Nos contrafortes se choca o mar.
O feudo freme, as cantorias
dos ébrios, na servidão das máscaras
que fazem o velho jogo social.
Vemos os convescotes pobres
de free base e morfina,
bebendo vinho na poesia.
Uma febre opiácea dos nenúfares,
das lótus iluminadas, ao sol místico
que deitava seu arrebol.
O poema iridescente,
no arco do triunfo,
tem este cabedal,
este frontispício.
Vem uma água benta alucinada,
blasonando seu florilégio,
seu vício de Pantagruel.
É o canto dos analectos,
as ladainhas de pascácios,
e os panegíricos e pantomimas
dos saraus enfumaçados.
Ali na vernissage dos
artistas depravados,
circulava, aos magotes,
o festival mambembe
dos canapés mordidos
com fúria famélica.
19/03/2025 Gustavo Bastos - Monster
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