PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

GURUS E CURANDEIROS – PARTE XI


“Podmore relacionou a grande maioria dos casos de poltergeist com adolescentes”

POLTERGEIST E ADOLESCÊNCIA

Camille Flammarion, renomado astrônomo, que também foi um dedicado pesquisador psíquico e um dos entusiastas e divulgadores do Espiritismo, diante do conhecido fenômeno do poltergeist, chegou a uma conclusão linear sobre o conjunto da pesquisa geral dos casos que se somavam desde há muitos séculos, e diante, também, do caso de uma casa mal-assombrada por um garoto de 12 anos, acaba por dizer, portanto, o seguinte :  “Neste, como na maior parte dos casos análogos, a causa desconhecida produtora dos fenômenos está associada a um organismo moço”.
Frank Podmore, um dos fundadores da SPR (Society for Psychical Research) analisou uma centena destes fenômenos de poltergeist, e descartou categoricamente a hipótese espírita, buscando causas naturais para os casos que enumerou. Na verdade, para Podmore, se tratavam de fenômenos parafísicos, mais do ramo da parapsicologia do que de um suposto comprovante de veracidade espírita. Por conseguinte, depois de juntar informações de 14 anos de observações detidas recolhidas pela fundação que ajudou a criar, Podmore relacionou a grande maioria dos casos de poltergeist com adolescentes, sobretudo do sexo feminino.
Schrenck-Notzing, um renomado psiquiatra e parapsicólogo alemão, na sua pesquisa própria, fora da SPR, mais uma vez corroborou a tese da fundação e à qual Podmore já havia chegado, a relação da juventude com o fenômeno poltergeist. Por conseguinte, com a enumeração pela parapsicologia de causas naturais ao fenômeno do poltergeist, temos que estes se tratam de fenômenos parafísicos, causados por pessoas vivas, geralmente organismos físicos jovens, e não fenômenos espíritas ou do elenco mistificado de uma suposta demonologia.
Temos também a extensa pesquisa do metapsíquico Hereward Carrington, cuja prolífica bibliografia recolheu, dentre outros conteúdos de sua pesquisa ampla, 375 casos de poltergeist, que resultou no seu livro com Nandor Fodor, outro pesquisador metapsíquico, e tal livro reuniu os mais conhecidos casos da História, desde o de Bingen-am-Rheim, no ano de 355 (aportes de pedras, telecinesias, tiptologia e psicofonias) até 1949 (dois anos antes da publicação do livro). E a conclusão vai pelo mesmo caminho da de Podmore e de Schrenck-Notzing, organismos adolescentes desencadeando fenômenos aparentemente sobrenaturais.
Os poltergeists, portanto, relatam casos que envolvem frequentemente fenômenos físicos de diversas matizes com a proximidade de uma pessoa adolescente, geralmente uma moça, seja esta problemática ou reprimida, e ainda pode envolver pessoas mentalmente retardadas, por conseguinte, fruto de uma psicologia infantil, muitas vezes retardada ou problemática.

FRAUDE – POLTERGEIST DE ENFIELD

O chamado “Poltergeist de Enfield” é o nome dado às reivindicações de atividade poltergeist em uma Council house em Brimsdown, Enfield, Inglaterra, de 1977–1979. O caso envolveu duas irmãs, entre 11 e 13 anos. Membros da SPR, como Maurice Grosse e Guy Lyon Playfair, foram crédulos e logo atestaram a veracidade do fenômeno e sua evidência espírita, enquanto Anita Gregory e John Beloff encontraram possíveis falsificações para impressionar a imprensa, esta que já estava de olho nos supostos incidentes.
Por sua vez, membros do Comité para a Investigação Cética, incluindo mágicos de palco, como Milbourne Christopher, Joe Nickell e Bob Couttie, depois de investigarem o fenômeno, logo criticaram a postura crédula de Grosse e Playfair. O sensacionalismo logo tomou conta do fenômeno, que virou um circo midiático, envolvendo jornais britânicos como o Daily Mail e o Daily Mirror.
Grosse e Playfair continuavam a defender a tese de que alguns fenômenos do poltergeist de Enfield eram verdadeiros, embora grande parte já tivesse sido falseada ou ridicularizada. E um golpe duro veio com a confissão das irmãs de suas travessuras aos repórteres, o que jogou Grosse e Playfair de vez no escárnio dos céticos.
Logo dúvidas foram levantadas sobre a psicofonia, isto é, sobre a suposta voz do poltergeist, e Anita Gregory, investigadora renomada da SPR, logo disse que o caso estava sendo superestimado, e que havia muita encenação por parte das irmãs para fomentar o sensacionalismo da imprensa. John Beloff, ex-presidente da SPR, logo sugeriu que uma das irmãs estava fazendo nada mais que ventriloquismo, e que, portanto, não havia comprovação de atividade sobrenatural nos eventos do poltergeist de Enfield, e que, além de não terem sido fenômenos estudados ou investigados com rigor e controle, tudo contribuiu mais para um falseamento fácil coberto pelo sensacional e por uma travessura de meninas inteligentes.

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.



quinta-feira, 1 de agosto de 2019

GURUS E CURANDEIROS – PARTE X


“Houdini teve sua história marcada por seu enorme talento como mágico e escapista”

Houdini se revezava entre seus espetáculos de mágica e suas intervenções surpresa para desmascarar sessões mediúnicas, seu método de combater o Espiritismo era o de aparecer disfarçado, por exemplo, com bigodes e barbas postiças, e atuava rápido quando percebia o truque por trás de um fenômeno supostamente sobrenatural. E ele então se apresentava : “Eu sou Houdini! E você é uma fraude!".
Houdini conseguiu, nesta sua cruzada contra o charlatanismo espiritual, uma cobertura considerável de mídia e publicidade. E, por sua vez, nos seus números de mágica, ele mimetizava truques que via nestas sessões falsamente sobrenaturais, com o intuito de revelar como tais fraudes eram confeccionadas.
A cruzada de Houdini residia num paradoxo, seu combate era também um meio para que ele, quem sabe um dia, descobrisse um verdadeiro fenômeno sobrenatural, mas o que ocorreu, de fato, foi que ele se tornou um dos principais algozes das fraudes espiritualistas da História.
Houdini fez várias viagens para divulgar as fraudes que o espiritualismo produzia, e em meio desta cruzada incansável, ele passou a promover seu livro “Um Mágico entre os Espíritos”, publicado em 1923. Houdini chegou a oferecer uma recompensa de 10 mil dólares a quem conseguisse lhe provar de uma vez por todas a veracidade de um fenômeno espírita ou de uma verdadeira capacidade mediúnica.
Mina Crandon, por sua vez, era uma das médiuns mais conhecidas do mundo, contemporânea de Houdini, famosa espiritualista norte-americana, ela era uma verdadeira sensação em Boston. Mina era jovem, ao contrário de outros vultos espiritualistas, como foram também Helena Blavatsky e Eusapia Palladino.
Mina tinha carisma e conduzia suas sessões com maestria, tinha um domínio de seu suposto dom, o que levou o crédulo Arthur Conan Doyle a declarar Mina Crandon como “uma das mais poderosas médiuns do mundo".
Num desafio entre o “debunker” Houdini e a grande médium Mina Crandon, se teve uma primeira sessão na casa da médium, numa sessão com fenômenos incríveis que logo depois Houdini denunciou como fraude e repetiu alguns dos truques.
Houdini, logo em seguida, para dar o golpe de misericórdia na suposta médium, decidiu convidá-la à sua própria casa, devidamente preparada contra fraudes, no que Mina Crandon, um pouco a contragosto, aceitou o convite, e a sessão fenomênica foi um verdadeiro fiasco, com o suposto guia espiritual da médium nem dando as caras nesta sessão espírita fracassada. Mina, ridiculamente, alegou que o ceticismo de Houdini provocou um bloqueio espiritual.
Houdini veio a falecer poucos anos depois, em 1926, depois de sofrer um golpe abdominal, pois o ilusionista, imprudentemente, mais uma vez quis demonstrar sua incrível força abdominal, e levou um soco de um fã que lhe provocou complicações decorrentes de apendicite aguda.
E foi logo após a sua morte que passaram a ocorrer sessões espiritualistas em busca de contatos com o espírito de Houdini. E toda semana aparecia um médium mistificador alegando ter tido tal contato, mas nada comprovado, até que, em 1928, Arthur Ford anuncia que tinha uma mensagem para a viúva de Houdini, Bess. A suposta mensagem era da mãe de Houdini e era um recado lacônico com uma única palavra : “perdão”.
Ford então, pouco tempo depois, traz uma mensagem do próprio Houdini, em que, dentre outras coisa, é citada a palavra “Rosabelle”, o que emociona Bess, pois era um código combinado entre Bess e Houdini, pois se referia à música que estava tocando quando Harry e Bess se conheceram décadas antes.
Mas a mensagem logo caiu em contradição, pois alguns amigos de Houdini haviam afirmado que Ford teve acesso a um diário que pertenceu ao ilusionista. Resultado : Ford não recebeu a recompensa de Bess.
A última sessão oficial de busca de contato com o espírito de Houdini foi em 1936, dez anos após a morte do ilusionista, com um grupo de amigos, mágicos, ocultistas e cientistas e, claro, a própria Bess, que se reuniram no Hotel Knickbocker em Hollywood.
Tal sessão foi conduzida por Eddy Saint, um famoso místico, sessão esta que foi transmitida ao vivo pelo rádio, mas a sessão, mesmo com toda a pompa de um espetáculo, não teve o resultado esperado, nenhuma mensagem do além do espírito de Houdini foi captada, e foi quando Bess desistiu de sua busca e se conformou.
Houdini teve sua história marcada por seu enorme talento como mágico e escapista, de um lado, e sua cruzada que foi um paradoxo de combate a fraudes espirituais e ao mesmo tempo de provar ao menos um fenômeno mediúnico ou espiritual verdadeiro. Harry Houdini entrou para a História como uma figura combativa e corajosa  e, de fato, como o maior da arte do escapismo em todo o mundo.

Link recomendado : https://www.youtube.com/watch?v=Ubhuo1Hn54U (HOUDINI DESMASCARA O ESPIRITISMO PARTE 2)

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

domingo, 30 de junho de 2019

FLOR DE BRUMA

A flor que nasce da bruma
está em sonho como um delírio,
flor mormente doce
e cheia de vida,
flor diamantada
que nasce do rio
e vive ao vento,

folhas caem, o caule da
árvore alimenta
a floresta densa,
a água desce à raiz,
flor e fruto
fazem canção,
um pássaro pousa,
o dia está iluminado,
o poeta olha em volta
e desata a cantar
seu estro de liberdade.

29/06/2019 Gustavo Bastos

TEMPOS FORTES

A geografia do pensamento
traça esta história com
o rigor da máquina
e a dureza do diamante,

os tempos fortes da música
ressoam na câmara de eco,
poemas lutam sempre
com o ar da vida,
afirmam este sopro
que nos dá a visão,

poema reto, de um estro
que é enigma, revela
a minha face precisa,
este poema todo,
como uma rosa.

29/06/2019 Gustavo Bastos

O DOM DA PALAVRA

A palavra, dom e graça
da poesia, veste o poema
com seu ardor e mármore,
sua rocha original
que sonha e realiza,

vem todo este poema,
verter d ´água palavra,
fazer da chuva e do sol
o tempo inteiro
de seu ritmo,

luta a nuvem contra o silêncio,
o vento lhe sopra,
a palavra, esta
nuvem plena,
é soprada
pelo poeta,

o poeta que escreve,
na palavra seu
dom e graça,
revela o divino
em versos profanos.

29/06/2019 Gustavo Bastos

O CAVALEIRO

O cavaleiro de aço mormente
o valete que luta em guerra,
faz de seu estro grande bardo
e rutila sol como aurora,

o cavaleiro, da veste tormentosa,
que rutila seu sonho e tem de si
o próprio raciocínio, querendo
os dias como glória e seu
tempo de luta uma bravura,

cavaleiro, que todo o caminho
seja este, feliz em ser guerreiro
e pleno de si ao meio-dia.

29/06/2019 Gustavo Bastos

VINHO TINTO

Pressinto no dom que funda a vida
o canto vinho que derrama
e me ferve a alma,
lenho que crepita
entre os poros,
que me vê
e que me sente,

sinto, do vinho mais nobre,
o coração que levita
embriagado, e o sonho
que me envolve
na luta febril
dos que são poetas,

vem todo este cabedal
de sentimentos,
do vinho à estrela
que rutila, do páramo
ao canto terroso
que flui no vinho
tinto seco.

29/06/2019 Gustavo Bastos