sexta-feira, 7 de outubro de 2011
LADRÃO SORTUDO A GALOPE
Para não me tocar um só desaforo sequer; tudo é engate de céu, terra e inferno.
Tenho o Axis Mundi. O galinheiro é o pasto. Estandartes de vinho caem como óperas.
Dou ao idiota a sorte de moleque sacana. Um probo vence sem fileiras. Os doidos são a infantaria. Fãs o amam e o querem. O barão é o ladrão dos impostos. Quem é o jovem? Que diz o jovem? Ele se ruboriza, se encastela.
Diante da fachada, terras tectônicas!
Quando cai o azul, sobe o fogo!
E volta, martírios sacros queimados de luxúria, para as fogosas mortíferas, para os alquimistas. Um ladrão elegante, que leva ouro sem roubar. E que de nada se arrepende. É majestade! Tripa e gordura. Carne e coração. Vísceras, nervos, estômago faminto, pulmão cheio de fumaça. Bicha louca infortunada. Homem-máscara de outros confins. Besteira não registrada. Balas de revólver mastigadas. E os seus sectários, todos vis nas cabanas dos tabus. A morte é o tabu!
Soa o vinho, suor latino bárbaro.
Ladrão com virtude, este homem menino.
Era o alerta, o comércio ilegal.
O afrontador das leis.
Tenebroso, dos quereres e do intelecto.
Pórtico em que ele encosta.
Igreja fumada até o talo.
(Galope, cavalo, notícia).
Sei de tudo isto. É certo e sombrio. Os mentirosos choram constrangidos.
Aqui se faz tabaco e tosse. Aqui a sorte. Aqui o tempo.
Qualquer lei ou costume se perde, tudo está subvertido.
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BENQUISTO MANDRIÃO
Sofre a modorra, lenda incoerente das têmporas do sol. Sereia que o buscava, em torno das luas miseráveis dos escravos lobisomens.
Era o acalanto e a enfermidade.
Música das celas e dos chiqueiros.
Era um tonto divagando sobre o próprio caminhar.
Dava uns passos ... dois para lá, dois para cá.
Entoava o livro de muquifos sem móveis.
Bibliotecas sem armários. Ó rua!
Benquisto era cidadão raro. Sofria de contubérnio de alarido. Eis o casaco que lhe protegia, ou o guardião que lhe segurava. Um filho era dançante. Um filho era doutor. E as meninas encantadas com este engodo, enfático como a bosta.
Dava de cara com a polícia, tomava cacetadas bem sensíveis.
Na sustança de sua pensão, outros mendigos dormiam.
E vai ... e volta ... e vai ... bem para lá ... longevidade!
O poema é estranho.
Um ser de cores e cravos.
O terreno guardava o pó da lasca.
Começava tudo sem terminar.
E loas, e vivas!
Aleluia ou Jah?
Um demente, sai uma quentinha da costela.
Adão sem pecado.
Ou pecado sem Adão.
Inimigo de Eva.
Ou a própria serpente.
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O SERVIÇAL DO SOPRO MATUTINO
Embolora o sonho pátrio,
Era sonho caído
Aos pés de outono.
Corado de vergonha misteriosa.
Cretino ou besta ou tarado.
Sem furor, sem batina.
Era o vento matutino, degola.
Das arqueadas fuligens que borram o ar.
Deste andor mal versado.
Como dolente ou idólatra pútrido.
Ao seu regime estapafúrdio de horas trocadas.
Sem susto, no vento decola.
Ouvindo o seu segredo, o vagabundo.
Serviçal, amo, boçal.
Consorte da dama refrigerada.
Ou lar de solitude ou pimenta.
Cremado e telúrico.
Fonte do vício espesso da coragem viandante.
Um céu solstício pouco apreciado.
Doceria de confeites coloridos.
Mortos chumbos vivos.
Quem um frio lastimou.
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domingo, 2 de outubro de 2011
O DEBATE SOBRE O MARCO REGULATÓRIO DA MÍDIA
O debate sobre o marco regulatório da mídia parecia estar enterrado com o discurso do início do governo Dilma Rousseff, em que a mesma defendeu a liberdade de imprensa e de expressão. Mas, pelo que se vê, depois do 4° Congresso Nacional do PT, a ação de ressuscitar o marco regulatório da mídia voltou a ganhar corpo, o que não impediu um de seus aliados, o PMDB, base do governo Dilma, de se opor a tal investida petista sobre a liberdade de imprensa no Brasil. O debate é intenso, e há argumentos fortes dos dois lados, mas cabe aqui fazer um posicionamento franco e sem amarras.
Por que impor uma regulação da mídia num país que se diz democrático? Não há, para tanto, ou seja, para o controle dos jornalistas, regras civis e leis criminais contra a chamada imprensa marrom? Isto é, um jornalista que fizer mau uso de suas prerrogativas não pode ser punido pelo sistema jurídico vigente, com implicações civis ou criminais, sem a necessidade de um marco regulatório para coibir a liberdade?
Bom, o que se vê do lado do PT é a defesa da regulação da mídia por que isso é necessário para uma democracia que defende a pluralidade de opiniões e que vai de encontro ao monopólio familiar da mídia brasileira, mas isso me cheira a chavismo e outras coisas piores. Ou seja, depois de aprovada esta regulação pelo Congresso Nacional podemos ter a oposição ao governo Dilma tolhida e censurada de suas manifestações. O que acontece na Venezuela e na Argentina? Não é isso do que se trata, na verdade? Pois então, o PT diz que não há contradição entre liberdade de imprensa e regulamentação. Ora, mesmo sem a regulamentação censuraram o Estadão, imagina com esse “marco regulatório”, para mim isso será uma mordaça aos oposicionistas, mesmo que eu ache que muitas vezes setores da imprensa abusam de sua prerrogativas, como o grupo Abril da Veja e seu jornalismo marrom, ainda bem que eu não leio a Veja!
O que é preciso ter claro é que a regulação da mídia não se incorpora às práticas das modernas democracias, o argumento a favor do marco regulatório diz que não há menção à criação de mecanismos de censura à imprensa, mas críticas aos abusos de grandes veículos, de que o domínio midiático por alguns grupos econômicos tolhe a democracia, o argumento é por meios de comunicação democráticos. Ora, não vejo como democrática uma avaliação prévia por marcos regulatórios do que pode ou não pode ser veiculado na imprensa, o que sou a favor é da punição civil ou criminal da imprensa marrom, o que já tem respaldo, como já disse, no nosso sistema jurídico, sem a censura governista do PT e de seus “marcos”. Não há porque, por outro lado, defender o fim dos monopólios da imprensa em troca de uma pluralidade, pois isso já está acontecendo com a internet, o fim do monopólio da informação já está em curso com as novas mídias, vide as manifestações políticas independentes geradas pelas chamadas redes sociais. Para mim trocar a liberdade de imprensa por uma suposta democratização dos meios de comunicação não é nada mais do que uma falácia, disfarce de um desejo de monopólio das ideias e de um retorno à censura, como se essa já não estivesse aí, não é Sarney?
02/10/2011 Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
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sábado, 1 de outubro de 2011
OS BOÊMIOS (PARTE II)
No teu ser o brasão impele,
Corrente jaz de velhas eras.
Que derrama sol e ferve esferas,
Que da noite em degredo fere.
É o campanário, veia lúcida.
Há de ter tempestade na alma,
Que vem da luz e da calma,
Aportar no sonho da vida fúlgida,
Oásis e morte que traz e me ama.
Vinho do mar, violeta que dança aqui e acolá.
Todo suntuoso mar, que do vinho é festa!
Tudo que há para amar, perdido lá.
Hoje é sabor doce, ou amarga vinha,
Ainda que estrada vá.
Lancinar, rosto que não mede as garrafas.
Tenho certeza de hoje beber prantos,
Colher depois risos sem amarras.
Que eu só neste campo vejo malandros.
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OS BOÊMIOS (PARTE I)
Que hei de ver agora em constelação?
Os bêbados que caíram sóbrios,
Os vãos desvarios dos ópios.
Querem dar olhos às mortes de verão?
Pois eu dou veneno e sinto então.
Do ar que bafejava noutra cascata,
De bares corre vento e alegria.
Não vejo minha flor, tudo resvala.
Para o bar! Vos digo onde passar ...
Pois há rua no meu caminhar.
E a mesa me afoga, tempo cru da crueldade.
Amamos a esbórnia,
Tuas vidas, ó mocidade!
Que vai e possui a cidade!
Tudo que há de se beber ali,
Bar que a madrugada toma,
Sempre mistério que ouvi,
Por nada que me é doma.
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INTERROGATÓRIO
Quem és tu, ó infame?
Mestre de ambivalências, um paradoxo contínuo.
Não tem nome o seu cadafalso?
Ópios instrutivos de leituras, biografias queimadas.
Avisa quando vem?
Somente por botes em ninhos inférteis e escuros.
Não tem uma faca amolada?
As garras de unhas afiadas.
Semeia?
Versos de cadeiras de rodas, rosas chorosas.
Deve algo ao povo envolto em chamas?
Meu perdão e todos os perdões.
Um Cristo de insanidade santa!
Foste algum soldado autoritário?
Nas guerras entrincheiradas voei eternamente.
Por que não está se ocupando?
Não adquiri habilidades práticas.
Então, ouve seu coração?
Às vezes tenho que escutar outros, desesperados.
Trouxeste um presente?
Não tenho dinheiro em meu motor de parlatórios.
O que tu queres? Afinal de contas?
Om mani peme hung, ó alegria do lótus!
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