Um bando de gângsters assomou no vento de minhas meditações, corriam feito loucos na paixão acusatória de suas loucas paixões. Eu li o recital de minha máquina com tédio apaixonado, uma besta pintava os meus quadros enquanto eu lia Buda em sinfonia com o nirvana. Das adagas rumoreja filosofia como espada, desinteria como fome, e luta como morte. Nas águas do Jordão revive a penumbra com ósculo de séculos fugidios, notável sombra media a minha carne com temor e discórdia, eu não sabia chinês e nem no Tibete nunca estive, a calenda grega fundou seu enorme centro de besteiras, histerias de propagandas vendiam estrume de porco com alfazema e luto marginal, não sei bem quando aconteceu o luto marginal, fiz de minha poesia luto marginal, fiz de minha filosofia luto marginal.
Vejo o lúdico jogo das manadas estupefatas de sonho rítmico, minha rima serviria aos campos de mel e açudes seriam descobertos com láudano e mandrágoras, o sofisma de todo narcótico resolveria todas as indagações da filosofia, e dormiríamos no sonho de Brahma como boêmios notívagos morcegos de tratados sobre telepatia e psicodramas, nada de Hegel e suas enormidades, tudo resolvido com uma simples dose de sonho, não haveria síntese, seríamos a síntese, como rito passageiro leriam a minha mão e me falariam de mulheres, e eu perguntaria qual.
Vândalos da História, mataram o arroubo em dia de graças, foi um festeiro que me apresentou a lufada Rimbaud, perto dele tudo é ruína, quem mais louco que ele? Nas verdades simbólicas fundamentou a fuga, a fuga que todos querem, um martírio na África de meus amores, nada serviria tão bem como um belo trago de veneno e nada mais, um sono bem bêbado, na praia.
Vou lhes dizer o que a filosofia me ensina:
tempo estéril, como verte o sonho da razão,
não há mistério, a ética tudo acalentou
em ditames de sabedoria feliz,
Aristóteles infeliz, o ser enquanto ser
Metafísica?
Não, a morte serena, Sócrates.
Apologetas como Platão
são bem melhores que os evangelistas.
Nada sei de tudo amar, e por sofia amo
o que não tenho.
Pois do vento e do abismo,
Cérbero descansa em Hades
atrás de sua picanha.
Tirésias vê o próprio olho cego,
Homero cego,
minha cicatriz de olho cego.
Não viverei mais em tanto olor,
o tambor dos totens vingarão
o poema zunindo em tuas entranhas.
Logo estarei em paz com o vindouro passado
amado que nem onda de cristal.
Levitar é o tempo sólido como voo,
e de se dançar pelo fogo, fogo tornou-se.
Moliére me encara e me pergunta pela comédia que não fiz, ela atrasou por bobagem, precisava ganhar ninharias pelas pessoas que vivem suas almas também como ninharias, a filosofia da ninharia tudo tomou, o jogo está ganho, eles amam a derrota, esta é a vitória dos idiotas!
campo seco em todo seco drama
mas tem um pouco de alcool em meu sangue
fico atônito como lua cheia
nada mais na maré cheia
nada mais azul como azul
pois da plenitude eu vejo
êxtase
carne corpo que cega geme
luto marginal
profundo
moribundo
tantra é verso como ama
da rima se espanta
levita
medita
grita
assassina
vai com alucinação de torpores
falos falsos falsos amores
amar verbo sonho palco verdade
gera o tempo tempo corre a máquina
luto marginal
mito canibal
rege o fúnebre
passa como cometa na dor da vendeta
passo soluço de choro do rebento
vai e vai nasce e morre
plêiade é lugar do mito
Zeus é uma Plêiade,
lá mora Rilke, lá vive Lorca,
Florbela me ensina a amar,
espanca o meu cérebro,
mata tudo que é incerto,
eu tenho prazer no gozo
orgasmo orgia puta marafona sinergia
rito primevo:
sonho alto
paramento de luxo
esqueça os que vivem a ninharia
não há ninharia na poesia
o lamento da ninharia é que
poesia não é ninharia
então eles gritam e te prendem
vendem teu sonho como bosta
e cagam mole de medo
A aventura do rock me toma: descobri Nirvana e o grunge, eu moleque doido ficando com o cabelo longo para ver melhor o vil metal, pura anarquia, god save the queen, rebeldia, benzina! Ao lado um pé de maconha para revisitar eras de aeons remotos, noutras fugas meditei, palco resistente, a flor da semente brotava como livro e amor.
Veja: as almas sorriem para ti, estás morto, teu inferno é mais miserável que a realidade física inteira, morde teu carrasco, morde a tua coronha e morra de maldição milenar!
Para rouxinóis lhes dou o ópio:
cada amor é um tambor,
também ama quem vive de drama,
cada langor é um terror,
no tédio da hora difusa se clama.
Lembrei dos sabores do vento,
vestia esmeralda com mel,
doce é teu amargo tão lento,
veria a estrada como o céu.
Não vi mais azul que tua memória,
geme e grita o livre liberto,
não sei mais a flor de tua história,
desce água benta em frio deserto.
As lâmpadas de minha ideia
são lumes de saudade,
vejo em coração a funda miséria,
como lástima a maior verdade.
Senhores, pois juro que é verdade, os apátridas procuravam seus saberes atrás dos papiros de recônditos inexplicáveis, a dor dor dor se manava semeava avisava vais morrer avisava vais morrer, não eu o outro, podem me bater que não digo o monte mais montanhoso de todos que vi na luz do mar, oceano és teu nome, nem Zeus teria tão brava ousadia, os bardos sonham em tons alvissareiros, toda a tropa de choque lutava com a faca do temor, e viram que não há temor de morte quando se é forte.
25/02/2013 Libertação
(Gustavo Bastos)
Quem sou eu?
Há 3 semanas
Nenhum comentário:
Postar um comentário