PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quinta-feira, 25 de maio de 2023

DIABOLUS IN MUSICA

A sedenta carne, que se espalha

como uma cortina, uma faca

que corta a cortina, um sorriso

que passa perto do abismo

e sorri para a morte,

pois que diabolus in musica

é um trítono que soa grave,

o baixo barítono das caudas

longas de beherit, baphomet,

asmodeu, baal, astarote,

mefisto, diabo, capeta,

demônio, Lúcifer, pé de bode,

capiroto, belzebu, mamon,

azazel, behemoth, leviatã,

belfegor, damballa, moloch,

belial, pazuzu, samael, 

cramulhão, abaddon, lilith,

coisa ruim, o Satanás

que dança o Sabá

e que leva as bruxas 

aos infernos quentes e gelados

em que o martelo da Justiça

é batido e a danação é eterna.


25/05/2023 Gustavo Bastos


A VIDA FERA

A fera acorda no toque da corneta,

suas garras vão defronte ao desafio,

com o rigor pétreo da decisão tomada,

e os caminhos em que se cobre de prata.


Sofre no cadafalso toda farsa exangue,

de um tiro sem misericórdia do mundo firme,

em que a lei natural não se importa

com a derrota, e nem com o final da fábula

em que a cantoria virou lamúria.


Dos escárnios se guarda a morada do justo, 

reservando ao aniquilamento toda balbúrdia,

e a estrada mais forte se abre,

nas raízes da vida abre a porta,

todas as janelas, e o ar entra

numa lufada, com sopro e anarquia,

como o bom vento da alegria.


25/05/2023 Gustavo Bastos 


O POETA DA RALÉ

Vai à leilão, na bagatela de centavos,

um poeta enxuto, desses biltres

que coçam o saco ao escrever

o último arfar de sua tísica.


Parece um moribundo, bêbedo que só!

Na arte de fazer magia, tonto de doer,

faz nada com este calhamaço de cigarros

e de insetos a bater na lâmpada.


Sua escrita mirrou em poucos meses

de ânsia na vida alcoólica de boêmia.

Vez em quando, se empolga,

na noite noiteira,

na madrugada

hipócrita.


Escreve que nem piá,

moleque de joguete,

a mirar uma girândola,

cercado de amigos

cacetes, destes 

de pocar o ouvido.


O poeta dormita,

anestesiado,

filho do caos.


25/05/2023 Gustavo Bastos 


quarta-feira, 24 de maio de 2023

TERCEIRA VISÃO

A febre do louco tem estórias

delirantes de sonho e farsa,

sua mitomania é uma lorota

que afunda no pátio

do jardim das delícias,

era Lúcifer que andava

por lá, a cercar o louco

de sua loucura,

entregando 

o êxtase 

de um

misticismo

longínquo,

como o gozo

da morte

e o mistério

dos olhos

de Osíris.


24/05/2023 Gustavo Bastos 


A TOLICE EXISTENCIAL (A DESCOBERTA DAS REENTRÂNCIAS)

Como se força a barra,

e ser assim é ser a fraqueza,

tentando de todos os modos

não ser ela mesma,

um canto canalha e chinfrim

que faz de conta

que a casa não foi

levada pelo vento,

tal castelo de areia

com contornos rosas

de alminhas que da

malícia depreendem

a ingenuidade tola

de estar no abismo

da loucura sem sol.


24/05/2023 Gustavo Bastos 


POEMA FEITO SEM CHAT GPT

Disse a senha a um robô pouco sábio,

metido a esperto ele papagaiava

a repetir que peidar era rimar,

e sua falta de astúcia

não sentia a maresia

e nem o marulho

que o mar,

ente universal,

inflama o coração.


Nada de resposta definitiva

sobre as artes e as ciências,

uma caixa fechada não pensa,

diria o filósofo, e ainda faz

o número ridículo

do poetastro.


24/05/2023 Gustavo Bastos


VERMINOSE

Senhores, o que dos ossos o verme rói

é a hipocrisia, vejam as velas acesas

neste luar, e o uivo dos lobos,

uma alcateia faminta

que não arreda o pé

desta grande floresta

densa e negra

e que chove

aos cântaros

sem parar.


O verme está lúcido

e túrgido, comerá

a mendacidade

até explodir,

e seus restos

ficarão podres

no grande dia 

da fatura

liquidada.


24/05/2023 Gustavo Bastos