PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

domingo, 2 de dezembro de 2012

PENA

Segue o curso da pena,
os dias difíceis
sempre aí estarão,
a vida se esquece,
o corpo padece,
as luzes se apagam.

Como lição, traga isto:
O poema derramado
do corpo/alma
que ali doía ...
o vão que não se vê,
o horizonte ficou para trás,
não há mais selva
na qual se esconder,
não há mais quartos
para sozinhos chorarmos,
não há mais vergonhas
das quais se envergonhar,
a lição é sempre a mesma,
não sucumbir ao tédio
e à tristeza,
não se suicidar
todos os dias
como
punição
eterna.

28/11/2012 Libertação
(Gustavo Bastos)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

JANELA

A janela que olha
para fora
me olha
aqui dentro.

A janela de minha visão,
meus olhos,
janelas da alma,
teus olhos,
as janelas que olho.

O beija-flor
veio à minha janela,
a flor que ele beija
não sei aonde está,
aqui é o nono andar
de um prédio
e não tem flores.

28/11/2012 Libertação
(Gustavo Bastos)

domingo, 25 de novembro de 2012

AS VIAGENS DE LOBSANG RAMPA

   Lobsang Rampa era o pseudônimo de Cyrill Hoskins, ou melhor, o corpo do inglês Cyrill havia dado lugar ao lama tibetano Lobsang. A história ou estória é bem polêmica, há muito ceticismo de um lado e muita credulidade do outro, ou melhor, o importante em relação aos escritos de Lobsang é manter a mente aberta, ou seja, nem numa mistificação e nem numa recusa cética sem saber o que se diz em tais livros.
   Na leitura que fiz sobre o autor, o que inclui três obras: A Terceira Visão, O Médico de Lhasa e Entre os Monges do Tibete, leitura que recomendo fazer nesta ordem dos fatores para uma iniciação correta aos escritos de Lobsang Rampa, encontrei muita coisa curiosa do ponto de vista místico, o que faço em relação a esta leitura que tive é que se trata de uma visão esclarecedora quanto a alguns segredos do lamaísmo tibetano, não cabendo aqui definir se é verdade ou invenção o que está nestes livros relatado, então fico com o que deles eu possa tirar.
   O ponto mais polêmico é o que se chama esta Transmigração, ou seja, como pode ser possível uma substituição de uma alma por outra num corpo, pois isto é relatado em Entre os Monges do Tibete, e então se entende como tal feito se deu, Cyrill Hoskins deixa seu corpo e dá lugar ao lama Lobsang, pois o corpo original do lama tibetano já estava muito mal tratado e beirava o colapso, e o inglês que cedeu seu corpo ao lama já estava desacreditado da vida e queria partir para o mundo astral. Bom, este é o ponto principal que busquei entender e que consegui neste terceiro livro que li, depois de um trajeto pela fase tibetana do lama em A Terceira Visão e os males da guerra e da incompreensão em O Médico de Lhasa. 
   É bom lembrar que nos confins do Oriente há muitas coisas que pouco entendemos, portanto, temos que ter uma abordagem desarmada de ceticismo e sem ficar refém de mistificações, o que não representa uma posição ambígua, mas uma abertura que eu julgo filosófica para a leitura correta de Lobsang Rampa. O que ocorre em A Terceira Visão, por exemplo, fenômenos como a abertura do terceiro olho do menino Lobsang aos 7 anos e sua faculdade paranormal de enxergar a aura das pessoas e por esta faculdade saber se a pessoa está saudável e definir até o caráter ou intenções da mesma pela leitura da aura é de deixar ocidentais céticos bem incomodados, mas afirmo que não há conhecimento e sabedoria sem incômodos.
   No livro mais importante da obra de Lobsang Rampa, o sucesso editorial A Terceira Visão, vemos o início da saga deste lama tibetano, desde seu nascimento em berço de ouro, porém sem nenhuma regalia dos pais, pois a vida de Lobsang será repleta de sofrimentos, até sua entrada no mosteiro Chakpori, o qual ensinará a Lobsang uma disciplina rígida que servirá depois para ele como meio de sobrevivência no que vemos ser relatado em O Médico de Lhasa, quando Lobsang passa por torturas de japoneses por estar servindo como aviador pelo exército chinês. Lobsang no mosteiro também aprende muito sobre a medicina tibetana e passa a se tornar grande conhecedor das ervas do Tibete, e junto com este conhecimento médico é introduzido em ocultismo, conhecimentos metafísicos e esotéricos que serão ministrados pelo seu guia espiritual, o velho lama Mingyar Dondup, com o qual terá acesso a coisas desconhecidas até por grande parte dos monges comuns, nesta incursão pelos segredos tibetanos, Lobsang terá oportunidade, por exemplo, de desenvolver a faculdade de viagem astral e também de telepatia, fará uma viagem cataléptica às cavernas dos antepassados tibetanos e verá no topo das terras altas de Chang Tang uma cidade antiquíssima num vale, conservada pelo frio da altitude tibetana, onde também verá alguns dos segredos de velhas civilizações.
   Em O Médico de Lhasa vemos muitas das predições dos astrólogos tibetanos em relação à vida de Lobsang feitas em A Terceira Visão confirmadas, pois as predições eram de que Lobsang iria sofrer muito, e o que vemos no livro O Médico de Lhasa é uma sucessão de absurdos que levarão o corpo torturado e seviciado de Lobsang quase à morte, com fuga em relação aos japoneses, viagens depauperadas pelos horrores da guerra (era o contexto histórico da invasão e bombardeio da China pelos japoneses e depois a Segunda Guerra Mundial que culminará com as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasáki no Japão soltadas pelos americanos). E neste trajeto sofrido que vemos no livro O Médico de Lhasa aprendemos um bom manual de sobrevivência e de resistência ao sofrimento que será nada mais que consequência dos ensinamentos rígidos e profundos recebidos por Lobsang no mosteiro Chakpori. Sem o que passara no mosteiro, Lobsang afirma sem dúvida que não teria passado por tudo o que passou na mão de autoridades agressivas que se deliciavam em matar e fazer sofrer outros seres humanos, e no meio disso Lobsang chegou a parar em prisões e chegou a tratar de pessoas em estado agonizante totalmente de improviso, seus conhecimentos médicos foram também postos à prova, e Lobsang se saiu muito bem, salvou a vida de algumas pessoas, mesmo em meio à completa devastação de um cenário de guerra e morte por toda a parte que se via.
   No livro Entre os Monges do Tibete vemos a fase da vida de Lobsang em que ele vai estudar medicina ocidental na Universidade de Chungking e depois vai para Xangai servir aos chineses, e aí acaba parando na Rússia, onde terá alguma sorte passageira, logo passando por novas dificuldades, passa por Nova York, e volta ao Tibete, depois indo para a Inglaterra fazer a Transmigração, passando por uma fase feliz na Irlanda já com seu novo corpo e vai ao Canadá.
   Neste livro já temos um entrecruzamento das histórias relatadas em A Terceira Visão e O Médico de Lhasa, e que terminará em novas revelações dos segredos tibetanos; por exemplo, o chamado Registro Akáshico, no qual se poderia ver toda a História humana psiquicamente, e a complexa operação de Transmigração que foi citada acima entre o inglês Cyrill e o lama Lobsang, além de relatos de viagens astrais bem curiosas durante todos estes acontecimentos. Lembrando que a esta altura seu guia Mingyar Dondup já morrera e se comunicava em espírito por telepatia e viagens astrais com Lobsang Rampa, Dondup já se encontrava, neste ínterim, na Terra da Luz Dourada, um plano bem superior que Lobsang ia algumas vezes por viagens astrais.
   O que podemos, enfim, tirar da leitura destes 3 livros de Lobsang Rampa é, sobretudo, uma lição de sobrevivência às adversidades, o lama tibetano passou por situações extremas, o que nos leva a questões esprituais profundas e também a questões sobre o quanto o ser humano pode ser cruel e, de outro lado, evoluído espritualmente, o que vemos na leitura de Lobsang é uma mistura entre fatos históricos dolorosos e uma espiritualidade sui generis que vemos no lamaísmo tibetano. Se é verdade ou mentira o que Lobsang diz, não importa, há conhecimento e sabedoria em tais livros, e isso é que é importante.

25/11/2012 Gustavo Bastos, filósofo e escritor.


Link da Século Diário: http://www.seculodiario.com.br/exibir.php?id=3672&secao=14

  
  
   
         
   

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

REVOLUÇÕES

Eu matei Hitler e salvei a Alemanha.
Aniquilei a fúria dos
fascistas,
prendi os corruptos
e assassinos,
demoli o inferno
da injustiça,
colhi os mortos da guerra,
dei voltas na procissão
depois de ver Cristo
nas minhas costas,
disse para Stálin
morrer de frio
num Gulag na Sibéria,
matei todos os ditadores
e revivi o século de Péricles,
vi Sócrates desafiando
os homens de certezas,
derrotei Lúcifer
depois do céu cair
no Apocalipse,
enterrei Bin-Laden
e tomei o petróleo
de Saddam Hussein,
e deixei que pedófilos
e estupradores
fossem queimados
na Ilha de Lesbos,
com mulheres guerreiras
gritando suas
independências financeiras.

15/11/2012 Libertação
(Gustavo Bastos)

ERNESTO, O HONESTO

Ernesto é um homem honesto.
Devolve o troco que
vem a mais,
conta a verdade
mesmo quando
ela dói,
não falta ao trabalho,
não reclama dos dramas
e das tragédias.

Ernesto é um homem honesto
e repleto de compaixão.
Ama a vida, ama a sua
única mulher,
nunca teve outra,
ama seus filhos,
ensina-os a honestidade,
o caráter,
a ética,
a humildade,
a coragem,
tem os pés no chão,
reza a favor do mundo,
dá esmola,
ajuda um cego
a atravessar a rua,
ele sorri ao se deitar,
não chora à toa,
todos gostam dele,
Ernesto é o homem
mais amado do mundo.

15/11/2012 Libertação
(Gustavo Bastos)

DO MANIFESTO

Não esqueço a palavra,
mesmo quando está encantada,
quando custa à pena
desempená-la.

Ai, que de tudo tenho
dito com esta palavra,
com estas palavras!
E outras, aquelas que
vêm de acolá,
de um sei lá,
talvez de um
não-lugar.

Eu encontro a palavra súbita
no poema,
monto o quadro
que ela
me dá,
palavra sucinta,
breve e prolixa,
palavra composta
no verbo
que afirma
e confirma
no verso
o mistério
de seu uso
manifesto.

15/11/2012 Libertação
(Gustavo Bastos)

BATIMENTO DA MÁQUINA

Quando o tempo se abriu,
eu vi claro o sonho vítreo.
Passou em mim a totalidade
como uma certeza de ser absoluto.

Cada instante como engrenagem
de uma grande máquina
pensante chamada universo.

Os livros que li formando
mapas infindáveis
na minha cabeça,
ouvindo o meu próprio ser
com o sentido fundante
que nunca se pega
senão no sopro do vento,
os significados e sons
conjugando
um grande sistema
onde
estou acompanhado
de fantasmas e pessoas
no imenso entorno
do meu corpo
onde eu estou e sou,
e a vida pulsando
austera como um relógio
ritmado com
a batida
do meu coração.

10/11/2012 Libertação
(Gustavo Bastos)