PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

sábado, 16 de novembro de 2013

CAMINHO DO BEM VIVER

Trago a felicidade em minhas mãos.
A felicidade não é o mistério do universo,
é muito mais simples,
muito mais fácil.

A felicidade não é um sonho metafísico,
é um senso prático de oportunidade,
o pragmatismo da sensação
de bem-estar
sem nenhuma razão aparente,
é ter na razão e na emoção
o equilíbrio do sentir-pensar
do coração e do pensamento
como a senda unívoca
da alma completa,
ser feliz nem sempre
é ter grandes ambições,
é tê-las, as grandes ambições,
como frutos da alma, da bondade
e da sensatez,
e não como a queda do megalômano
que sonhou em ter o mundo
e foi expelido pela cloaca
deste mesmo mundo,
ser feliz, alcançar a felicidade,
é ter a plenitude
de ser tudo o que
completa a jornada
de existir.

16/11/2013 Êxtase
(Gustavo Bastos)

O PENSADOR

Tenso, gravo o nome do pensador
na lápide das horas mortas.
Tinha pensado na figura e no busto
do pensador,
nos pensamentos que ele pensou,
nas teorias, conceitos, cálculos,
conclusões, dúvidas, caminhos.

Eis a obra principal,
eis os comentários,
eis uma antologia.

O seminário sobre
os pensadores obsoletos
e a moderna florescência
foram gravados
por um discípulo fiel,
cada verbo registrado
em sua voz viva.

O pensador morreu,
e de ter pensado
em várias coisas,
um único pensamento se deu:
a vida pensa e age,
o poema é só
 a certeza de nada.

16/11/2013 Êxtase
(Gustavo Bastos)

RAZÕES DO SENTIR

Claro o corpo que se funde ao espaço.
De teus braços e pés
o abraço em uníssono,
os corpos vorazes
no vozerio da paixão,
os dias lilases
de corpos nus
em santeria
de ervas
sob a noite
de areia
e clarividência,
a flor da ciência,
a fortuna da sabedoria,
todas as filosofias
num ósculo
de convergência
ao sentido unívoco
do mundo
que é tangido
de corações
aos pulos
pelo inesperado
do destino.

Este é o tempo limpo,
a clareza da ideia
amante que rutila
em toda razão de vida.

16/11/2013 Êxtase
(Gustavo Bastos)

MARÉ DE SOL

Cheiro de maresia ao dia da maré.
Quem tem fé é sacra lida,
sacrifício de medida,
tempo de poema e sol.

Com os vinhos tintos da litania,
cai e sobe o mar,
ventre do frio lunar,
vem e vai maré cheia e vazante,
a dor espera o instante,
a flor desperta adiante,
e o calor refaz o caminho
que ao largo do silêncio
o poema se faz mirante.

Cheiro de bruma no rio das léguas,
caminho de vinho pelo ardor
que gera meu mistério de alegria.
À flor suada o bem-te-vi faz festa,
bem rica nasce a onda na enseada,
o plano divino delineia toda estrada,
já é o poema ao qual o tempo
vê no espaço infinito
todos os versos
da fúria que ama
todo alvorecer
de que o sol
refulge.

16/11/2013 Êxtase
(Gustavo Bastos)

AMORES LUNARES

Frutifica o tempo
em vão de paixão
ao frio e ao calor
dos instantes noturnos.

Poema devaneia verso loucura e grito,
silencia o termo calado
depois do surto,
garante o estro à flor ferida,
e divaga mistério
nas cãs da alma de lua.

Ao poema o ardor fulgura
sempiterno céu de fundo amor.
Qual queda o plenilúnio
dá lugar à lua nova,
e já na mirada do minguante
faz crescente
o amor refeito
que senti.

16/11/2013 Êxtase
(Gustavo Bastos)

LUZ CONCENTRADA

Desfecho, nesta luz incontida
que ilumina a noite fria.
Olho os meus topázios,
desafio o cobre e a prata das armas.

Intenso é o segredo marmóreo
de meus silêncios.
Diante do timbre a voz rouca,
em fio de meada o ensejo das cordas.

Flecho o fecho do coração convulso.
Digo e desdigo a paixão que
dá volta ao mundo,
caio mudo e desnudo,
picho um muro
de tinta azul,
e o amarelo da parede
dos dias
corrói
a tez alva
do meio-dia.

Conjugo o verbo amar
como desarmar,
e o coração noturno
fecha e contorce
o sol que mora
no poema que dá
o sentido da dor.

16/11/2013 Êxtase
(Gustavo Bastos)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ENSEADA DO TEMPO

O mar não esmorece de teu calor de oceano.
Tal poema fustiga os demônios,
a sombra da intempérie
recava a sua queda e decadência,
as palavras soltas flutuam
ao tempo do versejador,
o poeta crê na nuvem
de sua loucura,
o tempo antevê
o visionário,
e o poema tudo vê
ao olho do vinho
que sustenta
as esferas
do céu limpo
que ilumina
a poesia.

O mar ignora tal tempo de ferro,
e no sal qual esmero,
faz continente
e terra de enseada.

14/11/2013 Êxtase
(Gustavo Bastos)