Trôpego o embuste
caiu de maduro.
Com suas próprias
pernas o mandrião
tropeça e cai,
se estatela.
E o mundo,
que um dia
lhe pareceu
baço e tonto,
brilhava
intensamente
sobre o seu
cocuruto
que derretia.
05/05/2023 Gustavo Bastos
Este blog está destinado à divulgação de poesia, conteúdos literários, artigos e conhecimentos em geral.
Trôpego o embuste
caiu de maduro.
Com suas próprias
pernas o mandrião
tropeça e cai,
se estatela.
E o mundo,
que um dia
lhe pareceu
baço e tonto,
brilhava
intensamente
sobre o seu
cocuruto
que derretia.
05/05/2023 Gustavo Bastos
Se caça com a fome
de viver o vinco
e a dobra e o veio,
as marcas do tiroteio,
os avanços do ânimo,
e o balanço entre
a queda e o voo.
Para mim veraz de astúcia
é acertar com sorte
todo livramento
da mendacidade.
A poesia,
que em
terra firme
e mar alto,
nunca cedeu
ao mendaz
a sua fortuna.
05/05/2023 Gustavo Bastos
A posse de seu lumiar
não vem de outro,
de outros,
do mundo,
do além,
vem de nada além
de si, de sua força
motriz, mais de fé
que de anseio,
mais de senso
que de anelo.
Frases retas,
ações retas,
o traçado
de um trançado
coerente
fecha
toda a
equação
num sorriso
de felicidade.
17/04/2023 Gustavo Bastos
Se a asa alça voo para a liberdade,
quando pousa, descansa, e quando
bate, viaja.
Assim se vê as gentes que a buscam,
a liberdade, onde ela viceja, ou se
perdem, onde o abismo se abre.
A liberdade, esta vida que bate forte,
em seu coração de sol,
tem que ser entendida,
sua busca direta
leva ao sonho,
ou ao fracasso.
Quem pensou que a liberdade
era fácil, num flerte langue,
num salto permissivo,
alopra e morre.
Quem a entendeu, a liberdade,
profundamente, já não teve
medo da tempestade,
se liberou, com astúcia e esforço,
de correntes e tenazes,
enfrentando a loucura e a morte,
e agora vive pleno e feliz.
Seu enigma é simples :
o ser livre aprecia o sol
pois conhece a tempestade.
Gustavo Bastos, 17/04/2023
Os olhos contemplam a luz,
a palavra imita o som
do verbo e a luz
na matéria.
O plasma da escrita
tenta uma vã alquimia,
com os ventos sacados
à sorrelfa, num canto
súbito de alegria.
Tanta arte, pretensa alquimia,
faz um espanto exangue
de tíbia filosofia,
uma religião de
malucos que
nos versos
e na prosa
sonham belos
sonhos,
em paraísos
de latão,
mas com
todo o ouro
e a prata
da imaginação.
10/04/2023 Gustavo Bastos
Na janela ficaram os temas
tocados da turba
que passava na rua.
Uma procissão atabalhoada,
o cheiro de mijo,
o suor da tarde de sol,
andarilhos caindo
de bêbados,
a velhinha ainda
fumava na janela,
coçando o queixo,
e uma menina fazia
careta na direção dela,
pulava, girava o cabelo.
Nada, a janela,
escancarada,
curtia o sol da tarde,
o cheiro de mijo
e o barulho insano
da turba que encenava
o carnaval de rua.
10/04/2023 Gustavo Bastos
Sente o vento na face
em que o sol doura
na plêiade poética.
Com um cartaz
está o desenho
que se vende
como uma turnê ácida.
O que está mais perto do coração?
Perguntava a cotovia no vento
que bailava entre as folhas.
O coração está perto da esperança,
que mora na coragem,
disse a águia.
E o vento se deliciava de contemplação
nos planos de Deus e nos cânticos
dos anjos que flutuavam na abóbada.
Vem meu coração, vem minha esperança,
sortida de coragem e de fortaleza,
em que a poesia vê seu sol
como meta e horizonte.
O que mais quer o coração?
Perguntou o bem-te-vi.
No que a patativa logo disse :
O coração ama
e não sofre
quando
sabe
viver.
Depois restou
ao mar ver
seu albatroz
mergulhar,
e finda
estava
a jornada
do poeta.
10/04/2023 - Gustavo Bastos