PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

domingo, 12 de junho de 2011

A MESSE DA VIDA

Penso agora como é certo

estar bem interessado

em toda sorte de aventuras.



Passo diante do jumentinho

e das águias luzentes.

Passo com o meu coração

em chamas.

Hoje tive um sonho,

e era um sonho cheio

de pétalas vermelhas

com uma mulher banhada

em sangue.



Onde pulsa a juventude

está a luz e a sombra,

onde pulsa a juventude

está o rio e o mar,

onde pulsa a juventude

está tudo.



O amor pode ser um cadáver.

O amor pode ser imortal.

O amor pode ser uma mentira,

mas é uma mentira fatal.



Penso em todas as coisas do universo,

até das coisas desconhecidas cogito,

a imaginação beira o delírio,

e a juventude é o cio da noite

até ao raiar do dia

quando o sol nos apanha.



Não morro agora.

Não morro amanhã.

Há uma estrela que me guia

para o meu lar.

És bela como a mulher devorada,

todo corpo belo tu és,

toda beleza tu és ...

não falo de fantasias somente,

eu apenas sinto o querer fervendo

de paixão.



Não quero amar para o infinito,

prefiro morrer de amor.

Não quero que seja agora

a hora fatal,

espero viver muito mais,

com a leveza da seda

em meu sorriso,

e com os teus olhos

em minha boca faminta.



Olho-te, és deusa,

te chamo de poesia,

quem tu és?

Te chamo de poesia,

poesia é destino,

sedução e castigo.



Tenho na alegria do poeta

o seu canto desvelado.

Amor ... tudo passa!



Então me esqueço,

não tenho mais mágoa,

apenas sou perdão,

o vinho é o meu escárnio,

e a carne o meu martírio.



Agora sim não é mais o sepulcro

a minha morada,

mas antes a eternidade

que vive no céu a voar.

Tudo é de Deus,

sou apenas um grão,

messe após messe,

faço a minha vida.



07/04/2010 Gustavo Bastos

DISFARCE

Quando verei no meu pranto cálido

a noite cair com a chuva?

Quando será o meu coração

por alguém descoberto?



As almas todas vivem na ciranda

da vida, e tais são as almas

a verdade do silêncio

em negror profundo

como o abismo dos sentimentos.



Eu que digo que ainda não é tarde,

que antes da madrugada

há sempre um pensamento pronto

ao verso para manifestar

o que há de sentido

para todo o caos da vida.



Quando? Quando, então?

Sei bem pouco de amar,

e muito menos de ser amado,

sou um péssimo amante

disfarçado de poeta.



07/04/2010 Gustavo Bastos

THE FEELINGS OF TOMORROW

When my eyes are opened,

I feel today like yesterday,

I like to swim in my heart

and get my tools

to break all the places.



I got so high these days,

I feel today like yesterday,

so I don`t pay for the priceless soul, then.



My selfish way got the design

of release,

from my desk I cannot write

the wright way I do love ...

What the hell?

Heart is pain, pain is peacefully

my feelings over my turns.



I feel today like yesterday,

and tomorrow I`ll never say.



02/04/2010 Gustavo Bastos

A VIDA É UM SOPRO

Considero que a chance de viver

por mais que a dor pungente

nos doa, é o maior desafio´

para todos os que estão no mundo.



Concordo que nada é perfeito.

Mas qual seria a graça da perfeição

sem os nossos defeitos?



Vamos vivendo, seguindo sem rumo

o que nos acomete no árduo caminho

com o qual nos damos de súbito.



Para qualquer um é a mesma vida

com as várias possíveis chegadas,

já que das partidas todos começam

pelo inescapável choro ao nascer,

e quando morremos,

poderemos ver se há o outro lado do mundo,

e se houver, descobriremos

que somos eternos

e não carne de vermes.



Eis que nada é surpresa,

o corpo fica nu na madrugada,

e o tédio é a companhia

dos que não têm nada.



Ora, este é o consolo:

A vida é um sopro,

já disseram isso antes ...



01/04/2010 Gustavo Bastos

DESPEDIDA

Vai-te agora e não fale mais comigo,

pois a noite envolve toda mentira,

e o amor que nunca foi meu

passou ao ódio e ao rancor,

mas esta febre passa,

como passou o torpor.



Vai-te para nunca mais e bem longe.

Tua carne eu nunca quis,

um belo corpo

não vale mais

que um poema qualquer,

e eu sou louco pela miragem

que há no delírio de todo prazer.



Vai-te para o inferno,

que eu escolho o meu destino.

A vida é uma perdição dos sentidos,

e só a fé me fortalece,

depois de uma luxúria fria

e sem valor.



Vai-te para o tédio dos teus dias,

e me deixa com a minha caduquice

de poeta trágico

e pronto para a peleja

de ser o que sou.



Este poema é a veia fatal,

este poema é o vinho da vida,

e aqui me tenho como um jogral.

Vai-te então, e não olhes para atrás,

aqui eu fico e te desejo boa sorte,

o paraíso do amor é a messe do futuro.



05/03/2010 Gustavo Bastos

PURIFICAÇÃO

Olhe para o céu,

deixe que a vaga te afogue

até ao mar do sopro divino.



Do espelho não tenho mais a mágoa,

o espírito de rebelião

não me toma mais o coração,

sou da paz e com a paz quero ficar.



Faço a minha aliança com Deus.

E deste dia do qual não mais

tenho as lágrimas,

me dá o sal e o sol

que na nuvem e no solo

são olhos voltados ao puro amor.



04/03/2010 Gustavo Bastos

POEMA DO IRMÃO PARA A IRMÃ

O que posso falar de você?

Tanto em tão pouco tempo,

desde a minha infância

com a tua companhia,

é sempre aquela voz sensata

que me tira do abismo,

abre-se o meu coração

e nele confesso que te adoro muito.



Olívia, minha irmã querida,

não sei ao certo de onde

o infinito nos pôs lado a lado,

mas é bom estar contigo,

de todo calvário e bênçãos

pelos quais passei,

tu sempre me mostravas

o grande caminho por se percorrer,

e a minha nau ferida

cicatrizava na tua voz de equilíbrio.



Irmã, velha companheira

desta jornada da vida,

meu deleite é ser do teu sangue,

meu deleite é dizer que te amo demais,

pois não somos apenas carne,

mas temos almas próximas

e que se completam.



Que a minha fé te cubra de bênçãos,

desde sempre o teu querido irmão

te quer bem e plena de vigor,

seja este poema apenas

um lembrete do que eu

sinto por você,

é um prazer tê-la

na minha vida,

vida eterna

até ao céu sem fim,

estaremos confiantes

e confidentes,

unidos pelo coração verdadeiro

e cheios de mútua admiração,

quero você comigo

para sempre.



03/03/2010 Gustavo Bastos

(poema feito em homenagem à minha irmã mais velha, Olívia Fürst Bastos)