PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

sábado, 2 de outubro de 2010

ROMÂNTICOS ETERNOS

Meu amor, se o alarme dispara

na paixão,

não é por nossa culpa ou vontade.

O amor acende a sua chama

sem avisar,

e a escolha que nos toma

é amar a vida até morrer.



Meu amor, amor meu,

se eu navego com o horizonte,

é porque te amo

sem ocultar o meu sentimento.



Sabor doce é a canção

quando começa a primavera,

e então nos conheceremos

na flor alva da compaixão,

inundados de toda luz

que ainda temos dentro de nós,

se o mar oceano da paixão,

meu amor,

permita que vivamos em paz,

e a paz de nós dois

será a paz do coração

depois do atentado

que nos feriu,

depois da mentira

que nos afogou,

mistério deste amor

eterno amor.



29/11/2008 Poemas de Amor e Outros Verões

by Gustavo Bastos

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

OS HERÓIS ANTISSOCIAIS

Caí em minha dimensão única de plenitudes e desvarios. Ouvindo “Fire” de Jimi Hendrix, um ser de cocaína pura, noite do vagar estrelado que irrita o jovem poeta com suas memórias etílicas. O flagrante o levou embora para uma esfera restante da paixão.

Oras, que horas são? O tempo desta prosa me faz cantar inutilmente para a mulher que passa e me ignora, eu sou o torpor da noite casta de sexo, farândola, faca, tesoura, copo, garrafa, relógio, objetos fúnebres sobre a minha tumba, um drink para comemorar a messe que vos deixo em meus escritos, são sinceros, sinceros e ridículos, são trevas de luz e um paradoxo flutuante.

Me lembro das tramas de Hitchcock que me envolveram de forma brutal tal como um conto de Poe. Eu li a vida de escritores e loucos, todos morreram de overdose, todos morreram por excesso de vida!

E quando estarei entre eles, no céu dos músicos? Lá onde as drogas são romantizadas com perfumes de flores e devaneio carnal? Não vou ficar aqui neste mundo sem uma vida extraordinária, não vou ficar com o terrível sonho do jardim, nem com a vã inspiração de um matadouro de santos.

Eu entendo Kurt Cobain, entendo Sid Vicious, adoro o rock`n`roll de nuas canções, sou adepto das viagens psicodélicas, sou uma floresta de arroubos e rompantes de imaturidade fatal.

Quando vejo o lugar ideal, este está no paradeiro enigmático e triste de Syd Barrett, o louco elegante. O lugar ideal é Pompéia, escutando Pink Floyd e lendo Jack Kerouac, depois me vem a insanidade de Burroughs e suas seringas, um tempo de cólera acorda com os niilistas da corja de punks sujos e bêbados brigando com skinheads anátemas.


Eu acordo do sonho dos hippies, lá estavam os doidões do Grateful Dead, vem agora o tempo me dizer que todos eles morreram, a nostalgia pode ser curada com um pouco de inalantes, a vida é uma dança macabra, e os sonhos de poeta são a passada desta dança em forma de palavras, palavras que não dizem nada de importante, mas que são palavras que harmonizam com a existência. Hoje acordei meio grunge, quero ouvir um Alice In Chains e pensar na morte da heroína, venho aqui lembrar dos heróis antissociais, estes marginais que foram devorados pelo mainstream como grandes estandartes do “born to be wild”, todos os que morreram com 27 anos, da maldição de serem atemporais, tenho no sangue o desejo destes sonhos, mas já passei pelo perigo, e agora estou são dentre os restos dos adoradores do Diabo. Tudo é passado selvagem, e a vida então vive do agora como a embriaguez da poesia, vestimenta dos revolucionários, tempo dos temerários, vida dos desregrados, sentido da arte, caos do sentimento, a intensa alma que ilumina o mundo, um dia de liberdade em Woodstock, nada mais.



12/09/2010 Gustavo Bastos

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O AMOR DO MAR (EROS E O DESEJO)

A mitologia do desejo

é Eros, o arpão da paixão,

flecha possuída do desejo.



Dizem ser o amor do mar

a luz esbelta do corpo ausente.



Dizem que o amor do mar

é sincero em sua onda reluzente.



Pois sou filho do mar,

filho do amor do mar.



Severa é a chama apaixonada

que deseja uma mulher íntegra

em seu devaneio.



Eros se masturba e logo quer

o vinho que dança

no corpo desta mulher.



Eros devaneia e se embriaga

da paixão de asas e vôo.



Dizem que o amor do mar

é a imensidão pouco explorada

de suas profundezas.

É o castelo que ergui

em busca da musa misteriosa.



A mitologia do desejo

é o amor do mar

em puro devaneio,

nas suas enseadas sensuais

de corpo inteiro.



26/11/2008 Gustavo Bastos

MINHA MUSA

O que temer em teu corpo

senão o teu beijo?

O que esperar de teu beijo

senão o teu corpo?



Dourava sob o sol aberto,

e a pele que dourava

era do mesmo corpo

com que vinhas balançar

a juventude de teus olhos

nos meus que choravam

por te perder benquista chama.



O que sentir em meu poema

senão o teu amor?

Amante do que amas intensamente

o meu amor no teu canto estelar.



Quem era você na vida solar

da praia nua?

Quem diria que foi minha

e ainda é minha?



Sou o meu corpo, sou a minha alma,

mas só contigo

posso ser o nosso amor,

tal como você é

a minha estrela.



16/11/2008 POEMAS DE AMOR E OUTRAS VERÕES

A BARCA DO TEMPO

Pude sonhar com a barca

de tais sentidos

na vida entre os mares,

e entregar outra revolta

senão os cascos na noite atravessada.



Percorri todos os horizontes,

todas as chamas,

todas as uvas.



Descobri a chuva num monte gelado,

devorei a sinuosidade

da carne posta

ao supremo poder da chuva.



E depois retomei os passos puxados,

fui entre as febris montanhas

cavalgar o espírito do grito,

e levar tudo de roldão

com a barca inesperada.



Pois entrei no fundo silêncio,

e fui depositar meu elo

com a nuvem secreta

do perdão,

sem chorar

ataques de morte,

ou entregar a vida

em vão.



17/11/2008 PALAVRAS SUBTERRÂNEAS

ANÚNCIO PERDIDO

Embarquei no que restou dos sentimentos,

louvei a alma em flor

com o resto dos meus pecados.



E dei a palavra, para os sentimentos.

Eu ainda posso sentir

o cosmo que mora na palavra,

já que não posso prever o futuro

que me aguarda.



De mim sou pó, pergunto o que devo

fazer do meu pó.

E respondo ao vento

o que ele sopra de verdade.



Tanto assim o que sinto,

pois de tanto que sinto,

a falta de você me isola do coração,

e eu atravesso o relâmpago do tempo

para morrer de amor

numa praia deserta,

levantando um poema de enfim

o que é alma e palavra

no fogo de mim.



24/09/2008 Poemas de amor e outros verões

SONETO EXPERIMENTAL

(soneto decassílabo heroico)


Hoje entro na visão que me trás perto

o amor da eterna lírica canção.

Diamantes e tesouros de roldão

que caem como estrelado véu do verso.



Por detrás deste véu, posso ver crédulo

o mar se abrir no corpo de uma unção,

e não aceitar refeito o meu desvão.

Choro por ti! Os olhos teus despertos!



E sempre que tiver aqui irei vê-la,

talvez como quimera no verão,

apenas navegando para tê-la.



Logo que a vi foi a fúria do trovão,

eterno palco orgânico da estrela,

para levitar fundo o coração.



12/10/2008 Sonetos da Eternidade (by Gustavo Bastos)