PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A VIDA

Eu sempre quis este espasmo de vida
em minha couraça de danação,
eu pergunto o que é a vida
e ela me responde
que nada sabe
e tudo fica para
além do horizonte.

O que é a vida, meu bom leitor?
Ando atrás dos sonhos desta vida
como num redemoinho do apocalipse,
saio ao encontro da vida na rua
que fala muito das noites de boêmia.

Faço da vida o meu teatro funcional
e a pedra angular
é toda a escultura
da dor e da paixão,
a vida é um saber torto
que se interrompe sem previsão.

Aniquilamento é o inverso
da moeda que se faz
a vida,
a vida é urgente,
a vida é calor e frio,
o tempo que com ela corre
é o tempo que vai e vem
sem mais dizer que a vida
é um plano incompleto
que vaga no nada da questão.

16/08/2011 Delírios
(Gustavo Bastos)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

DRAMA DA VIDA


Ontem chorei
por que dói o tempo
e a morte.
No pranto me vi
sem você,
as palavras se foram
e o soluço ficou.

Meus intensos sentimentos
transbordaram sem
o controle de minha razão,
o coração explodiu
de tanto doer,
e o ritmo de minha pena
um pouco se emudeceu,
uma parte de mim morreu,
com você e minha saudade,
não há nada que volte,
posto que se foi.

12/08/2011 Delírios
(Gustavo Bastos)
Ao meu falecido avô Jairo Martins Bastos,
sob o impacto de uma foto minha com ele abraçados,
ontem deitei e chorei,
depois de dez anos
o que fica é a saudade.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

NO DILÚVIO DO ESPANTO

No dilúvio de minhas lágrimas
quanta saudade!
Eis que minhas lástimas são gritos
de vida
no entorno
do caos em mim.

Tenho a lida toda de tudo abarcar
com o coração aberto
em pouca resoluta
chama.

O céu que avisto me chama à poesia.
O céu que me encanta eu tenho visto.
Não há beleza imorredoura
que não cante no lilás
que o fogo quebranta.

Das dádivas e semeaduras
o que me enleva
é o tempo de mistério
de uma nereida.
Quão sabático é o descanso
de um feitiço que não
me matou de surpresa,
e o pranto decaído de febre
é o ritmo esquecido
da penumbra
dos meus sonhos.
Eu, poeta, durmo no sono
da poética insurreição.

No dilúvio de minhas lágrimas
quanta felicidade!
Eu sou poeta, eu sou o tempo
que faço do meu tempo,
eu sou o corpo do meu corpo
e a alma que habita em mim.

Não existe socorro para o trágico,
a magia da poesia se refestela
no verso incessante
que vem da pena
e cai na relva,
ando e ando
pelas estradas
infinitas
do meu
espanto.

09/08/2011 Delírios
(Gustavo Bastos)

sábado, 6 de agosto de 2011

POEMA QUE NÃO SE SABE

Nem tardar, nem esquecer.
O passado não se dói tanto
quanto antes,
o presente é o momento,
o futuro é o devaneio.

Nem próximo está o dia
de minha felicidade,
quão longe está o dia
de minha penúria.

Poeta, de tudo um pouco
se reduz à nada,
e a cada degrau da evolução
a presença ameaçadora
da queda.

Mas, não faz mal,
o poeta sabe de sua andança
como o andarilho de sua
poesia.

E nada mais fica sem explicar-se,
posto o quanto é profundo
o mundo que não nos cabe,
e o quanto é enigmático
o início de tudo.

06/08/2011 Delírios
(Gustavo Bastos)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

NOVA PAIXÃO

Puro vento de minha paixão,

mal que passa como o tempo passa.

A vida é uma corrente contínua

de vários matizes

onde todos os dias

a sombra e a luz

dançam

num jogo

de sedução.



Onde vai o amor que me invade?

Noite adentro ao corpo do meu desejo,

silêncio nas trevas de teus olhos,

ondulantes sensações no segredo

de teus cabelos,

o sonho só pode ser um sonho,

com a alma que naufraga na distância,

com o vinho que me embriaga

no paraíso de uma imagem bonita.



A paisagem de tua alma

me traz um frescor jovial,

estando perto ou longe,

perto do coração

e longe fisicamente,

mas o meu amor é teu

e eu não tenho medo,

algo em mim nasceu novamente,

e o fogo que está aceso agora

é uma visão de fé para tudo.



29/09/2010 Poemas de Amor e Outros Verões



Gustavo Bastos

PAIXÃO SÚBITA

Acho que estou apaixonado, não sei.

Bom, não sei se estou assim

cheio de amor pela vida

e por uma mulher,

mas apaixonado acho que estou.



O mundo é grande?

O mundo é pequeno?

Não sei, pequeno ou grande,

longe ou perto,

a distância não importa,

o idioma não interessa,

dizem que o amor é universal,

e se eu tiver que percorrer

a distância do universo inteiro

para achar o meu amor ...

eu o farei!



28/09/2010 (01:35) Poemas de Amor e Outros Verões



Gustavo Bastos

O ROMÂNTICO SOLITÁRIO

Eu procurei por você a noite toda,

você não estava lá.

Eu caçei a tua sombra

por todos os lugares,

em todas as bocas que beijei

você não estava lá.



É que o tempo passou ...

eu cresci e me tornei inóspito,

me vendi barato

para os prazeres mundanos,

me esqueci de relembrar

momentos vividos e findos,

caí no precipício

como um chumbo

duro como a dor,

e neste andar cambaleante

do meu amor,

você não estava lá.



Procurei nas notícias dos jornais,

nenhum sinal da tua presença,

e agora não tenho certa

a tua imagem na minha cabeça,

por que o tempo passou

e te levou embora.



12/09/2010 Gustavo Bastos