PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

CRISE REPUBLICANA

 “desgaste público do STF” 

A crise do STF tem como consequência a sessão plenária em que o mediador do conflito é o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, como um freio interno a um dos poderes em que temos o embate entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, numa crise institucional e republicana. Tal se dá como desdobramento do caso do Banco Master, mais especificamente do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. E agora se vai aos dados do celular sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. 

Fachin suspendeu as decisões liminares dos ministros André Mendonça e Flávio Dino, em que o primeiro tinha determinado, de modo monocrático, o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, sob alegações de interferência na extração e gestão de dados da investigação do Banco Master e do caso Daniel Vorcaro, enquanto Flávio Dino anulou o ato de Mendonça e reintegrou os chefes da PF aos cargos, considerando a medida de Mendonça como irregular do ponto de vista processual.

Essa guerra de liminares já foi outro desdobramento do conflito que veio entre Moraes e Mendonça, causa de instabilidade jurídica, com a imagem do STF cada vez mais achatada em relação à sua missão original, que exigiria uma discrição que falta, há muito, do estrelismo vaidoso que tomou a Corte desde que suas sessões passaram a ser televisionadas. O fato é que Andrei Rodrigues está mantido provisoriamente à frente da PF até deliberação do colegiado da Corte Suprema. 

Fachin apontou para as ordens inconciliáveis que geraram conflitos e sobreposições processuais, ferindo a ordem pública e a integridade do tribunal. O presidente do STF retirou a relatoria de Mendonça do caso que ligava Vorcaro a Moraes, assumindo a condução do mesmo e determinando que qualquer procedimento investigativo contra ministros seja submetido diretamente à Presidência, ao passo que pautou a deliberação sobre o caso retirado de Mendonça para o plenário presencial do STF. 

O caso Vorcaro causou esta guerra no STF que representa uma crise institucional e republicana, expondo um abalo na governabilidade, no equilíbrio entre os poderes e na própria estrutura interna da Corte, indo além de uma disputa judicial comum, em que a guerra de liminares demonstrou uma fragmentação interna de um dos poderes da República, com o isolamento e a descentralização que tem causa, sobretudo, no ímpeto monocrático de alguns ministros, algo que passou de medida tópica para um hábito corrente e que extrapolou, há muito, seu sentido original de exceção e especificidade jurídica. 

Com este paroxismo da guerra de liminares, culminância deste descontrole monocrático, temos a corrosão do princípio de colegialidade, causa de insegurança jurídica, com a perda de previsibilidade do sistema legal, desorientando as instituições de Estado. O agravante, se comprovado, gira em torno do que agora se trata de suspeitas do envolvimento de ministros da Corte em tratativas de bastidores com o sistema financeiro, misturando a instância jurídica com interesses políticos e econômicos, conspurcando sua função estritamente constitucional. 

Diante do desgaste público do STF, o Congresso Nacional já acelera pautas para limitar os poderes da Corte, tal como a discussão em torno da restrição das decisões monocráticas e fixação de mandatos dos ministros, o que poderia vir através de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), sinal também do desequilíbrio dos poderes da República, dos mecanismos de freios e contrapesos, que serviriam à harmonização entre os três poderes do sistema político-administrativo. 

Tal situação, é bom lembrar, também abre precedentes para o questionamento em torno do regime democrático por parte de lunáticos e idiotas de ocasião, com conversas enviesadas ou deliberadas de Poder Moderador e quetais. O preço da liberdade é a eterna vigilância e a cadela do fascismo está sempre no cio. O golpismo herdado do tenentismo e do udenismo e que ganhou nova carga com o bolsonarismo espera esta casca de banana da própria crise dos poderes e da República, o que deixa exposta a própria fundamentação do regime democrático, da sua defesa constitucional e cidadã. 

A perda da bússola moral coloca a legalidade às voltas com a desorientação institucional e retira da forma consagrada dos conceitos de República e Democracia as suas fundações firmes em vista de personagens que minam seus ideais originários e históricos, abrindo uma via falaciosa em torno do questionamento das próprias liberdades políticas e civis conquistadas com lutas e movimentos históricos e sacrificiais. Trata-se do tal sofisma oportunista de poder moderador, intervenção e aleivosias desta monta. 

A tensão criada também se dá em torno dos magistrados e do funcionalismo policial, em que o rito processual para investigar e julgar membros da própria Suprema Corte testa os limites dos freios e contrapesos, em que se questiona a isenção e a capacidade de autorregulação do STF. O embate em torno do caso Andrei Rodrigues envolve acusações de arapongagem, uso do inquérito das Fake News, a qual Fachin retirou Moraes de sua relatoria, e a disputa interna entre ministros da Corte. 

A escalada da crise partiu da acusação de Mendonça de que Andrei Rodrigues estaria comandando um "monitoramento sistemático e ilegal", classificado por ele como "arapongagem institucional" contra o próprio ministro e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias. O relatório de inteligência da PF foi descrito como apócrifo, sem cabeçalho e sem valor probatório, o qual analisava a atuação de Mendonça no caso do Banco Master e de Daniel Vorcaro.

Mendonça então justificou a sua medida de afastamento preventivo de Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, por 90 dias, além de Leandro Almada, diretor de inteligência, porque a cúpula da PF estaria instrumentalizando a inteligência para monitorar magistrados, em que se chegou a formar maioria para a chancela da decisão pela Segunda Turma do STF. Andrei então revelou que o relatório foi produzido e enviado a mando de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News. 

A medida de Mendonça teve como consequência uma revolta na cúpula da PF, com mais de uma dezena de diretores colocando seus cargos à disposição em sinal de protesto. Tal afastamento de Andrei Rodrigues que foi revogada por uma liminar do ministro Flávio Dino, reintegrando-o ao cargo, uma vez que sua saída paralisava investigações importantes, tal como a do caso do filme Dark Horse. O presidente Lula e a Advocacia-Geral da União (AGU) saíram em defesa do diretor-geral, pois o afastamento monocrático por um ministro feria a prerrogativa constitucional do Presidente da República de nomear e destituir o chefe da PF. 

Dentre as medidas de Fachin, a mais drástica foi a retirada do Inquérito das Fake News da relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no movimento da presidência do STF para estancar o conflito entre os ministros da Corte e centralizar a gestão da crise institucional. Tal medida foi tomada depois que Moraes usou o inquérito para tentar incluir Mendonça como investigado, que seria o uso do inquérito numa guerra interna de retaliações, o que Fachin considerou inadmissível.

O Inquérito das Fake News foi criado em 2019 de ofício por uma portaria do então presidente do STF Dias Toffoli, que escolheu Moraes como relator sem sorteio. Fachin se utilizou desta mesma simetria administrativa e determinou que, por ser um ato oriundo da Presidência, cabe à própria Presidência avocar ou extinguir a designação, e considerou a troca imperativa para o estabelecimento da adequada delimitação institucional, devolvendo a previsibilidade e moderação aos atos do tribunal. Fachin conseguiu, com esta medida, debelar o contra-ataque de Moraes na crise em torno do caso Vorcaro, tomando as rédeas de todo o processo diante da sessão plenária que decidirá o destino do ministro em suspeição.

A quebra de sigilo das investigações e da rede de pagamentos do Banco Master e do banqueiro Daniel Vorcaro foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre os dias 11 e 14 de setembro deste ano. Com o avanço das investigações ficou detalhado o plano de Vorcaro para se blindar contra fiscalizações estatais, em que relatórios apontam que o Banco Master mantinha uma rede de proteção.

Ou seja, economistas, influenciadores e burocratas eram contratados para emitir pareceres favoráveis ao Banco Master e tentar alterar normativos e regramentos do Banco Central que pudessem prejudicar as operações da instituição bancária. Com os indícios de interferência na autarquia, a PF intimou o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, e o atual chefe, Gabriel Galípolo, para prestarem depoimento como testemunhas.

As investigações revelaram que Vorcaro transferiu cerca de US$ 12 milhões em 2025 para um fundo nos Estados Unidos ligado ao deputado Eduardo Bolsonaro, soma que tinha como objetivo financiar o documentário de viés político Dark Horse. E além do clã Bolsonaro, a quebra de sigilo colocou sob escrutínio pagamentos e menções a políticos de diferentes espectros, incluindo o senador Jaques Wagner (PT), o senador Ciro Nogueira (PP) e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). 

A investigação financeira ainda alcançou o fundo de investimentos Reag e o Will Bank (subsidiária digital do Master), em que o relatório policial indica conexões desses fundos com esquemas de lavagem de dinheiro para a facção criminosa PCC. Com tudo isso, houve duas tentativas de Vorcaro de fechar acordo de delação premiada que foram rejeitadas formalmente pela PF e pela PGR, pois ambas não apresentaram fatos novos relevantes.

Na sessão plenária do STF a discussão começou quando a Corte debatia o desmembramento do processo feito pelo presidente Edson Fachin, que marcou o julgamento de Moraes para hoje e o de Mendonça para o dia 23 de setembro, em que Moraes exigiu que os casos fossem analisados juntos, e o debate escalou quando Moraes questionou sobre quem teria medo da Polícia Federal, na defesa da unificação dos julgamentos.

Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um forte bate-boca no plenário do STF. O desentendimento ocorreu após Mendonça questionar a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, insinuando que ele não deveria ter tomado certas atitudes em um caso que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ao sair em defesa de Gonet, Gilmar Mendes chamou a conduta de Mendonça de "desfaçatez" e "leviandade", acusando-o de agir com "sentimento policialesco”.

O clima escalou quando Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de coagir delegados e advogados para tentar implicá-lo em investigações sobre mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, ao passo que este rebateu as acusações chamando-as de mentira. Moraes afirmou que a postura de Mendonça era um revanchismo pelos julgamentos dos atos de 8 de janeiro e de alinhamento político.

Os ministros Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam suspeitos e impedidos e não participarão da votação, sendo que o primeiro justificou sua saída por presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e entender que o caso tem reflexos no processo eleitoral. Gilmar Mendes acusou André Mendonça de ter uma "evidente condução político-eleitoral", ao passo que Mendonça rebateu as acusações chamando o decano de "leviano" e pedindo para que ele não apontasse o dedo em sua direção. 

Gilmar criticou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, comparando a medida a "tirar o presidente da NASA ou o comandante do Exército", e classificando o ato como de extrema gravidade. O ministro ainda apontou que alguns gabinetes utilizam "assessores delegados", e defende o veto desta prática. Questionado pelo ministro Luiz Fux sobre quem fazia isto, Gilmar apontou que André Mendonça seria um dos magistrados com esse tipo de assessor, e também ironizou o fluxo de informações sigilosas à imprensa, questionando abertamente em plenário: "Quem é o vazador-geral da República?". 

A sessão plenária consistiu em definir se a apuração contra o ministro Alexandre de Moraes e as contestações sobre a conduta do ministro André Mendonça deveriam correr juntas ou de forma independente. A segunda parte da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) terminou com um placar parcial de 4 a 3 para manter separados os casos. Ao fim, o ministro Flávio Dino pediu vista, suspendendo a definição final da controvérsia antes do desempate ou encerramento da votação, diante do clima hostil e das acusações mútuas no plenário, em que criticou a condução dos trabalhos.


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário : https://www.seculodiario.com.br/colunas/crise-republicana/ 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

ESTETOSCÓPIO

Os segredos dos mistérios dos recônditos, 

estes poemas estéticos,

estas tragédias caóticas, comédias 

hilárias, nos súbitos espasmos

dos ermos em que os ecos 

rebatem seus haustos das brumas,

com os lírios estultos das lascívias 

que riem de suor e gozo.


Pois todo o mar prorrompe na 

enseada, e o rio na cachoeira.

Brota dos vinhos e da areia o 

meu torpor, e meu fumo todo

me faz sonhar e pisar na grama, 

com os olhos voltados à contemplar,

na seara, deste vil cantar de poesia, 

pois o meu jardim plenitude esboroa.


Gratidão das mais astutas armadas, 

dos abismos que sois,

breve este verter de verve no verão, 

como sendo esta senda dos sóis.


Lá, ou me mato, ou estou vivo na vereda 

dos campos que vão ao vasto,

pelo rito reto da estrada, ao nada 

dos sonhados livros de linha torta reta 

riscada de giz, no centro do mundo,

 

seu terremoto, meu maremoto,

meu vulcão, meu deserto, tua jornada, 

meu castelo, o amor vida e a lua

que cantava estrela na noite das bacantes 

das vestais e que noite de fogo!


08/09/2026 Estrela Estrela 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

GUERRA DO STF

 “tentativa de blindagem de Vorcaro”


A defesa de Daniel Vorcaro acenou novamente, nas últimas semanas, para a reabertura de negociações de colaboração premiada, depois de duas propostas rejeitadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por falta de fatos inéditos. Neste ínterim, o ex-dono do Banco Master completou dois meses em regime isolado na Papudinha, em uma cela com área externa e rotina restrita.

Para viabilizar uma nova rodada de conversas com o ministro André Mendonça (STF) e investigadores, os advogados de Vorcaro pediram adiamento dos depoimentos, ao passo que este busca informações sobre supostos servidores infiltrados no Banco Central para que seu acordo ganhe impulso. Portanto, o depoimento prestado em 28 de agosto último focou no inquérito que investiga a suposta cooptação e pagamento de vantagens indevidas aos ex-gerentes do BC, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, em favor dos interesses do Banco Master. 

Em depoimento que durou cerca de quatro horas e meia por vídeoconferência diretamente da Papudinha, Vorcaro negou categoricamente qualquer ato de corrupção ou irregularidade envolvendo servidores do Banco Central (BC), e seu relacionamento com a respectiva equipe técnica se manteve dentro de uma normalidade estrita. A defesa do ex-banqueiro emitiu uma nota afirmando que ele respondeu claramente a todas as perguntas, sem deixar questões em aberto, sustentando que as vantagens ou pagamentos alegadas pela PF não foram atos de corrupção. 

Após a oitiva, em nota divulgada, os advogados de Vorcaro registraram que ele disse que está à disposição de prestar esclarecimentos mais amplos e aprofundados, desde que lhe seja assegurada a possibilidade efetiva para a colaboração, o que se traduz como um aceno público claro na tentativa de abrir conversas para uma terceira proposta de delação premiada. 

Para esta nova tentativa, além de fatos inéditos, Vorcaro terá de aumentar o valor financeiro proposto para ressarcir os cofres públicos. Esse depoimento feito foi uma etapa formal essencial, antecedendo a finalização de relatório desta fase da Operação Compliance Zero pela PF e encaminhamento da lista final de indiciados à PGR (Procuradoria-Geral da República).

O caso envolvendo Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", líder operacional da milícia privada de Vorcaro, ainda suscita controvérsia, mesmo que o encerramento oficial do inquérito confirme o seu suicídio, investigações paralelas da PF afirmam que integrantes da organização criminosa continuaram tentando comprar o silêncio de seus familiares, para que dispositivos eletrônicos e arquivos pessoais deixados por ele não fossem entregues às autoridades. 

Sicário teve seu óbito em março sob custódia da PF e investigações apontam que o grupo armado e de inteligência ilegal continuou operando mesmo após as primeiras prisões do ex-banqueiro Vorcaro. Seu pai, Henrique Vorcaro, também foi preso, de forma preventiva, pois atuava como operador financeiro do fluxo de caixa que sustentava “A Turma” e os pagamentos devidos a Sicário. A PF continua a perícia sobre os telefones apreendidos com os integrantes da organização, enquanto tenta mapear novos nomes relacionados ao esquema de coação e monitoramento clandestino.

Quanto à suspeita de queima de arquivo, esta se relaciona ao fato de que Sicário tinha acesso aos segredos mais sensíveis ligados ao monitoramento ilegal de autoridades e às fraudes bilionárias. Tanto que parlamentares da oposição e o senador Carlos Viana (Podemos-MG) cobraram explicações da PF e do Ministério da Justiça, pois se houve queima de arquivo, esta estaria relacionada com a tentativa de proteção dos escalões superiores do esquema. A isso se soma a desconfiança de advogados e familiares, alegando que Sicário estava lúcido e com saúde horas antes do ocorrido.

O ministro do STF André Mendonça exigiu uma apuração rigorosa do caso, e a PF então apresentou provas técnicas robustas à Corte Suprema, em que as câmeras de monitoramento interno da carceragem registraram todo o perímetro sem pontos cegos, o que comprovaria o suicídio de Sicário. E exames periciais ainda deram negativo para uso de psicotrópicos, no caso, se teve alguma tentativa de dopá-lo. A perícia do celular também afastou qualquer possibilidade de coação ou ameaças horas antes de se matar, pois só houve comunicações com familiares e advogados.

Novas ramificações vieram dos dados extraídos dos dispositivos eletrônicos de Sicário, em que a PF abriu novas linhas de investigação criminal em que se apura a infiltração e suborno no Banco Central, com mensagens trocadas com Sicário sobre pagamento de propinas a ex-gerentes da autoridade monetária para obtenção de informações sigilosas sobre a liquidação e fusão do Banco Master. 

O pai de Daniel Vorcaro, Henrique, foi preso por ter continuado a movimentação do caixa clandestino que custeava as operações de inteligência ilegal e que quitava as pendências financeiras deixadas por Sicário, em que sua morte ainda envolve divergências entre os relatórios oficiais da PF e os apelos públicos da família e os registros burocráticos do caso, com questões como a da certidão de óbito inicial ter sido emitida sem a confirmação da causa da morte, o que a defesa julgou incomum para um caso sob custódia do Estado. 

Um erro crasso envolve o registro do cemitério em que Sicário foi enterrado, pois o sepultamento teria ocorrido um mês antes da própria morte real dele, gerando teorias da conspiração de que Sicário estaria vivo fora do Brasil. A sepultura em que seu corpo foi enterrado não tinha placa ou identificação com seu nome nos primeiros meses. 

Outra controvérsia é sobre o suicídio não ter sido evitado, uma vez que Sicário era monitorado o tempo todo, com uma intevenção dods agentes de plantão. E finalmente os familiares e advogados não tiveram acesso às imagens do circuito interno da cela, pois o STF e a PF não as liberaram para os mesmos. A desconfiança gira em torno de tal morte ser bem conveniente para blindar o topo da pirâmide do escândalo do Banco Master, os principais alvos da Operação Compliance Zero. 

Sicário gerenciava a espionagem ilegal e a quebra de sigilos de opositores do banqueiro Daniel Vorcaro, sabendo quais autoridades, policiais e políticos recebiam propina ou eram chantageados pelo grupo “A Turma”. Enquanto a narrativa oficial se funda na ciência forense e no monitoramento eletrônico, descartando teorias da conspiração.

A fundamentação oficial se baseia numa filmagem sem pontos cegos, em que a carceragem da Superintendência da PF em Belo Horizonte possuía câmeras cobrindo 100% do espaço da cela, em que o vídeo registra Sicário agindo sozinho, sem a entrada de outra pessoa na cela na hora do suicídio. O Ministério da Justiça considera o resultado definitivo, embora o sigilo imposto a trechos do inquérito e a retenção das imagens das câmeras mantenha o ceticismo em torno do caso por parte de alguns.

Quanto ao caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), este abriu e editou o contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. 

Agora circulam informações reveladas em reportagens publicadas no dia 1º de setembro de 2026 pelos jornais Estadão e O Globo com dados técnicos que foram extraídos pela PF do celular de Daniel Vorcaro, em que registros de metadados do arquivo, no sistema Microsoft Office 365, indicam que a modificação ocorreu especificamente às 23h04 do dia 15 de janeiro de 2024, e que o usuário registrado como o último a salvar/editar o documento é explicitamente identificado como "Ministro Alexandre de Moraes". 

Na minuta original previa-se parcelas mensais que somavam R$ 108 milhões, mas cláusulas de encargos e impostos elevaram o valor final para R$ 131,2 milhões, documento que foi enviado por Viviane a Vorcaro via WhatsApp dois dias após a alteração de Moraes, em 17 de janeiro de 2024, e assinado na sequência, e as informações enviadas à CPI do Crime Organizado apontam que o banco chegou a efetuar 22 pagamentos ao escritório, num total de mais de R$ 80 milhões entre 2024 e 2025, até as transferências serem interrompidas pela prisão de Vorcaro.

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados confirmou que o ministro Alexandre de Moraes acessou e modificou o arquivo, no intuito de ver se havia algum tipo de impedimento legal ou conflito de interesses, em que o escritório enfatizou que, como o ministro, Moraes nunca julgou causas do Banco Master e que o contrato não previa nenhuma atuação perante o STF, e então a assinatura foi autorizada e os serviços jurídicos foram regularmente prestados por uma equipe de 15 advogados em caráter consultivo e administrativo. 

O ministro do STF André Mendonça enviou um ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) cobrando explicações sobre mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que citam pedidos de "proteção", em que o despacho foi encaminhado na segunda-feira, 31 de agosto de 2026, dando o prazo de cinco dias para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifeste. Mendonça faz a relatoria das investigações do "Caso Master" no STF em substituição a Dias Toffoli que, sob pressão da opinião pública, também tendo seu nome envolvido no caso Vorcaro, saiu da relatoria.  

A mensagem de Vorcaro mostra ele se dirigindo a um interlocutor, então não identificado,  questionando se não seria possível reverter as medidas ou conseguir a "proteção" de "Andrei" e "Paulo". A PF identificou que os nomes referem-se diretamente a Andrei Rodrigues (diretor-geral da Polícia Federal) e Paulo Gonet (chefe da PGR). Inicialmente, a PF não sabia quem estava recebendo as mensagens de Vorcaro, até que as perícias e cruzamentos técnicos posteriores feitos pela corporação concluíram que o destinatário oculto era o ministro Moraes. 

Com o envio do documento à PGR, André Mendonça busca obter esclarecimentos adicionais e verificar o contexto completo dessa comunicação, determinando se existe interferência ou tentativa de blindagem de Vorcaro por parte do STF em direção à cúpula da PF e da PGR, e a possibilidade de incluir Moraes no inquérito passou a ser considerada, uma vez que as mensagens trocadas indicam que o banqueiro pediu reiteradamente ao ministro para que interviesse junto ao diretor-geral da PF, delegado Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para travar as investigações sobre negócios fraudulentos do Banco Master. 

Gonet foi quem afirmou que não tinha problema em Dias Toffoli ser relator do caso Vorcaro e que o contrato da mulher de Alexandre de Moraes era normal, em que o Procurador Geral da República discutia o caso do Vorcaro com seus advogados tal como um membro de sua defesa. Contudo, a existência das mensagens não comprova que Moraes, Gonet ou Andrei tenham atuado para proteger Vorcaro ou interferido nas investigações. André Mendonça avalia retirar o sigilo do relatório produzido pela PF. E a inclusão de Moraes entre os investigados dependerá da análise do material e da manifestação da PGR.


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário : https://www.seculodiario.com.br/colunas/guerra-no-stf/

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DARK HORSE, LULINHA E MORAES

 “chumbo trocado denota um cenário eleitoral decadente”


As eleições não trazem novidades. A polarização é a mesma. O nivelamento é por baixo, com muitos escolhendo quem não quer e, pior, em ambos os casos temos notícias sobre corrupção e quetais. No caso de Flávio Bolsonaro, o Dark Horse envolve investigação do STF sobre o uso de recursos do Banco Master, com mediação do senador, para o financiamento de um filme político sobre seu pai e para custear a permanência de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o Bananinha, na sua fuga aos Estados Unidos. 

A partir da divulgação de áudios em que Flávio cobra ao menos R$ 61 milhões de Vorcaro, o ex-dono do Banco Master, que está preso e é o centro do escândalo atual de corrupção na Nova República, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu investigação do caso, com o senador e atual candidato a presidente negando irregularidades, afirmando que os recursos foram integralmente aplicados na produção e reforça a todo tempo que considera o episódio como “página virada”, embora até agora não tenha havido a apresentação transparente de contratos detalhados de contas públicas.

Além da autorização de abertura de inquérito na Polícia Federal feita pelo ministro do STF André Mendonça, no intuito de rastrear a rota dos milhões repassados por Daniel Vorcaro para a produção do filme, temos uma segunda frente de apuração sob relatoria do ministro Flávio Dino no STF, em que ocorre a investigação se verbas públicas de emendas parlamentares foram desviadas no financiamento do filme, o que inclui R$ 2 milhões vindos do deputado Mário Frias, com repasses ao Instituto Conhecer Brasil, cuja presidente Karina Ferreira da Gama também é a comandante da produtora do filme, a Go Up Entertainment.

O avanço do caso Dark Horse provocou abalos iniciais na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), com levantamentos de institutos como o Datafolha indicando uma abertura de vantagem do presidente Lula (PT) em cenários de primeiro turno. Contudo, mesmo que Flávio Bolsonaro tenha perdido apoio, este não migrou para a esquerda, mas inflou o quadro de eleitores indecisos. 

Em meio aos escândalos, o chumbo trocado denota um cenário eleitoral decadente, terra arrasada, em que o comitê de campanha de Lula usa o caso Dark Horse como instrumento eleitoral contra Flávio, ao passo que este se utiliza das denúncias contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que é investigado sob a relatoria do mesmo ministro do STF André Mendonça, como estratégia de contra-ataque. Enquanto outros candidatos aproveitam para atacar dos dois lados, mas sem resultado eleitoral nas pesquisas de institutos até o momento. 

Frente ao contra-ataque da oposição, na exploração dos três inquéritos da Polícia Federal envolvendo Lulinha, com suspeitas de tráfico de influência na Dataprev, Ministério de Saúde e negócios de cannabis medicinal, o PT tenta conter este desgaste e ameaça à imagem ética do governo Lula com a retomada agressiva do caso Dark Horse na mídia e nas redes sociais. Flávio, então, como defesa, argumenta que já declarou em agendas públicas, como na Fiesp, que a prestação de contas do filme vazou da Polícia Civil de São Paulo, como prova que os gastos privados foram regulares, e que, portanto, o caso está encerrado.

Mesmo depois de uma tentativa de criação de uma CPMI pela oposição contra Lulinha no Congresso, a estratégia do PT de recolocar na pauta o caso Dark Horse surtiu efeito relativo, pois levantamento do Datafolha apontou uma oscilação de apenas um ponto para baixo de Lula, com 39% das intenções de voto contra 33% de Flávio Bolsonaro, ao passo que a oscilação negativa de Lula no Quaest é apontado por integrantes do PT e analistas políticos como resultado do “fator Lulinha”, interrompendo uma trajetória de recuperação do presidente que aparecia em diversos segmentos. 

O governo federal sofre desgastes com o caso e a isso associa-se o discurso antipetista que reativa os escândalos pretéritos do mensalão e do petrolão. Com isso, o cenário eleitoral, que sempre tem e terá a influência da economia, e que estava dominado pelo tema da segurança pública, com todo o contexto diplomático sobre terrorismo etc, tem pela frente a corrupção, outra crônica permanente e que se renova como tema na pauta jornalística constantemente. 

Portanto, depois da especulação ridícula do Sítio de Atibaia e do pedalinho, parece que o filho de Lula é uma casca de banana real e para valer no futuro político que se pretende que seja, na ala do governo federal, de mais um mandato, provavelmente sendo o último, do líder petista. 

O caso Lulinha está sendo apurado pela Polícia Federal e a investigação tenta identificar se o filho do presidente era uma espécie de “agenciador oculto”, atuando junto a empresária e lobista Roberta Luchsinger e seu amigo Fernando Bittar, já que mensagens que foram encontradas no celular da lobista sugerem a existência de um grupo permanente que age na viabilização de negócios privados milionários dentro da administração pública federal.

Tal atuação deste grupo envolve o Ministério da Saúde na suspeita sobre uma articulação de um esquema que facilitaria a venda de medicamentos à base de cannabis (canabidiol) para o governo, beneficiando o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS”, e que também inclui conversas com Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, que teria recebido pagamentos. E o temor de novos vazamentos coloca a campanha na tensão de ter que atualizar a sua estratégia de defesa, enquanto o próprio Lula disse apenas que as investigações continuem, evitando uma contaminação direta com o caso do filho.

O fator mais perigoso para a campanha é o envolvimento de Marcola, pois ele era um funcionário que despachava de dentro do Palácio do Planalto, tendo um elo direto com o governo federal, mais do que as acusações contra o filho do presidente. A blindagem em torno de Lula tem sido uma atuação pública do PT, com a adoção de um discurso republicano típico que defende o legalismo de “quem errou deve pagar”, no entanto, acusando a promoção de vazamentos seletivos com intenções eleitorais feitos por setores da oposição e da Polícia Federal. 

No Caso Master, outro caso que chama atenção, e que desgasta o Judiciário, é o do Escritório de Viviane Barci de Moraes, em que mensagens interceptadas revelaram um contrato de R$ 129 milhões assinado em janeiro de 2024 entre Vorcaro e o escritório de advocacia da esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, com parcelas mensais previstas de R$ 3,6 milhões por três anos para consultoria de compliance, e que a Polícia Federal classificou como uma tentativa de comprar proximidade política com a cúpula do Judiciário.

Para contratos milionários a tratativa direta e informal via WhatsApp entre Vorcaro e a esposa de Moraes soaram atípicas por órgãos de controle, pois geralmente isso passaria por diretores ou departamentos jurídicos corporativos, o que implicou numa crítica pública da Transparência Internacional à Procuradoria-Geral da República por uma suposta "inação grave" ao não abrir um inquérito específico para uma investigação sobre a relação da família Moraes com o banco.

Foi divulgada a defesa feita por Viviane de Vorcaro e do Banco Master em um processo de calúnia e difamação movido contra o gestor da Esh Capital, em que foram derrotados. Contudo, o escritório da advogada nega que tenha representado o Banco Master ou Daniel Vorcaro em ações no Supremo Tribunal Federal.

 No que se refere a reportagens que diziam sobre voos realizados pelo ministro Alexandre de Moraes e Viviane em jatos vinculados a empresas em que Vorcaro era sócio, o escritório afirmou sobre a utilização regular de táxis aéreos e que os valores foram compensados nos honorários, ao passo que o gabinete do ministro negou proximidade com Vorcaro e disse que as informações eram falsas. 

A interferência do ministro Alexandre de Moraes a favor de Vorcaro e do Banco Master é o centro das investigações e relatórios da Polícia Federal divulgados pela imprensa. Temos investigações jornalísticas que apontam que Alexandre de Moraes teria procurado Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, pelo menos quatro vezes, numa tentativa de pressionar a favor do Banco Master, em meio ao escândalo, antes da liquidação da instituição financeira, quando Vorcaro já teria admitido o pagamento dos R$ 129 milhões ao escritório de Viviane Barci especificamente para comprar uma aproximação indireta com o ministro e o STF. 

Tal admissão enfraqueceu a tese da defesa de que os valores bilionários correspondiam estritamente a serviços padrão de consultoria jurídica e compliance. O ministro Alexandre de Moraes então determinou a abertura de um inquérito sigiloso para apurar o vazamento de dados envolvendo o contrato de sua esposa e pediu o afastamento formal de servidores da Receita Federal e peritos envolvidos no manuseio das informações de suas funções. 

E houve uma contraofensiva determinada por Moraes em que o STF autorizou uma operação de busca e apreensão contra o perito criminal federal João Cláudio Nabas, que foi suspenso de suas funções públicas, acusado de extrair e repassar a jornalistas o material sigiloso obtido no celular de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero.

Moraes fez uso do aparato judicial e policial do Supremo Tribunal Federal (STF) para conter o avanço e o vazamento de dados do escândalo do Banco Master e de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. O ministro justificou medidas drásticas para apurar crimes funcionais e violação de sigilo, usando sua prerrogativa na instauração de investigações de ofício dentro do STF para blindar as informações do caso, com uma apuração sob estrito segredo de Justiça no rastreamento da cadeia de custódia das provas e para a punição de quem repassou os documentos à mídia. 

Numa proposta de delação de Vorcaro que não avançou na Justiça, este mencionou a negociação de um segundo contrato de R$ 50 milhões com empresas ligadas à defesa, enquanto investigações em pastas sob custódia legislativa levantaram suspeitas sobre comunicações efêmeras enviadas às vésperas da prisão do empresário, negado pela defesa de Viviane. 

E a defesa do empresário Marcelo Conde, investigado sobre a compra de dados sigilosos vazados referentes a Viviane Barci, acionou o presidente do STF para exigir o afastamento do ministro Alexandre de Moraes da relatoria do caso, alegando conflito de interesses, uma vez que o ministro não pode relatar uma investigação que envolve diretamente sua própria esposa. 

Por fim, o vínculo de R$ 129 milhões por três anos foi rescindido antecipadamente no final de 2025 devido à prisão de Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero e com a consequente liquidação do Banco Master, quando a Polícia Federal realizou uma operação contra um perito suspeito do vazamento ilegal à imprensa dos documentos sigilosos do contrato e das conversas de WhatsApp extraídas do celular de Vorcaro. 


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário : https://www.seculodiario.com.br/colunas/dark-horse-lulinha-e-moraes/

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

BARBARELLA

Ela aparece em vento, sua vista abisma.

O giro dos olhos na braçada do mar,

os dias que sorrisos os versos vão dar.

Brinca na passada d`areia, verte sal.

Com os ditos do campo, vão-se tarde

e manhã, e a rede de pesca se abre.

Na canção orgia e as bacantes,

toda vinha de veio da pintura,

as asas, o sol da arte, como se

tudo já estivesse lá antes,

na espera do traço de poeta,

na verve da lufada de vida.


26/08/2026 Sublime 

HOMEM DA AREIA

Este vai ao mar céu, com  o sorriso vasto.

Vai, brota na solar canção. Com os olhos

da vida, bebe canta dita o poema.

Este é vivo da virada, dos vinhos derramados.


Breve cântico eis estes versos,

com ares da náutica oceana, península,

da ilha com os lagares, das bacias rios,

golfo que vai de maré, da lua ao sol.


Pois, este homem da areia,

anterior à cidade, ao campo,

barro do jardim edênico,

flutua com o vento na cara,

faz da fortuna asas da paixão. 


26/08/2026 VIBE  

terça-feira, 25 de agosto de 2026

LUCIFERIANA

Apraz o leve canto, pássaro de prata do azul silente.

Querer o mar é o vão do horizonte nos olhos,

as lutas de areia, no piso dos ares, em que todas

as oceânides nadam e Ulisses delira.


Cronos radica o tempo em uma batida de frêmito,

o tempo de areia que cai no tique-taque da ampulheta,

em todo o deserto beduíno em que o berbere vê-ouve

um éden, pois era Lúcifer na mata, com a boca aberta,

e o prazer mordido da morte, a queda dos lírios,

na escrita trôpega, e o beijo macio da ilusão. 


25/08/2026 SUBLIME