PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

domingo, 17 de maio de 2015

GALÁXIA

Ai que alegria o dia!
Cada fada dos olores!

E sinto cada estrela
no pulsar da noite,
na galáxia minha,
Via Láctea!

O poema, tal rouxinol,
fervilha cada semente
com luto e estupor.

Eu, dando o corpo,
refaço o passo
nos limites
da visão,
com um vaso de flor
regado
sob pranto
e lamento.

15/05/2015 Ácido
(Gustavo Bastos)

VINHO SOBRENATURAL

Donde o infortúnio recai
na alma condoída,
sempre guia o dia o espanto,
aos ritos mais diurnos
a vaga da saturnal
que faz escansão
da noite mais forte
dos dramas.

Flui o tempo, com o dito cardinal
da ordem estupefata,
como diz o poema
em doses e saberes
que avultam
nas linhas da mão,
vinho e concórdia
que desenham
as ondas
e também os mares,

e a perfeita flor
sucumbe
no rio,
na rocha magmática,
na litania
sobrenatural
dos risos.

15/05/2015 Ácido
(Gustavo Bastos)

CARTAS BROTADAS

Posso fazer das cartas
vultos com os futuros.
Posso abdicar do trono
das ruas,
das bestas-fera
que urram
com o vício.

Cartas anárquicas da maldita
dor, vozes flutuantes
que urram súplicas
em forma de sinfonia.

Posso calar toda a estrela
que avulta guia
dos perdidos.

A poesia, vício do futuro,
socorrerá os idiotas
mais instáveis
que o estúpido cupido
possa lancinar.

E teremos, em todas as formas
da ciência,
cartas verdes, alvarás,
licenciamentos,
como o grande negócio
de que a fortuna
sucumbe.

Sapiente, em versos módicos,
faz-se mansões.

15/05/2015 Ácido
(Gustavo Bastos)

PLECTRO DOS LOUCOS

Plectro das redomas:
o domo metralhou
a minha flor.

À testemunha o giro das armas,
cortes de recintos
estilhaçados,
como o fragmento
pensata
balbucio
do poema.

Plangente o luar se escora
no ombro do vulto,
o vulcão dos sentidos
na noite da vitória,
os canhões impossíveis
da saraivada
do sol,

corto o punho na alma,
o pulo do corpo
faz responsório
com a vela funerária
da revolta,

A redoma em plectro
traz lira aos lírios
dos loucos,
e meu flutuar é mais justo
quando durmo.

Jaz o erro nas quedas,
compraz a fortuna
de todas essas eras.

E o claustro no qual me jogo,
é o mistério
que desnuda
meu fantasma
no ódio da orgia.

Sempiterno, o poeta
se refaz de todo o espanto
que ecoa das penas
mais duras
da existência.

15/05/2015 Ácido
(Gustavo Bastos)

AS BACANTES SUPLICANTES

As asas cortantes, os vinhos
puros das noites balouçantes.

Gira a gira sob escombros.
Eu-poeta na noite
de Atlântida,
nos iniciados
de capricórnio,
a rir mordente
como ás do crime.

As asas silentes,
os silêncios nubentes.
Gira a girândola,
como o mundo de fogaréu
que tem seu réu
ao suplício,

ferve a lira com o gás do espanto,
na gira suplicante
das bacantes.

15/05/2015 Ácido
(Gustavo Bastos)

GRITO HISTÓRICO

Vêm os dias me dizer
as lápides do sistema.
Nem ando tão susto,
tão horrível,
como o sol da cidade.

Vêm as escuras trevas,
vento e prazer,
supedâneo da raiz.

O poema ventila o tempo,
eu estanco na rua
com os copos alcóois,
estúpido o meu
coração,
tão susto e tão horrível
num filme B de gritos.

Assim vai a nau fúria dos cais
seminus das praias
peladas,
corpos dançando
na História,
poemas seduzindo
a escória.

15/05/2015 Ácido
(Gustavo Bastos)

LUZES ESPANCADAS

Entendo, com a luz do fogo,
caldo vil das vinhas.

Entendo, aos poucos,
o vil e o mal.

A leste, meu oeste de mistério.
Com o corpo, na luz do quarto,
a estalar os ossos.

Fui ao mar, e entendo
as sereias.

Fui à lua, e entendo
os luares.

Meus cantos se sucedem
à barafunda,
corrente que espanca
o coração,
a cabeça.

Entendo de nuvens e de poemas,
como um pombo solto
do asfalto.

15/05/2015 Ácido
(Gustavo Bastos)