PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

BARBARELLA

Ela aparece em vento, sua vista abisma.

O giro dos olhos na braçada do mar,

os dias que sorrisos os versos vão dar.

Brinca na passada d`areia, verte sal.

Com os ditos do campo, vão-se tarde

e manhã, e a rede de pesca se abre.

Na canção orgia e as bacantes,

toda vinha de veio da pintura,

as asas, o sol da arte, como se

tudo já estivesse lá antes,

na espera do traço de poeta,

na verve da lufada de vida.


26/08/2026 Sublime 

HOMEM DA AREIA

Este vai ao mar céu, com  o sorriso vasto.

Vai, brota na solar canção. Com os olhos

da vida, bebe canta dita o poema.

Este é vivo da virada, dos vinhos derramados.


Breve cântico eis estes versos,

com ares da náutica oceana, península,

da ilha com os lagares, das bacias rios,

golfo que vai de maré, da lua ao sol.


Pois, este homem da areia,

anterior à cidade, ao campo,

barro do jardim edênico,

flutua com o vento na cara,

faz da fortuna asas da paixão. 


26/08/2026 VIBE  

terça-feira, 25 de agosto de 2026

LUCIFERIANA

Apraz o leve canto, pássaro de prata do azul silente.

Querer o mar é o vão do horizonte nos olhos,

as lutas de areia, no piso dos ares, em que todas

as oceânides nadam e Ulisses delira.


Cronos radica o tempo em uma batida de frêmito,

o tempo de areia que cai no tique-taque da ampulheta,

em todo o deserto beduíno em que o berbere vê-ouve

um éden, pois era Lúcifer na mata, com a boca aberta,

e o prazer mordido da morte, a queda dos lírios,

na escrita trôpega, e o beijo macio da ilusão. 


25/08/2026 SUBLIME 

ABRASIVO

O estorvo fugitivo, o clã das estultícias,

em que estes poetaços sorvem o veneno

dos magos nigromantes, sob o vulto dos

déspotas, na macabra visão enfeitiçada.


Os doridos campos, nas terras devolutas,

sem os víveres, salgada pela tropa veloz.

Dois mortos apareceram na vista escura,

um horizonte de névoa, o enxofre nas narinas,

todos estes mistérios das fábulas dos cegos abúlicos.


Diante do patíbulo, com a casca da pele purulenta,

os dínamos, os corotes, buliçoso bebedor de orgia.

Cai o thelema dos vinhos e dos agouros, todos os

páramos dos ritos em que el rei matava seus bobos.


Lanhando as carnes, os brios de sumo das vértebras,

ossos colares e a soteriologia em vão, pois o grito,

demudado, uma cantilena niilista gerava a tosca

chama, que bruxuleava na bruma dos ócios.


Vinham estes idiotas parvos com bramidos pascácios,

com tremores hipnagógicos, na dança frenesi

de São Vito, nas raves das abóbadas das veredas,

em que se dizia poema com fogo de cometa. 

A festa era alta, o luar branco, e a noite fria.


25/08/2026 Monster