PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O AMOR DO MAR (EROS E O DESEJO)

A mitologia do desejo

é Eros, o arpão da paixão,

flecha possuída do desejo.



Dizem ser o amor do mar

a luz esbelta do corpo ausente.



Dizem que o amor do mar

é sincero em sua onda reluzente.



Pois sou filho do mar,

filho do amor do mar.



Severa é a chama apaixonada

que deseja uma mulher íntegra

em seu devaneio.



Eros se masturba e logo quer

o vinho que dança

no corpo desta mulher.



Eros devaneia e se embriaga

da paixão de asas e vôo.



Dizem que o amor do mar

é a imensidão pouco explorada

de suas profundezas.

É o castelo que ergui

em busca da musa misteriosa.



A mitologia do desejo

é o amor do mar

em puro devaneio,

nas suas enseadas sensuais

de corpo inteiro.



26/11/2008 Gustavo Bastos

MINHA MUSA

O que temer em teu corpo

senão o teu beijo?

O que esperar de teu beijo

senão o teu corpo?



Dourava sob o sol aberto,

e a pele que dourava

era do mesmo corpo

com que vinhas balançar

a juventude de teus olhos

nos meus que choravam

por te perder benquista chama.



O que sentir em meu poema

senão o teu amor?

Amante do que amas intensamente

o meu amor no teu canto estelar.



Quem era você na vida solar

da praia nua?

Quem diria que foi minha

e ainda é minha?



Sou o meu corpo, sou a minha alma,

mas só contigo

posso ser o nosso amor,

tal como você é

a minha estrela.



16/11/2008 POEMAS DE AMOR E OUTRAS VERÕES

A BARCA DO TEMPO

Pude sonhar com a barca

de tais sentidos

na vida entre os mares,

e entregar outra revolta

senão os cascos na noite atravessada.



Percorri todos os horizontes,

todas as chamas,

todas as uvas.



Descobri a chuva num monte gelado,

devorei a sinuosidade

da carne posta

ao supremo poder da chuva.



E depois retomei os passos puxados,

fui entre as febris montanhas

cavalgar o espírito do grito,

e levar tudo de roldão

com a barca inesperada.



Pois entrei no fundo silêncio,

e fui depositar meu elo

com a nuvem secreta

do perdão,

sem chorar

ataques de morte,

ou entregar a vida

em vão.



17/11/2008 PALAVRAS SUBTERRÂNEAS

ANÚNCIO PERDIDO

Embarquei no que restou dos sentimentos,

louvei a alma em flor

com o resto dos meus pecados.



E dei a palavra, para os sentimentos.

Eu ainda posso sentir

o cosmo que mora na palavra,

já que não posso prever o futuro

que me aguarda.



De mim sou pó, pergunto o que devo

fazer do meu pó.

E respondo ao vento

o que ele sopra de verdade.



Tanto assim o que sinto,

pois de tanto que sinto,

a falta de você me isola do coração,

e eu atravesso o relâmpago do tempo

para morrer de amor

numa praia deserta,

levantando um poema de enfim

o que é alma e palavra

no fogo de mim.



24/09/2008 Poemas de amor e outros verões

SONETO EXPERIMENTAL

(soneto decassílabo heroico)


Hoje entro na visão que me trás perto

o amor da eterna lírica canção.

Diamantes e tesouros de roldão

que caem como estrelado véu do verso.



Por detrás deste véu, posso ver crédulo

o mar se abrir no corpo de uma unção,

e não aceitar refeito o meu desvão.

Choro por ti! Os olhos teus despertos!



E sempre que tiver aqui irei vê-la,

talvez como quimera no verão,

apenas navegando para tê-la.



Logo que a vi foi a fúria do trovão,

eterno palco orgânico da estrela,

para levitar fundo o coração.



12/10/2008 Sonetos da Eternidade (by Gustavo Bastos)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

CONCERTOS PARA O SOL DA MORTE

De que vale um tostão à toa na noite dos nababos?

Quem vem? Se minha pátria é um dia morno,

Quando esperava o instrumento musical,

Quando esperava a mulher ideal,

Quando roubei ouro insano

Para umas férias no sal das minhas retinas,

Doido por me valer da vida

O máximo de loucura que se é capaz de ter,

Para se ter todas as certezas do mundo

Num só milagre que gritou no meu estômago.



As vozes repetidas, cavalos em meu pátio,

Desonra infinita e meus nervos mortos,

A pele sufocada numa imagem qualquer

De arte velha.



Eu descobri o mundo:

São vários míseros campos desolados,

Raízes de almas arrancadas,

Guerra do orgulho que há nos fuzis,

Venenos em mãos de desgraçados,

E um tanto de gosto popular

Nas voracidades do açougue diário.



Veja o sol: ele se virará contra todos

Os que dele blasfemam,

Até queimar o mundo inteiro.

PEQUENO ATO SEM PERSPECTIVA

Fui pego alguns dias por uma loucura divina

Que me ameaça em todas as nuances da alma

E dou por risco viver a sobrevida

Face ao espanto abismo das sensações

Depois de me perder cego das físicas

Das obsessões quando procurei pelo melhor vinho

Em toda viagem caem palavras que não são refúgio

Ou algo além do que pude ver por toda esta

Viagem da vida



Eu pude ser bravo e idiota nesses dias

De quebrar vidros e me cortar seriamente

Concentrado brutal no dorso do Diabo

Mais nefasto que um porco assassino

Ou tive que lutar ininterruptamente

Em flagelo torto vendo overdoses



Bem o tudo de tudo passando sem eu pegar o tempo

E num recanto de torpeza e egoísmo

Eu tive o meu desenho da agonia

Por versos que divagam o olhar da fúria

Ó meu consolo meu open fire!

Era alguma solução esquecimento da equação

Para não lembrar do amor

E plantar núpcias em vão

Que do segredo no livro do universo

Guardei calado

E que sobrou ainda em poemas

O castigo da má canção



Eu me desculpo e deito bêbado