era louca com um nariz vermelho
e uma rosa nas saias,
cantava nas ruas da zona pobre
que nenúfares sonham
e vitórias-régias deliram,
a louca bebia no cálice
de seus vinte maridos,
tinha setenta filhos,
com sua prole de bárbaros
ela descia armada
e pintava de lua
suas canções lunáticas,
a louca viajava para a estrela vésper
como uma borboleta amarela
que sorvia todo o encanto
dos meditativos édens
do clímax espiritual,
a louca era esfarrapada,
mas nas noites de sexo
bradava como uma bomba
seus orgasmos múltiplos,
num prazer eclético
que a louca
chamava
de céu
e de paraíso.
09/11/2017 Gustavo Bastos
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