PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

EXPLOSÃO

Ar que o brando coração
socorre,
vento que ao peito d`alma
sucumbe
meus ardores.

Embebi em álcool as vestes
de sacerdote desta noite
nupcial,
como no matrimônio de pássaros
ao brio do relento
com o ar que nos embala,

pois, da veste ou túnica,
com o belo selo da encarnação
do meu corpo ao teu,

protagonistas à revelia da lei,
senhores deste caos
de calor tórrido
chamado paixão.

Ar da memória futura:
o coração vê e antevê
como um vidente
no pulso de corte
e risco.

Ah, que loas às estrelas
a carne se tenta,
que de música ao solo artístico
o bailado balouça qual coisa
suprema dos sentidos,

eis a inspiração de sol e lua
com o segredo de um
peito que explode
de amor.

05/10/2015 Gustavo Bastos

SOPRO DE VIDA

Sei o semblante mais querido,
que à luz dos teus olhos
o mistério semeia.

Sempre, ao tocar a face,
eis minha face à tua.
Sempre, ao que diz nunca mais,
prefiro dizer sempre
estarei.

Sei da estrela d`alma
de vento, vida e verso.

Sempre a boca à luz do dia,
ao largo da noite o beijo
ao luar,

pois sequiosa chama reluz
em teu corpo de baile,
como um sopro de vida
no meu coração.

05/10/2015 Gustavo Bastos


SENTIDOS DO VENTO

Eu creio no vento
que me bate no rosto,
refresca a cabeça,
aponta o caminho.

O vento, contravento,
o vento do eterno
e do instante,
o vento que venta
de todos os lados
do mundo,
o vento que venta
os ossos e almas
e poemas
de que o sopro
é tão intenso,
o vento lento
ou rápido
que vira de ponta
a cabeça
todas as voltas
das certezas,
o vento que arrasa
com furacão e vendaval
a babel dos delírios
dos homens e mulheres
da terra.

27/09/2015 Gustavo Bastos

PLECTRO RUBRO

Temos a vida, com um tanto
de romance,
às vestes com os corpos
dançando.

As estórias e os contos
fantasmais
correm na noite
de assombro,
o cais dormita
sob estrela
na fada da lua.

A vida, com o fragor das ondas
verdes, espera o mar
com a esmeralda
de meus sonhos.

Os corpos dançantes supliciam
os olhos d`água
na corredeira
dos rios,
deltas lunares
de sóis,
o poema que vivifica
a carne e o espírito
como efeito cósmico.

Temos a vida, eis o estro
com as cartas de amor
nas lutas de gládio
com o sabor das bocas
furiosas,
a língua do estro
com o plectro
fundido
à nau
do oceano
vermelho.

27/09/2015 Gustavo Bastos

SOBRE A POESIA

A poesia, bandeira preta ou branca
ou multicor,
fere, absorve,
degola e ressuscita.

Seu grito, poesia,
tem um quê de todas as coisas
absurdas,
pois creio
por que
é absurdo.

A poesia rumoreja estrela
sombra e loucura,
a razão tonteia,
eis poesia!

A poesia, rumor e grito,
festeja
com o sol
caindo da boca,
com o arco-íris
na mão
da noite negra
e auroras
fundas de arrebol.

A poesia é o caminho
do louco.

27/09/2015 Gustavo Bastos

BATIDA DE RUM

Transmudado o estro,
em frio o cais desperta
na noite.

O sal do deserto me monta
o poema com o sol
do céu azul
em calor.

Transmudado o poema sorri,
eu leio a carta astuciosa
dos enigmas,
uma charada de escritos
aos pés do mármore
de uma estátua
pálida.

Mister, é mister sermos bons.
Acredite, o mistério
destas poucas cousas
ecoa com o coração
com que as liquidamos
ou revivemos.

Pois, do ócio à labuta,
o poema estoura
como batida de rum.

27/09/2015 Gustavo Bastos

AS MANHÃS DO CAIS

As manhãs se ofertam
com as mãos do poema.

O poema, a estrela maior,
com as vidas escandidas
do verso,
ao verso d`mar que ao estro
o frio desperta,
e que de calor toda a percepção
do mundo o cais sopra.

As asas da vida quão vivas!
Quão vivas as garras do mundo,
e os vivas dos ébrios
ao sol do desmaio.

O poema volteia do mar
ao vinho, e os planetas
de fogo mordem
a noite do universo,
e as veias cósmicas
entendem
o todo
do caos
que mora
em mim.

16/09/2015 Gustavo Bastos