PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quarta-feira, 1 de julho de 2026

ABISMAL

Querer os giros as glórias as estradas os fios da vida

pluriplural, a vida vivida, quente abisma, frias estadias.

Os fulvos, os fogos, os mergulhos nos golfos,

dos folguedos, da febre terçã, folgazã, o festivo festival,

de fastio o festim, o fastígio da flâmula, dos filhos das pátrias,

dos pútridos hipócritas, das preces dos próceres, em que os

arquidiabos se refestelam e os spin-doctors são basbaques,

dos escrutínios das abúlicas afasias, estafetas, doença vítrea,

dos vícios, das astúcias, em que entrementes estão os beócios,

aos asseclas, néscia cantilena, dos sabujos, e a birra do rei,

encastelado, babando, com as vísceras da fartura, nababo,

besta-fera, matando os ócios no matadouro dos aziagos,

num canto ardido, azucrinando a zica dos azinhavres,

com seu estábulo que foi para o vinagre, enquanto

os anódinos apedeutas zurram como uma patota.


01/07/2026 Monster  

A PIRÂMIDE DE VORCARO

 “o Banco Master operava com carteiras de crédito fictícias”


O caso Vorcaro teve um modus operandi que pode ser comparado aos esquemas Ponzi ou de pirâmide. Ainda evocando, também, a fraude financeira de Bernie Madoff, Daniel Vorcaro emitiu ativos sem lastro real pelo Banco Master, em que todos estes esquemas criam um cenário de solvência e sucesso, disfarçando um  mecanismo em que a entrada de novos investimentos servem para quitar o retorno prometido aos aportes anteriores, o que é a lógica em que a cobra morde o rabo e todos são picados.

Charles Ponzi foi um imigrante italiano que nos anos 1920 criou um sistema de arbitragem de selos postais, onde o golpe consistia na promessa de lucros acima do normal. E o esquema Ponzi que causou escândalo em Wall Street foi operado por Bernie Madoff, com uma movimentação financeira em torno de US$ 65 bilhões, em que, como presidente da bolsa Nasdaq, ele atraiu fundações de caridade para grandes bancos, em uma fraude de pirâmide clássica com investimentos fictícios, até que o castelo de cartas desmoronou na crise econômica de 2008, quando os resgates superaram os novos aportes e Madoff foi condenado a 150 anos de prisão. 

No caso do Banco Master, as investigações da Polícia Federal e do Banco Central apontam para um modelo de negócios criado por Daniel Vorcaro que se trata de uma pirâmide financeira ou esquema Ponzi. Todos os quesitos do modus operandi de pirâmide estão lá, como a simulação de lucro na captação de novos aportes para pagar os antigos, com recursos sendo tomados de modo agressivo com a emissão de CDBs com taxas de juros muito acima da média do mercado. 

Como em toda pirâmide financeira, havia a simulação de dinheiro rendendo com investimentos de alta performance, com produtos financeiros inovadores, mas sem lastro, com lucros fictícios, operando em cascata, para adiar a inadimplência indefinidamente, e no caso Vorcaro, o Banco Master operava com carteiras de crédito fictícias, com fundos como os da gestora Reag, inflando a liquidez de modo artificial através de triangulações em que se comprava títulos sem valor real por preços inflados para camuflar a verdadeira situação do balanço patrimonial.

O esquema Ponzi ficou à luz do dia já quando o Banco Central decretou a intervenção e liquidação do Banco Master e, face a uma declaração patrimonial em torno de R$ 80 bilhões em ativos, constatou-se que havia apenas R$ 4 milhões disponíveis em caixa. Era o cenário de colapso da pirâmide operada por Daniel Vorcaro, após uma movimentação agressiva de bônus e comissões sobre um abismo sem lastro. 

O colapso ocorreu quando os pedidos de resgate superaram a capacidade de entrada de novos participantes ou no momento em que as operações foram barradas por órgãos reguladores. Especificamente, a queda veio quando o banco tentou vender R$ 12,7 bilhões dessas carteiras de crédito falsas para o Banco de Brasília (BRB) para cobrir o rombo. O Banco Central detectou a fraude nos papéis, proibiu o negócio, e o castelo de cartas desmoronou com a intervenção regulatória e as prisões.

Este caso tem semelhanças com a dinâmica de pirâmide, mas é classificado como uma fraude financeira estrutural e sistêmica, pois sua execução foi feita dentro do Sistema Financeiro Nacional, com a utilização de mecanismos legais de mercado de capitais, de alta sofisticação, como FIDCs, CDBs e fundos de investimento, para camuflar o crime, o que culminou na Operação Compliance Zero da Polícia Federal e na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central.

O caráter sistêmico da fraude se deu pelo fato da operação ter sido feita utilizando-se do ecossistema regulado e de canais institucionais do país, esferas legais, gerando riscos no mercado de capitais, que quase o desestabilizaram, em que era feita a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com o pagamento de taxas sobrevalorizadas de até 140% do CDI ou 40% acima da média do mercado, uma operação contínua que foi drenando recursos do varejo e que culminou numa crise bilionária para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que teve que intervir para cobrir o prejuízo de investidores privados.

O descalabro sistêmico, contudo, atingiu o paroxismo quando veio a tal “Emenda Master”, uma emenda constitucional redigida pelo banco insolvente para que parlamentares federais alterassem as regras federais do FGC, tudo para que o próprio Estado, através do fundo garantidor, cobrisse uma fatia ainda maior da pirâmide de fraude de CDBs caso o Banco Master quebrasse, com a elevação do limite de garantia por CPF de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. 

Esta infiltração sistêmica ocorreu em institutos de previdência de servidores municipais e estaduais, neste caso, dentro do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social), que é o sistema de previdência exclusivo para servidores públicos concursados de cargos efetivos da União, estados e municípios, com legislação própria. E que, diferente do INSS, não é unificado, com uma gestão independente, feita por cada ente federativo. 

A organização criminosa, então, subornava com propinas os gestores desses fundos, em que o Banco Master recebia aportes bilionários de poupanças públicas de trabalhadores, com a injeção de dinheiro real em carteiras de investimentos, tudo sem lastro e em cascata, como no esquema Ponzi e de pirâmide, só que dentro da legalidade sistêmica, uma fraude operando na falha estrutural e moral do Estado. 

O Banco Master fez contratos simulados com grandes gestoras para a transação de papéis podres, num sequestro do sistema com uma engenharia reversa das normas bancárias, onde o desvio bilionário acabava protegido pela subversão da lei e da regulação de balanços auditados, em que Daniel Vorcaro viajava para várias cidades oferecendo pagamento de propina para gestores de fundos de pensão e previdência. 

A iminência da queda do esquema começou na tentativa de empurrar um rombo de R$ 12 bilhões para o BRB (Banco de Brasília), corrompendo o ex-presidente da instituição pública, Paulo Henrique Costa, na viabilização de compras de carteiras fictícias para inflar o caixa do Banco, em que este acabou preso pela Polícia Federal, depois de investigações em que foram encontradas mensagens e indícios de que Costa teria recebido imóveis luxuosos avaliados em mais de R$ 140 milhões em troca de aprovação dos negócios com o Banco Master. 

Na Operação Compliance Zero, com a prisão de Daniel Vorcaro e de vários executivos, o Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central, enquanto o BRB busca socorro financeiro para se recuperar do impacto do investimento bilionário nos ativos podres do Master. Tanto Vorcaro como Paulo Henrique Costa são os alvos principais da órbita das delações premiadas com autoridades da Justiça e do Ministério Público. 

Por sua vez, apareceram versões conflitantes de Vorcaro e do ex-presidente do BRB durante as oitivas, quanto a origem e a legalidade das carteiras de crédito negociadas. E agora a Procuradoria-Geral da República (PGR) recusou a proposta de delação premiada de Costa, por entender que ela não trazia fatos inéditos nem indicava como recuperar os desvios.

Paulo Henrique Costa foi preso em 16 de abril, na 4ª fase da Operação Compliance. Os advogados dele alegaram que a rejeição da PGR surpreende, pois eles afirmam que Costa nunca foi ouvido formalmente pela procuradoria para detalhamento da delação. Contudo, mesmo diante da recusa da PGR, ainda é possível um acordo para uma delação de Costa diretamente com a Polícia Federal, mesmo sendo mais determinante um acordo com o Ministério Público para a obtenção de benefícios legais do STF.

E com a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central, a consequência é a maior operação de ressarcimento da história do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). O colapso advindo da fraude do Banco Master afetou o patrimônio de milhares de pessoas, o que teve como consequência uma mudança estrutural das regras do Sistema Financeiro Nacional. 

O FGC também sofreu efeitos da fraude, pois a quebra do Banco Master, que arrastou junto o Will Bank e o Banco Pleno, gerou um rombo de R$ 51,8 bilhões, em que R$ 40,6 bilhões deste montante correspondem somente ao Banco Master. E como o banco usava a proteção do FGC como um “selo de segurança” para captar bilhões de reais oferecendo taxas acima da média do mercado, isto colocou o mesmo FGC na situação de pagar as indenizações que consumiram quase um terço de toda a liquidez deste, com um saldo operacional que despencou para quitar estes passivos. 

Consequentemente, o FGC aprovou uma medida extraordinária para recompor o patrimônio do fundo e conter o risco sistêmico, em que os maiores conglomerados bancários do país injetaram R$ 32,2 bilhões no fundo com a utilização de recursos de depósitos compulsórios no Banco Central, antecipando 60 meses de contribuições. E com a liquidação do Banco Master, todas as suas contas foram congeladas, operações como PIX e TED foram interrompidas e o aplicativo saiu do ar.

O direito ao ressarcimento pelo FGC foi estabelecido no limite legal de R$ 250 mil por CPF/CNPJ, de clientes que tinham dinheiro em conta corrente, poupança ou aplicações em CDBs, LCIs e LCAs no Banco Master. Quem tinha valor acima do limite estipulado, perdeu o excedente. E o impacto maior foi sobre 18 regimes próprios de previdência social (RPPS) de estados e municípios, onde fundos de pensão de servidores públicos foram investidos em Letras Financeiras de Vorcaro, sem cobertura do FGC, que viram esse dinheiro também sumir. 

No INSS, investigações apontam milhares de aposentados e pensionistas lesados pelo Banco Master através de descontos em folha referentes a créditos consignados falsificados, que nunca tinham sido contratados pelos correntistas atingidos. Isto fez com que o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central mudassem as regras do jogo ao instituir uma trava baseada em um "ativo de referência”.

A mudança estabelecida foi a de que se uma instituição emitir títulos garantidos pelo FGC além de seus parâmetros de segurança, o Banco Central obriga a aplicação desse dinheiro em títulos públicos de baixo risco, como um modo de impedir que bancos com problemas de liquidez abusem desta garantia para se alavancar. Ou seja, agora existe esta trava diante de fraudes que funcionam como verdadeiras pirâmides, disfarçando mecanismos em cascata que terminam insolventes e em colapso, se beneficiando do lapso sistêmico, como no caso Vorcaro. 


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário : https://www.seculodiario.com.br/colunas/a-piramide-de-vorcaro/

quinta-feira, 18 de junho de 2026

COMPLIANCE ZERO

“lobby judicial e tentativa de blindagem”


A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em novembro do ano passado, envolvendo a investigação da maior fraude contra o Sistema Financeiro Nacional na História do Brasil. A trama se insere no centro do sistema financeiro, com desdobramentos pelos poderes públicos e o crime comum, com implicações nada republicanas de uma metástase ética no plano político, econômico e administrativo do Brasil. 

A investigação envolve o esquema do Banco Master, que era controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, em que já ocorreu o bloqueio de R$27 milhões em bens, com o decreto de liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central. Além da fraude financeira, o caso também inclui o vazamento de dados, corrupção e articulações políticas do empresário. As apurações, além do rombo que soma bilhões de reais, envolve a criação de carteiras de crédito inexistentes e esquemas de propina, inclusive com a tentativa de usar o Banco de Brasília (BRB) para salvar a instituição.

O esquema consistia na negociação de títulos falsos, ou seja, o grupo fraudador fabricava e negociava carteiras de crédito sem lastro financeiro através de empresas de fachada, totalizando R$12 bilhões, incluindo fraudes previdenciárias, em que o Banco Master captava ilegalmente recursos de fundos de previdência de servidores municipais e estaduais, com promessas irreais de retorno. 

O erário teve um prejuízo que foi ressarcido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). E a primeira proposta de delação premiada de Vorcaro foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal (PF), uma vez que não apresentava novas provas e havia a recusa da devolução dos valores desviados, e a Polícia Federal avaliou também que o empresário estava tentando proteger figuras políticas e familiares.

A Operação Compliance Zero teve 8 fases, com investigações que se dividiram em diferentes núcleos, numa escalada que vai do setor financeiro até a alta cúpula política. A primeira fase teve a prisão de Daniel Vorcaro e de diretores do Banco Master, na segunda fase houve o bloqueio de R$5,7 bilhões autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e com foco em familiares de Vorcaro.

A terceira fase teve a prisão da ala violenta da investigação, incluindo a prisão de Luiz Phelipe Mourão, o Sicário, detido por ser responsável pelas intimidações, espionagem e abafamento de investigações sob as ordens de Vorcaro. Seguindo, na quarta fase, onde houve a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, acusado de combinar R$ 146,5 milhões em propina com Vorcaro. 

Na quinta fase houve o envolvimento do núcleo político, incluindo o senador Ciro Nogueira, que virou alvo de buscas, e a sexta fase atuou sobre núcleos criminosos que realizavam ameaças, espionagem e tráfico de informações sigilosas, resultando na prisão de Henrique Vorcaro (pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro) e de policiais federais.

Na sétima fase houve a investigação de vazamentos internos sigilosos da própria Polícia Federal que beneficiavam os investigados. E na oitava fase o foco foi o Rio de Janeiro, com a investigação do direcionamento ilegal de R$ 3 bilhões do Rioprevidência (fundo dos servidores do RJ) para o Banco Master, colocando o ex-governador Cláudio Castro sob a mira de buscas da PF.

As investigações do caso Banco Master e da Operação Compliance Zero prosseguem sob a relatoria do ministro André Mendonça no STF, avançando nos quatro núcleos, incluindo o trabalho da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF). O primeiro núcleo é o político e inclui os governos estaduais, em que se investiga como o banco utilizava propinas e influência política para captar dinheiro público de fundos de previdência.

Neste núcleo a PF apura o desvio de R$ 3,7 bilhões do fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro, e ainda temos uma apuração sobre articulações políticas em Brasília para tentar usar o Banco de Brasília (BRB) em uma operação financeira para salvar o Banco Master antes de sua liquidação pelo Banco Central. 

Outro núcleo envolve o Congresso e financiamentos suspeitos, em que se investiga se projetos privados e contratos culturais foram utilizados como fachada para lavagem de dinheiro ou evasão de divisas, onde a PF apura o contrato de R$ 134 milhões (com R$ 61 milhões efetivamente transferidos) para o filme biográfico de Jair Bolsonaro, Dark Horse.

Neste núcleo tenta-se comprovar se o projeto cinematográfico internacional configurou venda de influência política do senador Flávio Bolsonaro para abrir portas ao Banco Master em órgãos públicos. E ainda inclui uma análise do STF para provar se emendas parlamentares também foram direcionadas de forma cruzada para beneficiar financeiramente produtoras e empresas ligadas aos operadores do esquema. 

No núcleo judicial e de blindagem, que analisa operações de lobby, o foco está nas suspeitas de interferência e vazamento de dados que protegiam os executivos do Banco Master. A PF aprofunda sua investigação sobre o financiamento de um resort de luxo e uso de jatinhos do Banco Master, após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria por conflito de interesses, pois havia a menção de valores de até R$20 milhões relacionados a uma empresa familiar do magistrado.

Este núcleo inclui o caso Sicário, Luiz Phelipe Mourão, em que se investiga mensagens deste que é apontado como o braço-direito operacional e principal operador de táticas violentas de Daniel Vorcaro. Este núcleo mirou agentes da ativa e delegados da PF que vendiam senhas de sistemas sigilosos e relatórios de inteligência para o grupo chamado “A Turma”, ligado  em atividades de vigilância, coerção, perseguição e graves ameaças contra jornalistas, autoridades e desafetos que contrariassem os interesses financeiros do banco, ou seja, a parte violenta do esquema.  

Ainda temos, por fim, o núcleo financeiro e de recuperação de ativos, este que busca rastrear o destino do dinheiro desviado, em cooperação internacional com o FBI e a Interpol para o congelamento de contas e identificação de patrimônio oculto em paraísos fiscais. O ministro André Mendonça tem exigido que Vorcaro revele o paradeiro dos bilhões de reais desviados nas fraudes, a fim de reparar os investidores, e as negociações de delação continuam sendo o foco dos investigadores da PGR e da PF. 

O caso todo revela a proximidade e o trânsito de Vorcaro com várias alas políticas, dentre senadores, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e membros do governo, em uma atuação de "lobby judicial" e tentativa de blindagem. No núcleo financeiro, a propósito, novas evidências são reveladas pela PF sobre uma junção de interesses ilícitos e o pagamento de vantagens de luxo frequentes ao senador Ciro Nogueira.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), que já tinha sido alvo de mandados de busca e apreensão para apurar o seu envolvimento em um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, em que o senador, por exemplo, era suspeito de receber “mesada" de Vorcaro.

Este caso envolve mensagens interceptadas que revelam indícios de repasses mensais frequentes do banqueiro Daniel Vorcaro para Ciro Nogueira, com valores que começaram em R$ 300 mil e teriam chegado a R$ 500 mil por mês, somando pelo menos R$ 6 milhões. Ainda tem a investigação sobre uma suposta troca de favores políticos na qual Vorcaro enviava minutas de projetos de lei e emendas parlamentares diretamente para a residência do senador. 

Uma dessas propostas visava alterar regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para beneficiar diretamente o Banco Master. No caso, esta emenda, que expandia o teto do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, poderia "sextuplicar" o tamanho do banco. 

Além disso, a PF apurou sobre empresas da família do senador que mantiveram parcerias societárias atípicas com empresas de Vorcaro, e ainda identificou o pagamento ilícito de viagens aéreas, férias internacionais, por exemplo, para Nova York, Paris e Courchevel, além de diárias em hotéis de luxo em Lisboa custeadas pelo banqueiro. A defesa do senador inicialmente alegou que as transações financeiras eram devidas a uma "profunda amizade" com o banqueiro, versão contestada pela PF em vista dos fluxos de interesse legislativo identificados, no caso das emendas e dos projetos de lei enviesados. 


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.


Link da Século Diário :

https://www.seculodiario.com.br/colunas/compliance-zero/

terça-feira, 9 de junho de 2026

PÂNTANO

Pantagruel, o idiota, empanturra-se e bebe vinho,

com sua verve mimada, explode em risos.

Carcaça, botinada, e seus afrescos rasgados.

Lote 3, 4 etc. O bairro todo cagado. O pus

que entra nos dentes, a boca aberta.


Um poço sem fundo, um canto infindo,

a ladainha rouca dos emblemas mofados.

No último capítulo, um adendo, um parêntese,

pobre de quem é escravo deste balofo,

que arrota na cara e peida na sala,

que coça o saco e dá um muxoxo.


09-06-2026 Monster  

quinta-feira, 28 de maio de 2026

NOITE DE CÉSARES

Estende-se a bandeira, tal símbolo na carne e no sangue das gentes,

o peito hirto, o olhar no rito, a nacional chama, o porco chauvinista,

de uma maçada, patacoada, se fez a festa, como uma esbórnia,

e o lagar, toda a cachaça, e os brilhos nas avalanches, nas cátedras,

os azougues que levam chibatas, com os spin doctors batendo lata,

uma malta de assessores, o dinheiro adorado com anelo basbaque.


Pois, mortífero, pestilento pesadelo, e este poema anticlímax,

de ação direta, contra o rolo compressor, um anarco reggae

punk brota de uma luta metálica, virada em guitarra,

e este sêmen, toda a patota batuta, aos borbotões,

como bororos, bacantes, borrando o pátio de cadáveres,

do fascismo, a cadela no cio, o fastio, o festim,

o fastígio da carne queimada, do óleo diesel

na boca do subversivo, como nos folhetos

e nos lambe-lambes, nos poemas concretos

da esquina, na rua dez ou na rua zero,

a terra do nunca dos que morrem na praia.


28/05/2026 Monster 

 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

GARRAFA DE VINHO

As vidas estalam no vento, com os vícios

da atmosfera, a tosse, o vinho, a ira.

Pois a poesia rebate cáustica, e vem de 

prisma, de fio desencapado, com as gritas,

devaneios, e astúcias na luta lida cantoria.


Tem do vate o bardo no peito, do canto

à lua, ao sol e ao mar, dos versos sonoros

que o castelo vibra, e o vítreo púlpito

ressoa, tem este fogo e esta marca furiosa,

e o ritmo que encara toda senda brutal.


Eu escrevo os inícios do jovem poeta,

seu sangue simbólico, sua arte velhaca,

e o mármore antigo de leituras estupefatas,

e que somem nas espumas dos dias.


A livre borrasca, tempestade plangente,

dos ódios amores dores e os desvarios,

as porradas na porta e na janela um bebum.

Temos esta noite de boêmia, na astuta noite

dos poetas da festa nos langores e as danças

de vindimas nos dosséis das musas.


07/05/2026 Estrela Estrela  

quarta-feira, 6 de maio de 2026

RAIO VERTENTE

Sei dos lírios e seus risos, as nuvens

que brotam do dia, como o raio vindo

na longa estrada, dardo lançado,

a espuma do mar, vai e vindo,

como a estética aflorada em poesia.


Com os ditos e sentenças decorados,

Mnemosyne com esta astuta farra,

os delírios estetas do estuário,

os veios dos livros lancetados,

da ignara malta, a miséria não lida,

que estava dormindo.


Pois o mundo gritava, doía,

maltratava-se. O mundo bruto,

monolítico, absurdo.


Este poema é dito recôndito,

da chama ainda acesa,

diante dos lagares,

da luta e frêmito,

as asas abertas

dos amores 

leves, dos 

cantos de

aurora

e fim. 


06/05/2026 Sublime