PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Primeiros passos do governo Dilma

Política Nacional

Não há ajuste fiscal se não houver uma redução no custeio da máquina pública que, na tradição petista de governo, está inchada. E, na verdade, o corte de R$50 bilhões do orçamento federal de 2011 não contempla emendas e nem o custeio de despesas correntes. E, de outro lado, há um repasse do Tesouro p o BNDES p fomentar os investimentos, nada contra, é necessário, desde que haja planejamento na aplicação dos recursos. Creio que o governo Dilma, por sua vez, terá uma gestão mais racional do que o governo Lula, o período de medidas anticíclicas debelou a crise, mas agora o governo é obrigado a cortar no orçamento dos ministérios, já que não tem coragem de cortar nas despesas correntes da máquina pública. Lembrando que o PAC e as políticas de compensação social como Bolsa Família não serão atingidos nos cortes, a infraestrutura precisa de investimentos, já que a economia brasileira está em expansão, mesmo com medidas de contenção do crédito e da alta na taxa selic p controlar a inflação que, agora, pode arrefecer com uma possível desaceleração econômica e a estabilização dos preços das commodities.

Enquanto isso o Senado Federal discute e vota o novo salário mínimo de R$545,00, sendo que há inconstitucionalidade na regra de decreto. O decreto do Executivo p determinar o salário mínimo até 2015, de acordo com o cálculo da inflação do ano anterior mais o PIB de 2 anos antes do ano corrente p o reajuste é bom no sentido estratégico e de planejamento, mas é discricionário e torna uma questão legiferante em decreto, o que tira a função definida pela Constituição Federal de votar o salário mínimo em plenário antes de sua sanção pelo Executivo. Minha posição é a favor do saneamento das contas públicas, mas sou contra o decreto presidencial que desautoriza o Congresso de sua função.

Gustavo Bastos 23/02/2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

GERMINAÇÃO

I

No canto em que o poeta surge,

tem em si a memória,

em sua cadeira ele se senta,

traz os seus pensadores,

traz na memória os seus lagares,

e na noite vindoura,

seus lugares.



II

Perto da solidão o poeta se esmera,

qual rouxinol de dia calmo,

os seus farelos ele come,

e em dias primaveris,

ele se esconde.



III

Eis que o céu se determina como vento,

e vira-se o céu em vida e canção,

que no tempo preciso,

será sedução,

e numa casa qualquer,

o tímido alvorecer de um poeta.



IV

Bendito o solo em que pisas,

és o dia e a noite em sermão,

o solo que sustenta teus olhos,

e o vinho é o teu mais supremo primor.



V

Na atmosfera, por dentro o poeta

respira.



Divaga por veredas em seus pergaminhos.

Pinta em seu delírio uma panacéia

para as dores do mundo,

pois o poema indolor

é o renascimento de tudo,

vendo então nos escaninhos da existência

que a vida é feita de fogo,

vendo aí a sua vindima.



VI

Dos laços em que a poesia se prende,

um é o mais forte,

a sua vida que sofre inesperada,

uma mutação de cores

em silêncio,

e o pranto da lacrimosa juventude.



O laço mais forte do poeta

é a flor num dia se tornar

vida meditada,

onde seu poema é a semente

germinada.



26/04/2009 Gustavo Bastos

DE QUE É FEITO O POETA

Ali, o meu nome morreu.

Estou prestes a chorar com

a metafísica de Deus.



Ao crepúsculo das minhas lidas,

sou poeta e o trilho em que vai

o meu ser labirinto.



Aqui, o meu nome viveu.

Sendo qualquer semblante beatífico

o lancinar das cores do meu ser labirinto.



Me perderia nos cimos da canção,

um ser absoluto de si mesmo autoconsciente,

e parteiro das ideias da razão.



Sou como os outros,

trigais em descampados,

ouro em colares,

fenecimento e eterno pasto,

langor de toda a poesia

em seu fastígio de pensamentos,

poeta dando ao outro

o seu mel misterioso.



26/04/2009 Gustavo Bastos

O NADA E SUAS ILUSÕES

Diante de uma vassoura

que varre os meus escritos,

eis a essência do nada.



Tudo o que houve foi uma fruição,

escadas para o nada,

todo o espaço contido

numa escrita transversal.



E o verso é o que se transporta

num portal alquímico

em que a palavra se abre

ao mistério de ser persona,

a pessoa que mora no poema

é o existente de um nada,

de um nada que condoído

se espraia pelo monte

e pelo mar,

de um poeta que é desconhecido

de suas próprias ilusões.



26/04/2009 Gustavo Bastos

FILOSOFIAS LACÔNICAS

I

Ontem era o dia anunciado do meu amor,

hoje é o toque da carícia o meu olor.



Não sobrou nada que me faça puro outra vez.

O tempo quando cai, é o mesmo tempo

que sobe ao cimo do universo.

E por detrás do vento não há nada.



II

Quem se veste, teme o nu do seu nascimento.

Nas noites passadas, eu estive em meu quarto,

único lugar vasto dos sonhos d`alma.

E qual penetrante luz,

o vastíssimo do universo

rangia em meu leito,

e eu estava nu

com as dores do meu peito.



III

De onde vens, e por onde vais?

De onde o tempo será o enigma,

e de onde os arcanos da Lua

serão meus?



IV

A sombra é a ausência.

O corpo dela está ao lado.

Ao lado do pecado está o corpo,

e a sombra é o seu pecado.



V

Quantos silêncios são sonoros?

Quais são as manchas do destino

em vento e ventania?



O vendaval, portanto, é o abismo

das edificações.

O silêncio depois da morte

é o sentido tumular do fim.

Pois toda vida finda ainda

no que é desmedida.

Toda vida, pois, do que se pensou

que fosse a vida,

o silêncio que vem com a morte

como o vento que passa.



VI

O libelo da inteligência

é a sua tumultuada ignorância.



Tudo que sei é que nada sei.

Sei que nada é preciso

para saber-se um vácuo

de não-saberes.

A inteligência pode ser uma virtude

ou uma arrogância,

depende de quem a tem.



VII

Adagas são como aves cortantes.

No meu coração elas são

o caminho para as feridas.

Na alma do trovador

podem elas transformar-se

em maviosas canções.

E apontadas ao condenado

uma exéquia dos mortais.



VIII

A razão é a grande deusa da filosofia.

O poeta não a quer nem em sonho,

pois a razão não ama o paradoxo.



IX

Eternidade é a chave da inspiração.

Toda a mística da palavra

se abre com a chave da inspiração.

Mas quando as palavras fogem,

dizem que as musas estão dormindo,

e o pobre poeta aniquilado.



X

É a última vez que faço um verso lacônico.

A poesia não tem tamanho determinado,

suas dimensões são as que a alma dá.



É a última vez que eu sonho vaguear

pelos pântanos da cegueira,

e depois a alma volta a enxergar

com o peito onde mora o coração.

25/04/2009 Gustavo Bastos

O MILAGRE DA LIBERDADE

Mergulho no inóspito da noite:

Em cada verso está ausência,

florido campo do ignoto,

incógnita filosofal.



Mergulho trêmulo e sem fôlego.

Na capa do livro um pequeno selo

com uma águia saindo em meio das serpentes.

No alto do céu clama o profeta:

Minhas lamúrias e o sol são galos

da alvorada.



Andando pela vereda tropical dos dias,

vejo o unicórnio da imagem da pureza.

Tanto em lívida anca, como em diamante rútilo.



Wisdom, that makes me feel better.

The only thing I know is to be free.

Passo nas cercanias e o vate observa:

As águas se abrem para o caminho seco e hebreu,

milagre em que Faraó se afogou.



Em todo verso ausência,

em todo verso milagre,

fiz da arte o grito de liberdade,

wisdom is to be free!



25/04/2009 Gustavo Bastos

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Doces Quimeras

(soneto decassílabo heroico)

Creio no que vai liberto ao meu estro vil,
tal um cinzel de ritmo destruidor,
eu sou um pavio no céu repleto em dor
como o cavalo iníquo do covil.

Minah crença nos déspotas trevosos,
se faz de gênio e tórridas misérias,
na noite caindo fértil, como feras
imundas e devassas nos destroços.

Não sobra nada perto da saudade,
senão corpos envoltos em lençóis,
tais os vales vorazes da fealdade.

Os corpos imortais dançam nas relvas
desejadas nas vidas dos heróis,
enquanto as damas vivem de quimeras.

19/02/2011 Sonetos da Eternidade
(Gustavo Bastos)