PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

BANKSY

“Banksy mistura uma arte característica com estêncil a uma maestria de performance com ativismo político”

Banksy nasceu em Bristol, na Inglaterra, no dia 28 de julho de 1973, e que até hoje não teve a sua identidade revelada. O artista plástico apareceu junto com o grande boom do aerossol em Bristol no fim dos anos 1980, e se envolveu com o graffiti, se destacando por sua técnica com o estêncil.

Banksy logo teve a sua arte associada a influências como a de Blek le Rat, que começou a trabalhar em Paris com estêncil em 1981. Também pode estar ligado à campanha de graffiti que a banda anarco-punk Crass realizou no metrô de Londres no fim dos anos 1970.

Banksy seguiu a melhor tradição do graffiti, muitas vezes encarado como uma forma de vandalismo, e atuou em locais públicos, como ruas, paredes e usando objetos para expor a sua arte. Banksy não vende seus trabalhos diretamente, o que colocou certos problemas para alguns leiloeiros que tentaram vender suas obras públicas, mas tiveram dificuldades em como remover o desenho nas mãos dos compradores.

As obras de Banksy se concentram em Bristol, Londres, Nova Iorque, Los Angeles, Paris e muitas outras cidades, também incluindo a Palestina. O artista começou a se destacar pelos seus trabalhos de graffiti com estêncil já nos anos 1990.

A técnica de estêncil que consiste em aplicar um desenho através de um corte no papel por onde se passa a tinta ou spray aerossol, o que garante uma confecção bem rápida de uma obra de arte. A proteção da identidade de Banksy é garantida por uma equipe de colaboradores que montam tapumes ao redor do artista para ele pintar escondido vestindo um capuz.

Em Bristol um incidente deixou bem claro a valorização do artista como tendo a sua arte se tornado patrimônio da cidade, uma vez que funcionários contratados pela prefeitura de Bristol cobriram de tinta para combater a pichação o mural “artista guerrilheiro” de Banksy. A obra de pouco mais de 7 metros de comprimento foi coberta por uma tinta preta.

O resultado foi que o conselho municipal de Bristol abriu uma investigação sobre o erro e determinou que todas as obras de Banksy na cidade deveriam ser preservadas. O mural era um dos primeiros trabalhos artísticos de Banksy e já tinha uma de suas marcas registradas que é uma coleção de formas azuis. Depois deste incidente, a ordem era a de que nenhum mural de Banksy poderia ser removido.

Banksy é um artista que reúne crítica política e social com mensagens de efeito e pinturas de figuras icônicas, e antes de sua fama mundial, já tinha estampado a capa do sétimo álbum da banda de brit pop Blur, em 2003, e pintado notas de 10 libras com a imagem da princesa Diana no lugar da imagem original da rainha Elizabeth, notas que foram vendidas por 200 libras. Além de ter acrescentado penetras em museus.

A atuação de Banksy na Palestina, por sua vez, também se destacou, por exemplo, em obras como o mural “Soldier Throwin Flowers” de 2005, umas das obras icônicas do artista, a qual mostra um cidadão com o rosto coberto por um lenço, em um gesto atirando um ramo de flores, ao invés de uma bomba. Por sua vez, no mural “Stop and Search” de 2007, em Bethlehem, na Palestina, o artista pintou um soldado encostado no muro sendo revistado por uma menina.

Na Disneylândia, em 2006, o artista entrou como turista levando um boneco inflável na mochila, o boneco trajava um uniforme dos detentos da prisão de Guantánamo. E as interações de suas obras independentes com acervos de museus se destacou quando Banksy fez uma intervenção em 2009, que foi a exposição “Banksy vs Bristol Museum”, que atraiu cerca de 300 mil pessoas em 12 semanas, em que as obras de Banksy interagiam com o acervo permanente do museu.

Em 2010, Banksy dirigiu o documentário “Exit Through the Gift Shop”, que conta a história de Thierry Guella, um imigrante francês que mora em Los Angeles e a sua visão sobre a arte de rua, documentário que estreou no Festival Sundance em janeiro de 2010 e foi premiado com o Spirit Award, que é como um Oscar do cinema independente.

Em 2013, Banksy esteve em Nova Iorque e espalhou seu trabalho pelas paredes da cidade, e fez um protesto contra a construção do novo World Trade Center, em seguida o jornal The New York Times se recusou a publicar um artigo de opinião do artista, e então Banksy escreveu numa parede : “Esse local contém mensagens bloqueadas”.

Obras de protesto são numerosas na arte de Banksy, como o trabalho “A Selva”, num campo de refugiados na França, e outra com Steve Jobs com um Macintosh antigo em uma das mãos e uma sacola preta na outra para lembrar que o pai de Jobs era imigrante sírio.

Outra obra tem uma livre interpretação de “Le Radeau de la Méduse", em uma cena de naufrágio, mas com um iate de luxo ao fundo, aonde Banksy escreve em seu site : “Não estamos todos no mesmo barco”.

Em 2012, Banksy pintou o mural Slave Labor (Trabalho Escravo) na parede lateral de uma loja de Poundland em Wood Green, Londres, em que o mural mostra uma criança ajoelhada no chão trabalhando em uma máquina de costura, como um protesto contra o uso do trabalho escravo para a fabricação de lembrancinhas para o Jubileu de Diamante da Rainha e para as Olimpíadas de Londres de 2012.

Em 2017, em Dover, no sudeste da Inglaterra, apareceu um painel que faz referência à saída da Inglaterra da União Europeia, com a imagem de um trabalhador em cima de uma longa escada, na imagem ele está apagando uma das estrelas da bandeira da comunidade europeia. Por sua vez, uma de suas obras mais icônicas se encontra em Londres, feita em 2002, que é o mural intitulado "Girl With Ballon".

A polêmica, contudo, veio no dia 5 de outubro de 2019, quando no salão da Sotheby’s, a mais famosa casa de leilões de arte do mundo, o quadro de Banksy intitulado “Garota com Balão" foi vendido, Banksy pintou a imagem que reproduz o grafite pintado no muro de Londres, em 2002.

O evento polêmico da Sotheby`s se deu quando o leiloeiro bateu o martelo na mesa, pois logo em seguida um mecanismo começou a funcionar e a parte de baixo do quadro foi picotada. A performance dobrou o valor do quadro.

A especulação mais comum sobre a identidade de Banksy gira em torno do músico Robert Del Naja, da banda de trip hop Massive Attack, que muitos dizem ser Banksy, mas o que se sabe é de sua origem em Bristol. Sua arte tem uma assinatura forte, podendo ser percebida assim que aparece em qualquer lugar do mundo.

O legado de Banksy para a arte também se passa pelo chamado “efeito Banksy” para nomear o interesse em outros artistas de rua que saíram do circuito oficial de galerias de arte, o que demonstra a sua enorme influência na arte e também na cultura pop.

Com intervenções incômodas e quando menos se espera, Banksy mistura uma arte característica com estêncil a uma maestria de performance com ativismo político bastante original e polêmica.

Link recomendado : Banksy Artwork Shredded After Selling at Auction May Have Increased in Value : https://www.youtube.com/watch?v=eXKE0nAMmg4

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário :  https://www.seculodiario.com.br/colunas/banksy 

 

 

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

LORDS OF CHAOS – A SANGRENTA HISTÓRIA DO METAL SATÂNICO UNDERGROUND – PARTE XI

“o equívoco fundamental de uma ideologia nacionalista que tenta salvar a própria cultura através da aniquilação”

Na visão de Varg Vikernes, o músico atribui os incêndios de igrejas na Noruega devido ao Cristianismo ter destruído tradições originais do folclore norueguês e mitologia nórdica, que vinha do paganismo. Os incêndios seriam uma espécie de levante contra esta invasão da igreja cristã no território norueguês. O Burzum, one man band de Varg, por sua vez, seria uma arma de encorajamento para estes eventos, segundo o músico : “sonho sem base na realidade. É feito para estimular as fantasias de mortais – para fazê-los sonhar”.

Em Lords of Chaos, podemos ler : “Ainda que Vikernes e os outros detidos por queimar igrejas tenham dado motivações para seus atos que vão além da crueldade, nenhum deles expressou nenhum grau de remorso pelo sofrimento que causaram nas vidas de sacerdotes e fiéis, ou pelo doloroso impacto nas comunidades vizinhas. Na época de sua primeira prisão relacionada aos incêndios, Vikernes fez uma série de comentários extremamente sádicos aos jornais e revistas, que refletiam as preocupações iniciais do black metal norueguês com espalhar o “mal” e a dor.”

Contudo, a carga simbólica dos incêndios de igrejas cristãs vai para além da mera crueldade, há um fator ideológico relacionado a uma preservação cultural, um tipo de vingança. Por sua vez, os dois casos que ganharam mais repercussão foram os incêndios das igrejas de Fantoft e Holmenkollen, que eram mais peças de museus do que verdadeiras congregações, e segue Lords of Chaos : “Por outro lado, a igreja Hauketo, nos arredores de Oslo, tinha uma congregação ativa. Na madrugada do dia 3 de outubro de 1992, a igreja da paróquia queimou até não restar nada.”

Vikernes foi condenado pelo tribunal de Oslo a indenizar os prejuízos causados pelos incêndios, contudo, seu advogado alegou inocência de todas  as acusações, e Varg ostentava uma expressão de desdém durante o julgamento, uma vez que já se negara a pagar as indenizações, ficando ao fim com uma dívida de juros que somavam quase um milhão de coroas. A igreja de Fantoft, por sua vez, se tornou o maior símbolo deste período conturbado que envolveu a cena black metal norueguesa.

Varg Vikernes, numa entrevista, diz o seguinte : “Eu não fui julgado culpado pela queima da igreja de Fantoft em Bergen, mas, de qualquer forma, foi isso que engatilhou a coisa toda. Foi no dia 6 de junho, e aí todo mundo ligou com o satanismo, por causa do 06/06, e foi no 6º dia da semana.

O que todo mundo ignorou foi que no dia 6 de junho de 793, em Lindisfarne na Grã-Bretanha, o primeiro saqueio viking conhecido na história aconteceu, com vikings de Hordaland, que era o meu condado. Ninguém fez essa ligação – ninguém. Aquela igreja é construída em solo sagrado, um círculo natural e um horg de pedra (um altar pagão). Eles enfiaram uma grande cruz no topo do horg e construíram a igreja no meio do lugar sagrado.”

O ingresso da cena black metal norueguesa se deu, por sua vez, na conhecida e polêmica entrevista de Varg ao Bergens Tidende, em 20 de janeiro de 1993. E Lords of Chaos segue : “No bojo do interrogatório de Varg pela polícia de Bergen, uma série de outros membros da cena black metal também foram detidos por diferentes departamentos policiais, e interrogados a respeito de incêndios em igrejas e do assassinato do homossexual em Lillehammer, incluindo Samoth e Bard Eithun, do Emperor – o último, inclusive, que seria considerado culpado pelo homicídio. Ainda assim, não havia evidências o bastante e todos foram soltos após serem interrogados.”

Em Lords of Chaos, a expansão da repercussão da cena black metal fica estampada no seguinte fato : “Quando a onda de crimes anticristãos passou a ser vista como algo que emanava, de alguma forma, do movimento black metal, a atenção da mídia começou a crescer em escala exponencial, para a alegria dos principais mobilizadores da cena, Vikernes e Aarseth. O artigo mais infame da época foi uma matéria de capa na edição 436 da importante revista britânica de metal Kerrang!, que chegou às bancas em 27 de março de 1993.

Quanto à estética da publicação, se dava da seguinte forma : “Dominada por uma foto marcante de Vikernes olhando por sob longas mechas do seu cabelo tingido de preto, com duas gigantescas facas cruzadas nas mãos, a capa também apresentava uma igreja em chamas e uma inserção menor de uma foto da banda Emperor, trajando corpse paint, mantos com capuz e armas medievais. A manchete estilo tabloide promete : “INCÊNDIO ... MORTE ... RITUAL SATÂNICO ... A Verdade Feia do Black Metal”. Do lado de dentro, a matéria de cinco páginas apresenta ao resto do mundo, com muito sensacionalismo, a versão norueguesa do black metal.”

Numa entrevista dada por Bard Eithun, segue o relato sobre o assassinato cometido por ele : “Eu estava na rua, eu tinha saído pra beber mas eu não quis porque tinha muita gente, então eu estava voltando para casa. Esse homem se aproximou de mim – ele estava obviamente bêbado e era obviamente um veado. Ele queria falar comigo. (...) Aí ele me perguntou se a gente podia sair dali e ir até o bosque. Aí eu aceitei, porque ali eu já tinha decidido que eu queria matar ele. (...) Então a gente foi pra dentro do bosque, em um parque grande onde aconteceu a abertura das Olímpiadas de Inverno. Eu costumava sempre ter uma faca no meu bolso de trás. Era uma faca preta com uma empunhadura, do tipo dobrável que trava.

Aí eu não lembro bem o que eu estava pensando, mas eu ao menos sabia que se eu não fizesse agora, eu não teria outra oportunidade. Aí eu saquei a faca, virei e esfaqueei ele. Ele estava andando atrás de mim, eu me virei e enfiei a faca na barriga dele. Depois disso eu não lembro de muita coisa, só que era como se eu estivesse olhando para todo o incidente por olhos que estavam fora do meu corpo. Era como se eu estivesse olhando duas pessoas brigando – e uma delas tinha uma faca, então era fácil matar a outra.

Eu estava furando a barriga dele e ele caiu de joelhos. Eu comecei a enfiar a faca no pescoço e no rosto. Aí ele deitou e eu estava em cima dele, dando facadas. Minha intenção era tirar toda a vida dele. Eu não queria que ele conseguisse sobreviver e ir pro hospital e me denunciar. Era mais fácil matar ele e ir embora e esperar que tudo desse certo.

Ele tentou me derrubar, mas não é fácil quando a outra pessoa tem uma faca. Ele estava deitado e eu queria matar ele. Eu dei uma facada com muita força nas costas, e atravessou a escápula. Eu tive que pisar nele pra conseguir tirar, porque a faca estava presa entre os ossos. Foi provavelmente aí que ele morreu. Depois disso eu quis caminhar, e eu caminhei um pouco, mas aí ele fez uns barulhos. Eu pensei, “ele não está morto”, e voltei pra lá e chutei a cabeça dele com meu coturno, várias vezes. Eu queria ter certeza que ele estava morto. Depois disso eu fui embora.”

Aqui temos descritas mais algumas polêmicas sobre a cena black metal norueguês, seu ingresso no mainstream devido sobretudo à entrevista na Kerrang, e todo o contexto de demência ideológica que tentava justificar ideias de vingança cultural, com o enfrentamento pseudo-político de ações terroristas perpetradas por jovens que cultuavam um tipo de crueldade e ostentavam o mal com uma mistura anódina de culto pagão para negar que estavam cometendo crimes.

A cena teve muita repercussão pelo sensacionalismo da imprensa, que logo colocou manchetes chamativas e fotos impactantes para produzir o efeito desejado de polêmica e choque, o terror como um dos motores mórbidos de parte de uma mídia que precisa estar fazendo o seu barulho usual para poder ter sucesso, o que coloca a cena black metal norueguesa, tanto no contexto da Bergens Tidende como da Kerrang, como um prato cheio para uma boa vendagem e garantias de ibope. As revistas de rock, nestes casos, pareciam mais ou tabloides ou páginas criminais compradas em bancas de quinta.

Toda a ostentação de Varg, que beirava a demência, tinha toda uma vestimenta intelectualizada, com conhecimento histórico e mitológico, um tipo de vestimenta que nunca oculta todo o equívoco fundamental de uma ideologia nacionalista que tenta salvar a própria cultura através da aniquilação, da vingança e do crime, o terrorismo como luta cultural semelhante ao extremismo hediondo de jihads deformadas e anódinas, feitas para produzir somente o caos e a morte.

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário :  https://www.seculodiario.com.br/cultura/a-sangrenta-historia-do-metal-satanico-underground-parte-xi 

 

 

 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

METAVERSO

“o fim da fronteira entre virtual e real”

Mesmo com uma expansão ainda incipiente da nova tecnologia 5G, que vem para instalar a internet das coisas em muitos lugares do mundo, já existe uma pesquisa que avança na direção do 6G, que deve ser ativada em torno de 2030.

Temos iniciativas como a da Apple, que já faz estudos com engenheiros contratados, nas áreas de sistemas sem fio, rumo a uma independência tecnológica da empresa, que hoje possui modens 5G projetados pela Qualcomm.

A Samsung, uma das concorrentes da Apple, divulgou em julho de 2020 um documento detalhando estratégias para o 6G, uma rede que poderia atingir velocidades bem maiores que a do 5G, pois a empresa sul-coreana espera ter uma rede cuja latência seja de 100 microssegundos.

Tal velocidade de conexão causará uma transformação completa em tecnologias de realidade estendida, como as de realidade virtual, aumentada ou mista, inteligência artificial, hologramas, também com avanços na medicina, na educação, na indústria cultural e na indústria produtiva. A Samsung espera concluir este projeto até 2028, quando se tornará comercial.

Pesquisas também são feitas pela Huawei e Xiaomi, e na China os resultados dos estudos apontam para uma rede 6G que poderá atingir uma velocidade 8 mil vezes mais rápida que a do 5G. O Japão também entrou nesta corrida, anunciando um investimento de U$2 bilhões, numa parceria com a Toshiba e a operadora NTT Docomo.

Um dos objetivos dos japoneses é o registro de patentes quando as empresas começarem a desenvolver softwares e hardwares conectadas ao 6G. A LG também já iniciou as pesquisas em 6G, enquanto a FCC, equivalente norte-americana da Anatel, abriu as frequências entre 95 GHz e 3 THz para fins experimentais.

Na Europa, por sua vez, temos um projeto comandado pela finlandesa Nokia, o programa Hexa-X, iniciado em janeiro deste ano, com o objetivo de realizar pesquisas para viabilizar as bases de criação desta tecnologia e os fundamentos para a implementação do 6G. O plano de velocidade da Nokia, contudo, é menos ambicioso, em comparação à meta chinesa de atingir uma tecnologia 6G de 1TB (terabyte) por segundo.

Em virtude desta previsão de uma velocidade de conexão sem precedentes, tal instalação do 6G terá um desafio de lidar com uma estrutura física com a expansão de uma rede com frequência altíssima na faixa dos terahertz (THz), um grande desafio para os engenheiros, pois implicaria em instalações mais numerosas de antenas com alta frequência e menor capacidade de cobertura, pois um sinal na casa dos terahertz cobrirá apenas um raio de 10 metros.

Será necessária a criação de uma nova tecnologia de amplificação de sinal, então, para evitar esta grande concentração de antenas. O consumo de energia também terá que ser solucionado, relacionado a novas tecnologias de materiais e de chips para viabilizar comercialmente e ambientalmente o 6G, pois as empresas terão que pesquisar muito para poder produzir novas tecnologias de processadores, componentes, fornecedores de energia, antenas e retransmissores, criando esta infraestrutura para o 6G.

Ainda não há uma previsibilidade exata das aplicações e consequências do 6G, dando azo à imaginação digna de ficções científicas, as comparações possíveis no momento são com as perspectivas já apresentadas e palpáveis do que se espera da internet das coisas com o 5G.

No caso do 5G sua instalação generalizada irá produzir dispositivos instalados em carros, drones, eletrodomésticos, equipamentos urbanos, projetando cidades inteligentes, com auxílio da inteligência artificial em sua aliança à rede sem fio, servidores remotos, edifícios, relógios, sensores nas roupas, casas inteligentes, trânsito e segurança. Toda uma gama de aplicações que já são visualizadas pela internet das coisas do 5G.

O 6G, se é possível fazer uma boa previsão, seria a radicalização do que seria uma cidade inteligente, ficando ainda no campo da fabulação as implicações que virão sobre a realidade estendida. Tudo o que ainda podemos tentar imaginar sobre um 6G em ação, vem das perspectivas que começarão a acontecer com a instalação generalizada do 5G.

Uma das implicações possíveis do 6G, ainda sem uma previsão factível, seria a da produção do que chamam de metaverso, que é um universo digital imersivo, interativo, com alto grau de realidade, com aplicações de realidade aumentada, virtual e da inteligência artificial.

O metaverso, então, seria a produção de um universo digital imersivo que implicaria em um espaço compartilhado coletivamente na web, com experiências físicas recriadas no ambiente digital, com relações offline e online ao mesmo tempo, provocando, enfim, o fim da fronteira entre virtual e real, eis o metaverso.

Portanto, podemos imaginar, guardadas as proporções, o metaverso como um tipo de “matrix”, um ambiente em que distâncias geográficas desapareceriam, criando novas relações de trabalho e de vida social, rompendo com a lógica binária das atuais videoconferências, que se intensificaram com a pandemia, pois nestas há dois momentos, primeiro, a duração da transmissão, segundo, a vida fora dela, offline.

No caso do metaverso esta interação entre virtual e real seria permanente, um mundo em que tudo estaria tomado por realidade aumentada, virtual e inteligência artificial, em meio ao mundo físico e natural. As interações romperiam com a lógica binária ainda vigente entre online e offline.

O metaverso é uma manifestação em crescimento da internet 3.0, esta que sucederá a atual internet, e a definição deste metaverso dependerá desta nova tecnologia web e seu desenvolvimento concomitante com a expansão e aplicações do 5G e da nova tecnologia do blockchain.

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário : https://www.seculodiario.com.br/colunas/metaverso 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

WISLAWA SZYMBORSKA É UMA POETA DA REFLEXÃO FILOSÓFICA

“o seu caminho para o Nobel foi pavimentado na esteira de várias premiações”

A Polônia, mesmo com uma língua difícil para o leitor estrangeiro, repleta de encontros consonantais desafiadores para quem se debruça sobre isto, é um país que produziu ótimos poetas, ganhadores do Prêmio Nobel que, além de Wislawa Szymborska, em 1996, temos como laureado o poeta Czeslaw Milosz, em 1980. 

Wislawa Szymborska tem uma poesia que se instaura como um tipo de reflexão filosófica, e tem um caráter sintético, fruto de um trabalho de escrita meticuloso, tal um ourives ou escultor que não se apressa, pois há os poetas que escrevem com pressa, e eu me incluo nestes, mas Wislawa tem que reescrever até chegar a seu ponto de bala. A simplicidade com profundidade filosófica é exatamente a síntese deste trabalho de depuração constante em sua poesia.

Wislawa Szymborska (pronuncia-se mais ou menos Vissuáva Chembórska) nasceu em 1923, no vilarejo de Bnin, hoje parte de Kórnik, uma pequena cidade próxima a Poznán. Em 1931 a família mudou-se para a Cracóvia, onde a poeta passou a viver. A poeta estudou Sociologia e Literatura na Universidade Iaguielônica de Cracóvia, sem se formar, no entanto. Se casou em 1948 e se separou em 1953 de sua união com o poeta Adam Wlodek.

A poeta, em meio a era stalinista, tem seus dois primeiros volumes de poesia no espírito deste tempo político, com temas que rezavam a cartilha desta ideologia, que são os livros de poesia : Por isso vivemos, de 1952, e Perguntas feitas a mim mesma, de 1954. Posteriormente, com a morte de Stálin e a distensão do regime polonês, temos a recuperação da voz individual dos poetas, não mais diluídos numa pretensa universalidade ideológica.

Em 1957, por sua vez, Wislawa Szymborska publicou Chamado por Yeti, que ela considera sua verdadeira estreia literária, já com sua personalidade poética se consolidando, seu traço se definiria a partir deste livro de poesia.

Sem uma produção prolífica, a poeta publicou poucos volumes de poesia, sua obra contém algumas centenas de poemas publicados em cinco décadas, o que dá doze livros que, além dos três citados, temos : Sal, de 1962, Muito divertido, de 1967, Todo caso, de 1972, Um grande número, de 1976, Gente na ponte, de 1987, Fim e começo, de 1993, Instante, de 2002, Dois pontos, de 2005, e Aqui, de 2009.

Wislawa Szymborska também atuou como cronista, e a sua produção como colunista rendeu três edições em livro, e a sua temática era bem ampla, pois envolvia literatura, biografias, culinária, autoajuda, cães e uma espécie de faça você mesmo, e muitas de suas crônicas são caracterizadas pelo humor da poeta.

Wislawa Szymborska ganhou muitos prêmios literários na Polônia e no exterior, incluindo o prêmio Goethe, na Alemanha, em 1991, o prêmio Herder, na Áustria, em 1995, e o prêmio do Pen Club polonês, em 1996.

Portanto, o seu caminho para o Nobel foi pavimentado na esteira de várias premiações, a poeta se saiu bem como escolhida para estas láureas que impulsionam a carreira de qualquer escritor, claro, com talento reconhecido e não por mágica.

A poeta Wislawa Szymborska, falando do período histórico em que viveu, compartilhou com os escritores que eram os seus contemporâneos, o fato de terem vivido no entreguerras, atravessando a Segunda Guerra Mundial, como terem vivido por quatro décadas sob o totalitarismo comunista.

Os poetas desta geração que se destacam, junto com Szymborska, além de Milosz, são Zbigniew Herbert e Tadeusz Rózewicz. E a reflexão destes poetas sobre a condição humana e o testemunho sobre a barbárie do século XX estão presentes na poesia desta geração.

POEMAS :

CHAMANDO POR YETI (1957)

REPENSO O MUNDO : A poeta aqui enuncia em uma temática bizarra e criativa um poema que faz uma edição bem interessante, e que se propõe a repensar o mundo, no que temos : “Repenso o mundo, segunda edição,/segunda edição corrigida,/aos idiotas o riso,/aos tristes o pranto,/aos carecas o pente,/aos cães botas.” E a poeta Szymborska destina a um público diverso, povoado de idiotas, tristes e demais espécies, esta sua edição, e que começa por um glossário da natureza, um tipo estranho e poético de um livro da vida, no que segue : “Eis um capítulo :/A Fala dos Bichos e das Plantas,/com um glossário próprio/para cada espécie.” (...) “Essa há muito pressentida,/de súbito revelada,/improvisação da mata./Essa épica das corujas!/Esses aforismos do ouriço/compostos quando imaginamos/que, ora, está adormecido!”. O poema cantarola, faz um tipo de galimatia com esta sua temática que desvela a natureza, e a poeta segue : “O tempo (capítulo dois)/tem direito de se meter/em tudo, coisa boa ou má./Porém – ele que pulveriza montanhas/remove oceanos e está/presente na órbita das estrelas,/não terá o menor poder/sobre os amantes”. Um tipo de dom onipotente, sem mais, toma a ribalta do poema, a poeta está em um estado de uma loucura lúdica, em que move as coisas, e segue : “O sofrimento (capítulo três)/não insulta o corpo./A morte/chega com o sono.”. Ela agora fala do sofrimento e da morte, os maiores desafios da existência, para todos sem exceção, em algum trecho deste tempo enigmático, no que vem : “E vais sonhar/que nem é preciso respirar,/que o silêncio sem ar/não é uma música má,/pequeno como uma fagulha,/a um toque te apagarás.” (...) “Morrer, só assim. Dor mais dolorosa/tiveste segurando nas mãos uma rosa” (...) “O mundo, só assim. Só assim/viver. E morrer só esse tanto./E todo o resto – é como Bach/tocado por um instante/num serrote.”. Que o viver, intensamente e sem prestar satisfações, está sim nos que enfrentam a morte, a dor e o sofrimento, e que descobre a felicidade uma vez lida após o martírio da morte, esta tensão ensina o valor de todas as coisas em sua dimensão completa, se tem o que se lutou, o poema encerra por morrer este tanto, e só assim viver e saber viver.

SAL, 1962

MUSEU : A poeta chama de museu este poema que fala, na verdade, dos termos que não se acabam, que se acomodam e se emboloram, a coisa envelhece e apodrece, pois não se decide em cessar, no que temos : “Há pratos, mas falta apetite./Há alianças, mas o amor recíproco se foi/há pelo menos trezentos anos.” (...) “Por falta de eternidade/juntaram dez mil velharias./Um bedel bolorento tira um doce cochilo,/o bigode pendido sobre a vitrine.” (...) “Quanto a mim, vou vivendo, acreditem./Minha competição com o vestido continua./E que teimosia a dele!/E como ele adoraria sobreviver!”. A poeta, por sua vez, contraria esta fatalidade que é escolha, nada mais que isto, e se rebela com a sua independência existencial, sua liberdade lhe cai bem, competindo com o vestido, mas buscando as suas medidas. Ela vai vivendo, e a vida é isto, não engessa, luta teimosamente para ter a sua própria razão. Aqui me lembro quando Sophia de Mello Breyner Andresen, meu tema anterior, falava da poesia como produto acabado de uma obstinação.

RECITAL DA AUTORA : A poeta reclama que não pode ter uma multidão, como tem um boxeador, algumas pessoas vêm à sala, e o resto é parente, então a poeta se queixa à musa : “Musa, não ser um boxeador é literalmente não existir./Nos recusaste a multidão ululante./Uma dúzia de pessoas na sala,/já é hora de começar a fala./Metade veio porque está chovendo,/o resto é parente. Ó Musa.”. O poema segue em sua descrição de ser poeta, e as imagens brotam de um modo bem interessante, com uma coda que se volta à musa depois que a poeta tenta entender este seu ofício e se começa a leitura : “As mulheres adorariam desmaiar nesta noite outonal,/e vão, mas só ao assistir a uma luta colossal.” (...) “Não ser boxeador, ser poeta,/estar condenado a duras florbelas,” (...) “Na primeira fila um velhinho sonha docemente/que a finada esposa ressuscitou e/assa para ele um bolo com passas./Com fogo, mas não alto, para o bolo não queimar,/começamos a leitura. Ó Musa.”.

MUITO DIVERTIDO, 1967

A ALEGRIA DA ESCRITA : A corça ergue a cabeça, a poeta indaga sobre este caminho do bicho, esta corça está apoiada na verdade e sonda algo, no que vem : “Para onde corre essa corça escrita pelo bosque escrito?/Vai beber da água escrita/que lhe copia o focinho como papel-carbono?/Por que ergue a cabeça, será que ouve algo?/Apoiada sobre as quatro patas emprestadas da verdade/sob meus dedos apura o ouvido.” E a corça se ajeita para a folha branca de onde as palavras irão brotar : “Na folha branca se aprontam para o salto/as letras que podem se alojar mal/as frases acossantes,/perante as quais não haverá saída.” Os poetas vão à caça desta corça, que nesta imagem é o escape veloz das palavras, a caçada é feroz, no entanto : “Numa gota de tinta há um bom estoque/de caçadores de olho semicerrado/prontos a correr pena abaixo,/rodear a corça, preparar o tiro.” E a poeta enlaça este tear de um destino independente, em que um feixe de signos é erguido ou decodificado, o comando da existência pelo poeta em seu poema se dá plenamente, no que temos : “Sem meu querer nem uma folha cai/nem um caniço se curva sob o ponto final de um casco.” (...) “Existe então um mundo assim/sobre o qual exerço um destino independente?/Um tempo que enlaço com correntes de signos?/Uma existência perene por meu comando?”. A poeta então canta a alegria da escrita, uma vingança existencial pela mão mortal, aqui está o poder supremo, toda escrita aspira à onipotência : “A alegria da escrita./O poder de preservar./A vingança da mão mortal.”

ÁLBUM : A poeta retrata a família e fala do amor, neste caso, de pessoas que não sofreram nem de tísica e nem de suicídio, se tivessem sido vítimas de um romantismo frouxo, sem musculatura, que sucumbe ao menor sinal de desdita, no que temos : “Ninguém na família nunca morreu de amor./O que passou, passou, mas nada que alimente um mito./Romeus tísicos? Julietas diftéricas?/Alguns até atingiram uma idade senil./Nenhuma vítima de falta de resposta/a uma carta manchada de lágrimas!”. Não há aqui aquela afetação aguada de quem desmorona num amor excessivo e mole, ou ainda, num derramamento insensato que não se fia num eixo firme de sua própria existência e valores, no que segue : “Mesmo essa de coque extático/e olheiras fundas como depois de uma folia/se foi em meio a uma grande hemorragia/mas não para ti, dançarino, e não com pena. Talvez alguém muito antes do daguerreótipo -/mas desses no álbum, nenhum, que eu tenha sabido./As tristezas se desfaziam em risos, corriam os dias/e eles consolados sumiam-se de gripe.”. A resiliência é um dos caminhos que ergue um temperamento sábio, a fortaleza, uma das virtudes cardeais, neste caso, não nos parece gratuita, mas o dom da vida e da sobrevida, e um dos caminhos, não de suportar as desditas, mas de obter a vitória.

MUITO DIVERTIDO : A poeta descreve aqui a história de uma obstinação, tudo aqui se ergue grandiosamente, tudo pleno de liberdade e de razão, próprio aos obstinados, no que temos : “Anseios de felicidade/anseios de verdade/anseios de eternidade, olhem só!”. O anseio e o anelo são obsediantes, tudo conspira a responder positivamente a esta vontade fortíssima que irrompe em seu ímpeto, a descrição da poeta aqui enuncia a personalidade que se constrói e diz o que é : “Mal distinguiu o sono do despertar,/mal deduziu que ele é ele,/mal talhou em mão a antiga barbatana/pederneira e foguete,/fácil de se afogar numa colher de oceano,/tão pouco divertido que nem diverte o vazio,/só vê com os olhos,/só ouve com os ouvidos,/o recorde de sua fala é o modo condicional,/com a razão incrimina a razão,/em uma palavra : quase ninguém,/mas a cabeça cheia de liberdade, onisciência e o ser/acima da carne insensata,/olhem só!”. Ao fim, a poeta pode concluir em sua coda que a pessoa que ela descreve, em todo este terror volitivo implacável, de que se trata de uma pessoa divertida, uma pessoa de verdade, no que temos : “Só um pouco adiante, adiante ainda um instante,/talvez o tempo do piscar de uma galáxia pequenina!/Que finalmente grosso modo se revele/quem ele será, já que é./E é – obstinado./Obstinado, deve-se admitir, e muito./Com essa argola no nariz, nessa toga, nesse suéter./Seja como for, divertido./Pobre-diabo./Uma pessoa de verdade.”

TODO CASO, 1972

IMPRESSÕES DO TEATRO : A poeta descreve aqui o teatro trágico, e vai ao encerramento em que as cenas fatais são desfeitas, como o fim do espetáculo em que os atores se desfazem de seus atos fatais, a morte revertida, a ressurreição que se dá ao desmontar o proscênio : “Para mim, o mais importante na tragédia é o sexto ato :/o ressuscitar dos mortos das cenas de batalha,/o ajeitar das perucas e dos trajes,/a faca arrancada do peito,/a corda tirada do pescoço,/o perfilar-se entre os vivos/de frente para o público.” Aqui sai a suicida, com os meneios de sua cabeça cortada, um toque de humor de Szymborska : “As reverências individuais e coletivas :/a mão pálida sobre o peito ferido,/as mesuras da suicida/o acenar da cabeça cortada.” Sobre as reverências, personagens inimigos se juntam à saudação, a poeta segue : “As reverências em pares :/a fúria dá o braço à brandura,/a vítima lança um olhar doce ao carrasco,/o rebelde caminha sem rancor ao lado do tirano.” (...) “A entrada em fileira dos que morreram muito antes,/nos atos três e quatro, ou nos entreatos./A volta milagrosa dos que sumiram sem vestígios.”. Ao fim, todos os atores vão saindo, as flores, toda uma cena que se fecha nas cortinas, e a coda fatal, a poeta é esganada : “Mas o mais sublime é o baixar da cortina/e o que ainda se avista pela fresta :/aqui uma mão se estende para pegar as flores,/acolá outra apanha a espada caída./Por fim uma terceira mão, invisível,/cumpre o seu dever :/me aperta a garganta.”

ELOGIO DOS SONHOS : A poeta descreve o sonho, e aqui, neste tecido onírico, toda a plasticidade dos movimentos torna tudo possível, no que temos : “Nos sonhos/eu pinto como Vermeer van Delft.” (...) “Falo grego fluente/e não só com os vivos.” (...) “Tenho talento,/escrevo grandes poemas.” (...) “Não reclamo :/consegui descobrir a Atlântida.” (...) “Fico feliz de sempre poder acordar/pouco antes de morrer.” (...) “Assim que começa a guerra/me viro do melhor lado.” (...) “Sou, mas não tenho que ser/filha da minha época.” (...) “Faz alguns anos/vi dois sóis./E anteontem um pinguim./Com toda a clareza.”. Uma clarividência se mistura magicamente a dons onipotentes, tudo se cria e se recria incessantemente, e todas as faculdades espirituais estão acesas, o sonho para a poeta aqui neste poema é uma autorrealização plena e um estado alterado da mente em que tudo é permitido.

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário : https://www.seculodiario.com.br/cultura/wislawa-szymborska-e-uma-poeta-da-reflexao-filosofica 

quarta-feira, 30 de junho de 2021

PROFUNDO

Tão fundo, mas tão

profundo o vão

do vazio, tão fundo

profundo o sonho,

vai fundo, ao fundo

da alma e do coração,

profundamente,

buscar a tua própria

chama, o teu próprio

charme, teu próprio

norte, todas as direções

de tua alma, todos os 

desejos de teu corpo,

profundo, bem fundo,

ao fundo da vida,

no centro do coração,

em teu alvo preferido.


30/06/2021 Gustavo Bastos 



SENSAÇÃO

Sobre os altos estudos

eu pouco me dou,

leio a capa e

nesta faço um

muxoxo,


quando dá na telha,

o rock vem novamente

com suas estultícias

sensacionais, eu me rendo,

a estrofe me cai bem.


Lógico, os versos não saem

fluidos, soltos, eles soam

dissonantes, entrecortados.


Entre as pedras mudas,

o ócio me coloca

diante do mar,

mergulho,

me lavo.


Sobre os altos estudos

eu nada sei, observo

um transeunte perdido,

um mendigo, um comerciante,

observo as cores e o espectro

de luzes, me dou à sensação

dos sentidos.


30/06/2021 Gustavo Bastos 

NO PEITO

 Que tipo de luz me cobre

à sombra desse inferno

do que somos?

Se todos estamos

neste caminho,

por qual luz

assim terei

que me aliviar?

Certo? Errado?

Não sei, só sei que

sigo a minha intuição

que tem a precisão

de uma facada

no peito.


30/06/2021 Gustavo Bastos