatos, mas com um revestimento literário. 

A principal influência para Labatut, no entanto, foi o poeta chileno Samir Nazal, que coloca as tradições chilenas em narrativas complexas que se ligavam ao insólito, com criaçôes de mundos falsos, além da crise ontológica, existencial, diante de um mundo dominado e movido pela técnica, com uma desconstrução da realidade através da ficção que aparece de modo semelhante nesta obra de Labatut, Quando Deixamos de Entender o Mundo, que interpretado pela crítica literária como romance de não-ficção, um oxímoro, também sendo chamado de literatura pós-autônoma e de hibridismo, em que Labatut coloca a biografia de diversos nomes da ciência em perspectiva ficcional. 

Em seus contos Labatut produz um material inventado, porém, de difícil distinção de fatos reais, pois a narrativa documental, pode reunir figuras como o físico Erwin Schrödinger, além do matemático Alexander Grothendieck, este que foi o mais importante do século XX, um ilustre desconhecido fora de seu meio, com trabalhos incompreensíveis para leigos, e que se isola para descobrir a origem dos sonhos, em ele teorizava que tinham todos a mesma fonte, pois vinham de um deus conhecido como Le Rêveur, “o sonhador”. 

Diante das revoluções científicas e as mudanças de cosmovisão advindas destas transformações no conhecimento, sobretudo no século XX, Labatut toma isso como eixo de sua obra Quando Deixamos de Entender o Mundo, em que o título já designa esta mudança de paradigma, sendo que a matemática, por exemplo, nesta obra literária, rompe suas próprias fronteiras, em que os personagens, a princípio históricos, nesta narrativa de Labatut acabam descambando para um caminho delirante de cunho místico e filosófico.

Ruptura que pode ser associada com uma das insígnias apocalípticas do século XX, que foi quando o cientista Robert Oppenheimer, citou Bhagavad Gita, ao descrever a criação da bomba atômica : “Agora eu me tornei a Morte, a destruidora de mundos”. Labatut reforça que o uso da ciência e da tecnologia produz desdobramentos políticos e de poder. Nos deparamos, por exemplo, com uma matemática alienígena, que rege o funcionamento das partículas elementares, em um texto, o quarto do livro, em que figuram os físicos Schrödinger e Heisenberg, num flerte com a loucura, desafiando a compreensão humana, culminando em perspectivas metafísicas e religiosas. 

Labatut também aponta a ruína da busca de um conhecimento totalizante, levando a uma verborragia enciclopédica, delirante, levando cientistas a um ponto de não retorno, em que a descoberta impacta a vida e a relação com o mundo desses personagens, que entram em parafuso, como o matemático japonês Shinichi Mochizuki e Alexander Grothendieck, que abandonou a carreira depois que descobriu o perigo de sua nova descoberta, escolhendo o silêncio, tentando evitar a má utilização daquele conhecimento que ele havia conquistado. 

Grothendieck foi um matemático alemão que alcançou avanços significativos na álgebra e na geometria, em que foi oferecida a ele a Medalha Fields, considerada o Nobel da área, mas Grothendieck recusou-a e foi viver afastado, sem compartilhar as suas pesquisas individuais, construindo uma história de vida que pode ser comparada com a do japonês Shinichi Mochizuki, que em 2012 publicou artigos demonstrando uma das mais importantes conjecturas da teoria dos números, considerada impossível de resolver até então, mas foi incompreendido.

O título de Quando Deixamos de Entender o Mundo também nomeia o conto que fala do embate entre entre Schrödinger e Heisenberg, da física quântica, em que a matemática descreve um mundo contra-intuitivo, distante do senso comum, onde Werner Heisenberg irá fundar o Princípio da Incerteza, em que a própria observação científica passa a modificar a realidade. Heisenberg revolucionou a física com este princípio, ao mesmo tempo que se defrontou com os limites do conhecimento da realidade, em que Labatut questiona como tais descobertas podem, por vezes, afetar a sanidade desses cientistas. 

No conto Azul da Prússia, o astrônomo Karl Schwarzschild, que foi pioneiro na idealização dos buracos negros, ficou com horror da própria descoberta, pois ali a física deixava de fazer sentido, e a natureza volta a mergulhar no mistério e na loucura. Ao passo que o químico judeu Fritz Haber contribuiu na criação da tecnologia que produziu o Zyklon B, gás letal que depois seria usado contra a sua própria família nos campos de extermínio. Ele conseguiu extrair nitrogênio da atmosfera, o que permitiu uma revolução na agricultura e o crescimento populacional, levando também à criação do gás sarin, que foi usado como arma química de guerra.

Esta narrativa conta como a descoberta acidental do pigmento azul da Prússia, enquanto se tentava criar o carmim, usado para pintar mantos da Virgem Maria, acabou levando à criação do cianureto e do gás usado nas câmaras de extermínio nazistas. Aqui se remonta um tema de Thomas Pynchon, em que o conhecimento acaba colaborando com métodos de genocídio, onde conglomerados como a IG Farben podem se apropriar de novas descobertas para a sua utilização no extermínio de pessoas. 

O desvio da busca científica de desvendar enigmas da natureza e do universo para um uso político e militar é a contradição trabalhada por Labatut nesta obra. O progresso científico perde a sua neutralidade em seu uso, pois move interesses de poder, em que o saber como este meio para o exercício de poder é uma virada moderna, em que o domínio técnico, que vinha das artes servis, antes subestimadas, ganham protagonismo no status da ciência como eixo da cognição moderna e contemporânea, repleta de contradições. 

No Epílogo "O Jardineiro Noturno" é feita uma síntese de todos os contos anteriores, podendo citar Alexander Grothendieck, o matemático que se isolou da sociedade ao perceber o potencial destruidor de suas descobertas. Temos ainda o "Gato de Schrödinger", em que é feita a interpretação do experimento do gato. A obra perpassa em seus quatro contos esta fronteira entre uma busca racional e produtiva, científica, e pendores de destruição política e militar, além do isolamento e loucura de cientistas atormentados.

Por fim, na obra ainda temos o próprio Labatut descrevendo estes contos : “Esta é uma obra de ficção baseada em fatos reais. A quantidade de ficção aumenta ao longo do livro; enquanto em “Azul da Prússia” só há um parágrafo ficcional, nos textos seguintes tomei liberdades maiores, tentando permanecer fiel às ideias científicas expostas em cada um deles. O caso de Shinichi Mochizuki, um dos protagonistas de “O coração do coração”, é particular: inspirei-me em alguns aspectos do seu trabalho para adentrar a mente de Alexander Grothendieck, mas a maior parte do que é dito sobre ele, sua biografia e suas pesquisas é ficção. A maioria das referências históricas e biográficas utilizadas nesta obra podem ser encontradas nos seguintes livros e artigos, a cujos autores também gostaria de agradecer”.


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário : https://www.seculodiario.com.br/cultura/benjamin-labatut-quando-deixamos-de-entender-o-mundo/