PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quarta-feira, 18 de maio de 2022

A FLECHA

Minha astúcia tem retidão 

e um riso aberto,

plenitude é arte

de conseguir a meta,

o poema se acerta,

vem, veloz,

como uma flecha.

 
18/05/2022 Gustavo Bastos

COLHEITA

A destra ordena a fatura,

teu galardão não hesita,

o fundo musical se expande.


A rosa brota do caule, um rio 

desce em seu volume e fluxo,

toda a tropa acorda na aurora,

o dia está ensolarado,

quem plantou está colhendo,


a lei é clara, a vida nos dá

o que buscamos.


18/05/2022 Gustavo Bastos

PEITO ABERTO

Jamais vi tamanha torpeza,

o grande infortúnio

da farsa é ser o que é,

cada golpe, cada martelada

nesta estrutura,

é um prazer imenso,

impiedoso.


O poema sai de seu claustro,

após a peste, após a farsa,

e se expande como 

uma bomba.


Verso cada dia mais,

fora da penumbra

dos que vivem

incógnitos,

com o peito

aberto

e mergulhando

fundo.


18/05/2022 Gustavo Bastos

A EXISTÊNCIA DO TOLO

O veneno se inocula sutil,

sim, passa e penetra a pele,

nasce a agonia, provar este

veneno é o antídoto

perfeito, 


nas mentes

intoxicadas, que nunca 

vislumbraram as consequências

das ações impensadas,

da vida que busca

na fuga um refúgio,

veem o domínio

da própria vida

escapando pelas mãos,


sonho vão, delírio 

infantil, o veneno

é o contragolpe,

antídoto que mata

a mentira.


Provar do próprio

veneno 

é o destino 

da tolice.


18/05/2022 Gustavo Bastos

A VIRADA DO LOUCO

Virada de ar, cortejo da fábula,

a fada verde brilha no silêncio

da madrugada, o fumo

se espalha pelo ar

do pub, uma bancada

úmida estala no vidro

das canecas e garrafas,



vamos brindar a boêmia,

com o doce na boca

e a nuvem nos olhos,

com os ouvidos 

na música

e a pele desperta,


de cada célula acesa,

de cada verso debrum,

um arrebol e uma aurora,

um poeta e um louco,


presto atenção

nesta barbárie

da noite :

sou este que 

canta.


18/05/2022 Gustavo Bastos

CANTO ALEGRE

O solstício de verão abre o farol

e a visão se estende pela praia,

o navio passa pelo horizonte

e eu vejo nas gradações

do mar a imensidade azul.


A plenitude coroa este esforço

de fazer versos e planar

no voo como um astuto,


deste verso principal,

eu posso dizê-lo :

o canto é alegre

porque não é 

triste.


18/05/2022 Gustavo Bastos


POEMA BARATO

Contando lorota, o néscio aturdido

com o despejo. Nildo,

o idiota, faz cara de paisagem, 

a crise afunda e a desordem

toma cada canto.


Maria, do pai que tinha

uma leiteria,

não é mais

a mesma,

seu filho sofre

de bexiga,

seu marido

tá com 

gota.


Nildo, o idiota,

pergunta

a seus amigos

néscios : 

quantos pascácios

são necessários

para afundar

um país?


A patacoada toda

se deu assim mesmo,

sem pé e nem cabeça.


18/05/2022 Gustavo Bastos