PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

ALVORADA DOS SONHOS

No coração o pulso se arvora, e plana o vinho

qual o centro da vida abundante, correndo como

rio na virtude delta que esmerilha os poemas.


Deste bosque de alucinação,

com o incenso nacarado,

meditativo, o rubi estalando

as frentes da riqueza, 

com este brilho aberto

de verdor, a paz deliciada,

dos sonhos de alvorada. 


18/09/2025 Sublime - Gustavo Bastos 

PSIQUÊ

Na retina estes arabescos, 

do frontispício à colunata,

entre os ritmos, 

o metro funda 

estaca estanciada.


Faz de escansão 

toda ode e melisma, 

com o sonido 

aos loas de ermos 

encantos da floração.


Brota dos mares, 

com a caudalosa onda,

os peixes na vinha 

estuária famélica.


Os ares de cores, 

milhares de vagalumes,

na noite planada, 

eis trovoada de penedo,

fuligem de cano aberto, 

fumaça de pistão.


O pássaro foi alvejado 

quando cantava.

No catavento em que 

se ouvia piado, 

piii, do tuiuiu, do canoro

canário, do curió,

aos fins de restar o pó, 

do mármore a abscôndita 

poesia de parnaso,

esbelta vestal 

ao vate, 

no plenilúnio

da vaga mortífera.


O feitiço, de chofre,

estava em seus romanceiros,

correndo no campo da sarça,

nos desertos de trigo.


A lira, ao fim, soava 

no fundo do jardim 

dos prazeres, com febre, 

delirando, beatífica,

vendo uma borboleta azul.


18/09/2025 Gustavo Bastos - Sublime



A INVENÇÃO DO POETA

O trabalho inventou a cidade,

o jardim inventou a flor.

Diante de toda dificuldade,

o operário virou cantor.


O dinheiro encampou o corpo,

de toda fazenda de algodão,

cantando as mãos sangram,

sangrando se faz a canção.


 A poesia é anarquia,

nasce de amor e de raiva,

pinta e borda o navio,

o mar e o verão.


A poesia encanta e brota,

faz inverno e marca no chão

um círculo de giz.


A poesia é nuvem,

faz chuva e faz sol.


Eis toda poeta,

todo poeta,

flora fauna melodia,

sonido melífluo,

na virada da lua,

na noite da ilusão.


18/09/2025 Gustavo Bastos - Sublime 

CONDENAÇÃO DOS GOLPISTAS

“o fracasso eleitoral e do golpe é uma dura lição”


A cadela do fascismo está sempre no cio, e o preço da liberdade é a eterna vigilância. Foram condenados os principais articuladores do golpe contra o regime democrático e o sistema republicano. Dentre eles, Jair Bolsonaro recebeu uma dosimetria longa, porém, nada ainda garante que o ex-presidente irá para o regime fechado. Pode ser que, com algum laudo médico, alinhado com uma defesa de advogados argutos, ele descole uma prolongada estadia em prisão domiciliar, na qual já está. 

Tal expediente já foi usado por canalhas notórios como Paulo Maluf e Fernando Collor. Até mesmo o finado General Pinochet, ao ouvir o tilintar do molho de chaves do carcereiro, logo se pôs a mancar, gemer de dor, e também descolou sua salinha com televisão e cama feita, no seu lar doce lar. Fernando Collor, por exemplo, como um bom caçador de marajás que se preza, está de frente à praia, na orla alagoana de Maceió. Esta técnica do coitadinho que manca, inclusive, foi uma técnica também utilizada por Maluf, que não é bobo nem nada.

Jair Bolsonaro tem como trunfo a sua barriga operada, e pode escapar da cana dura, pois atua como um tigre de papel, choramingando a sua queda, bem diferente daquele presidente de maus bofes, insensível aos milhares de mortes da pandemia, e com declarações chocantes em meio a tragédias que ocorriam diariamente, patrocinando invencionices amalucadas como cloroquina e ivermectina, numa necropolítica bananeira que virou piada na Europa. 

Era a tempestade perfeita de um presidente exótico, de um populismo de liderança carismática e decadente, para insuflar um setor da população composto de provincianos e pedestres, em meio ao caos de morte de uma pandemia mundial. Ao passo que a cleptocracia vendia a sua alma a um xucro apoiado numa política econômica de um falastrão que teve a sua planilha derretida diante do inaudito, provando que algo como controle de gastos pela inflação durante vários anos é uma ideia que ignora do que se trata o futuro, um cenário agitado que cega crédulos e videntes.

Bananinha, por seu turno, já é um famigerado lesa-pátria, lacaio de Trump, ao lado de um patético neto de ditador, que agora, depois de cair na real, está ocupado com coisas fundamentais como denunciar tweets anti-trump de influencers brasileiros e quetais, para que não entrem nos Estados Unidos, para denotar o nível de patetice da dupla dinâmica. 

Pois, como disse Flávio Dino, quem poderia mudar o julgamento dentro do Brasil senão o Mickey, ou ainda, como disse Moraes, o Pateta. Contudo, parece que a patota de malandros agulhas, amigos de basfonds do Zé Carioca, é que agora estão numa fria, e a cantilena de que tudo foi uma pensata, uma anotação no querido diário, simplesmente não colou. Parece que o mundo, como se dizia por aí, tanto não é bobo, como também não começou ontem, como se pudesse ter a sua História civilizatória cabendo numa edição de bolso. 

Portanto, se a moda pega, só se poderia julgar o golpe se este tivesse sido consumado, isto é, após a tomada de Brasília pelo Exército. Vamos lá, vejam isso, o então governo de exceção se auto-julgaria, vendo se seria auto-condenado ou não. E a contradição vem logo a seguir, ao se tramar pela anistia, antes mesmo da condenação, o que é uma admissão de culpa e uma saída pela tangente de covardes que, na verdade, foram e estão sendo julgados por uma tentativa de golpe, em obediência à lógica, ao óbvio ululante. 

Pois, o terraplanismo grotesco é usar esta falácia de circo dos horrores, uma farsa e um flagrante da decadência cultural e intelectual que foi toda esta história, um hiato dentro da Nova República, que tenta criar uma tautologia, uma petição de princípio, em que eu só posso ser acusado de assassinato se o meu morto falar, pois se eu mato a democracia, só assim eu poderia ser julgado em ampla defesa, só que, no entanto, com a fumaça dos fuzis no cangote das ruas, e que agora estariam em convulsão, na batalha campal contra o autoritarismo, a sanha totalitária. 

Por sua vez, a massa extremista também não receberá anistia. O cenário mais provável é a resposta democrática, que passou por um teste no fio da navalha, atravessando o rubicão, e diante de um punhal que passou rente, através de um voto vencido do então chefe da Marinha, onde de fato se decidiria o destino do país. E essa massa amorfa, alienada, que foi liderada por mentores que sabiam o que faziam, desde os acampamentos de frente aos quarteis etc, estão encarando esta mesma realidade, depois de uma fantasia voluntarista, um recreio fantasmagórico do estado mental da face mais abissal e ignara do bolsonarismo.

Não há como tergiversar e buscar acordo com o intervencionismo, o fracasso eleitoral e do golpe é uma dura lição para os que, em tal anelo, para uns, disparate para uns tantos, e o ardil reacionário, através de suas lideranças, configurou um caminho que pretendia um golpe clássico, militar, sem qualquer caráter autocrata, uma vez que as tentativas de Bolsonaro de manietar a Corte Suprema falharam, e seu governo, diante de erros de comportamento dentro da pandemia, plantou a derrota eleitoral e, como maus perdedores, tramaram o golpe, primeiro como revisionismo eleitoral, e depois no plano de ir às vias de fato pelo punhal verde e amarelo. 

Portanto, esta alvorada da condenação dos traidores da pátria, chauvinistas fanáticos de um patriotismo falso, e que se vende ao Uncle Sam na primeira esquina, é mais uma vez a máxima da permanente vigilância, diante de uma cadela que sempre está no cio, que não descansa, e quem defende a Democracia e a República também tem que estar em forma, sem dormir diante da História, e do testemunho distópico que foi tudo isso.


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário :

https://www.seculodiario.com.br/colunas/condenacao-dos-golpistas/

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

RESPOSTA BRASILEIRA CONTRA O TARIFAÇO

“governo negou prática comercial discriminatória”


O Brasil respondeu às acusações do relatório norte-americano ponto a ponto. O tema principal foi o Pix, que abrangia a área de comércio digital e serviços eletrônicos de pagamento, em que o Itamaraty deu uma resposta extensa, em que o governo brasileiro nega que a ferramenta do Banco Central discrimine empresas dos Estados Unidos, pois as suas políticas visam a proteção dos consumidores, na questão de cibersegurança, além da manutenção da estabilidade financeira. 

O governo ainda acrescenta que se trata de uma infraestrutura pública, aberta e neutra, usada na promoção da inclusão financeira e da concorrência, e não há discriminação, pois o Google Pay, por exemplo, já participa do sistema, além de outras empresas estrangeiras. Ainda há o caso do FedNow, que em comparação com o Pix, é um sistema que oferece funcionalidades semelhantes, o que foi explicado pelo próprio Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos.

Quanto às decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), em que se alegou que empresas norte-americanas do comércio digital e serviços de pagamento eletrônico foram prejudicadas, o governo brasileiro explicou que tais decisões não estabelecem responsabilidade automática para estas empresas em vista de conteúdos de usuários, sendo tal reservada para casos graves, que envolvem tráfico humano, pornografia infantil, terrorismo, crimes contra a democracia etc. 

No caso da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que rege a proteção de dados no Brasil, o governo brasileiro afirma que a lei do país se inspirou no GDPR da Europa, que é uma norma internacionalmente aceita, e que não há qualquer proibição de transferência de dados sobre os Estados Unidos, o que se exige, na verdade, são cláusulas contratuais e quetais, e que são aplicáveis a todos os países.

Quanto às tarifas preferenciais, no caso de países como Índia e México, tal direcionamento se deve ao Mercosul, e que tais acordos estão conformes às regras da OMC (Organização Mundial do Comércio). Tal alegação também não se sustenta pelo fato de que os Estados Unidos são superavitários na balança comercial com o Brasil, em que 73,7% das exportações norte-americanas entram sem tarifa no Brasil. 

No caso da falta de combate à corrupção, o governo brasileiro afirma ter feito reformas institucionais para fortalecer estas ações, tais como o aprimoramento da Lei Anticorrupção, que está alinhada a padrões internacionais, tal como a FCPA (Foreign Corrupt Practices Act) dos Estados Unidos, tivemos também o fortalecimento da CGU (Controladoria-Geral da União) e da PF (Polícia Federal), além da cooperação com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), além de cooperar também com outros organismos internacionais, incluindo a ONU (Organização das Nações Unidas), não havendo práticas de discriminação contra empresas norte-americanas.

Na questão sobre propriedade intelectual o governo brasileiro comparou medidas tomadas no país com as que estão consolidadas no exterior como o Acordo TRIPS (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio) da OMC. No Brasil tivemos, então, a modernização dos regulamentos do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e uso de ferramentas digitais, a adesão a tratados internacionais como o PCT (Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes) e o Protocolo de Madri para marcas, e a redução de backlog de patentes. O Brasil ainda ressaltou a cooperação ativa com os Estados Unidos em projetos que envolvem propriedade intelectual. 

O Brasil também respondeu sobre a acusação de proteger o mercado de etanol nacional, em que o governo afirma que se trata de uma política que visa o desenvolvimento sustentável do setor de biocombustíveis e que as tarifas de importação de etanol estão de acordo com compromissos assumidos no Mercosul e na OMC, sendo que tanto o Brasil como os Estados Unidos são líderes mundiais no setor de biocombustíveis e possuem um histórico de cooperação mútua. 

Quanto ao desmatamento ilegal no Brasil, o governo negou prática comercial discriminatória em relação às suas políticas ambientais. As acusações norte-americanas que, por sua vez, envolvem entraves regulatórios, leniência do Brasil no combate ao desmatamento que produziria uma concorrência desleal com favorecimento da indústria brasileira. 

O Itamaraty, no entanto, diz que o país registrou queda no desmatamento, com ações como os Planos nacionais de clima, fortalecimento de órgãos de proteção ambiental como o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). O governo brasileiro ainda cita a implementação do PPCDAm (Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia) e reafirma o compromisso com o Acordo de Paris e a cooperação internacional na questão da sustentabilidade. 

Neste último dia 3 de setembro, o embaixador Roberto Azevêdo, consultor da CNI (Confederação Nacional da Indústria), fez um pronunciamento em defesa da indústria brasileira, durante audiência pública da USTR, Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. Foram apresentados argumentos que se juntaram à apuração conduzida pela USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que permite a investigação de políticas ou práticas consideradas injustas, discriminatórias ou restritivas ao comércio norte-americano. Azêvedo, em cinco minutos de sustentação oral, apresentou argumentos para todas as seis áreas de preocupação apontadas pela investigação da USTR e ainda mencionou a importância das relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Esta audiência pública irá ouvir empresas norte-americanas e representantes brasileiros também podem falar caso se cadastrem para tal, em que os interessados terão o período de sete dias para réplica, em que a investigação do USTR busca apurar se as práticas comerciais brasileiras foram prejudiciais às empresas dos Estados Unidos, e após análise técnica, portanto, haverá espaço para consultas ao governo brasileiro, algo previsto pela norma norte-americana para uma negociação diplomática no âmbito da investigação, com tempo máximo do processo de 12 meses, ou seja, poderá durar até julho de 2026.

Grande parte dos processos da Seção 301, que envolve as investigações comerciais no USTR terminou em acordo, antes do julgamento final, e caso não haja acordo, o USTR irá finalizar o processo concluindo se o Brasil é responsável ou não por práticas comerciais discriminatórias, e se a conclusão for positiva, a agência poderá recomendar medidas corretivas contra o Brasil, podendo incluir a imposição de tarifas adicionais, cotas de importação e a suspensão de benefícios comerciais que o Brasil tenha com os Estados Unidos.

Se a investigação não encontrar problemas, a pressão cai sobre o governo norte-americano, e mesmo assim, isso não implica na retirada das tarifas impostas ao Brasil, embora a imagem política da administração Trump possa ficar abalada dentro dos Estados Unidos, ajudando opositores do atual presidente norte-americano. O Brasil, por fim, tenta caminhos institucionais para a resolução das controvérsias, evitando se igualar à postura cesarista de Trump.


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário :

https://www.seculodiario.com.br/colunas/resposta-brasileira-contra-o-tarifaco/

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

MENTIRA TARIFÁRIA

“desculpa esfarrapada dos Estados Unidos”


Seguindo as alegações do relatório norte-americano, repleto de viés, o Pix entrou na mira, como um tipo de prática desleal, prejudicando empresas dos Estados Unidos que atuam no setor. Tal investigação serviria para defender os interesses de empresas como WhatsApp Pay, Apple Pay e Google Pay, por exemplo. Se trata de uma competição tecnológica em que os Estados Unidos tentam, como sempre, concentrar as inovações, colocando todas sob seu controle.

No caso do Brasil, o sistema de pagamento Pix cobre a realidade de um país em há uma parcela grande da população que é desbancarizada. Por sua vez, os norte-americanos também possuem empresas públicas que cobrem falhas de mercado, tal como o Serviço Postal dos Estados Unidos, que atua nos correios do país. Mesmo assim, isso não autoriza a empresa privada de transporte e logística, a UPS, que também atua nos Estados Unidos, de processar o governo norte-americano, por exemplo.

Outra acusação é a de que o Brasil firma acordos comerciais preferenciais, com escopo parcial, com países como Índia e México, por exemplo, que são parceiros competitivos no comércio global, reduzindo tarifas, ao passo que aplica estas mesmas, mais altas, às importações norte-americanas, incluindo centenas de produtos de vários setores, como máquinas, minerais, produtos químicos, agrícolas, além de veículos automotores e peças.

O Brasil também é acusado de leniência no combate à corrupção, o que também prejudicaria empresas norte-americanas, que teriam que atuar num ambiente de pouca transparência. A falta de medidas anticorrupção levantariam dúvidas a respeito de normas contra o suborno e a corrupção, em que é citado um protocolo de entendimento para comércio e cooperação econômica assinado pelo Brasil e os Estados Unidos, em 2021, que estabelece, por exemplo, que os dois países deveriam buscar promover medidas anticorrupção. 

Por sua vez, o Brasil registrou, em 2024, sua pior nota e colocação na série histórica do Índice de Percepção da Corrupção, feita pela organização Transparência Internacional, que é um dos principais indicadores de corrupção do mundo. Aqui se alega que o Brasil estaria falhando em reverter a trajetória de desmonte de combate à corrupção, com o Estado capturado pelos malfeitos, aumentando a presença do crime organizado nas instituições estatais. 

No quesito propriedade intelectual, o Brasil também é acusado de estar ligado a práticas que não protegem esses direitos, pois não há uma aplicação adequada de regras, com o país falhando no combate às vendas de produtos falsificados e contra a pirataria em áreas como as de streamings e de jogos eletrônicos, além de uma queixa geral em relação à morosidade na análise e aprovação de pedidos de patentes no país. 

Contudo, a pirataria e o comércio ilegal são problemas globais, em que a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) identifica como outras fontes mundiais de produtos ilícitos países como a China, Turquia, Líbano, Síria e Bangladesh. Portanto, se trata de uma desculpa esfarrapada dos Estados Unidos para justificar a investigação e aumento de tarifas. 

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o problema da demora na análise dos pedidos de patentes já está sendo objeto de esforço para a adequação ao padrão internacional, em que o responsável pela concessão de patentes é o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), órgão bastante criticado e alvo de reclamações nos últimos anos, incluindo ações no Judiciário na recomposição de prazos. O ministro afirma que o INPI está reduzindo os prazos, gradualmente, até que se atinja os padrões internacionais. Entretanto, o problema não tem nenhuma relação com os Estados Unidos, a acusação de direcionamento, portanto, não tem lógica.

O Brasil também é acusado de abandonar a reciprocidade na questão do etanol, ao impor tarifas sobre o produto norte-americano, em que se alega que as exportações de etanol dos Estados Unidos caíram devido a essas tarifas, sendo muito mais elevadas que as pagas pelos produtores brasileiros nos Estados Unidos. A razão seria a proteção de usinas no nordeste do Brasil que, além desta produção ser menos eficiente que a norte-americana, ainda tem que enfrentar a concorrência deste etanol dos Estados Unidos na região. 

O Brasil propôs aumento da cota de importação de açúcar do país para a redução de tarifas sobre o etanol norte-americano, como meio de compensação dos produtores brasileiros que fazem etanol a partir da cana-de-açúcar, e tanto não obteve resposta do governo dos Estados Unidos como continua exigindo redução das tarifas brasileiras. Contudo, o preço do combustível também é influenciado pelo fato do etanol norte-americano ser feito à base de milho, que é uma produção subsidiada, o que colocaria as tarifas brasileiras sobre o produto norte-americano como um mecanismo de defesa comercial. 

A acusação de que o Brasil não consegue aplicar as suas próprias leis contra o desmatamento, em que ocorre a conversão de terras desmatadas ilegalmente para a produção agrícola, estaria prejudicando produtores agrícolas e de madeira norte-americanos, pois seria uma vantagem competitiva injusta, reduzindo custos e expandindo a disponibilidade de insumos agrícolas, incluindo ainda o fato do Brasil concorrer com os Estados Unidos na venda global de carne bovina, milho e soja.

O Relatório Anual do Desmatamento de 2024, do MapBiomas, aponta uma redução de 32,4% na área desmatada no Brasil em 2024 em comparação com 2023. Entretanto, a área desmatada de 2019 até 2024 corresponde a uma área comparável ao tamanho do território da Coreia do Sul, por exemplo. Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, critica a instabilidade do combate ao desmatamento no Brasil,

O problema, nos últimos anos, ficou dependendo de orientações de governos que, no caso de Jair Bolsonaro, mais do que omisso na questão, impulsionou o crime ambiental. Quanto ao problema da soberania nacional, por conseguinte, o combate ao desmatamento deve ser realizado de forma autônoma pelo governo brasileiro, com ajudas externas que não ameacem a soberania. 

Por fim, tarifas de importação e restrições baseadas em desmatamento e emissões de carbono são tendências que se espalham pelo mundo, com a UE (União Europeia), por exemplo, que aplica o chamado Mecanismo de Ajustamento de Carbono nas Fronteiras (CBAM), que estabelece um preço para o carbono emitido na produção de bens com elevada taxa de emissão que são importados para o bloco, mas que nada tem a ver com o aumento arbitrário de 50% na tarifa adotado pelos Estados Unidos sobre o Brasil. 


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário :

https://www.seculodiario.com.br/colunas/mentira-tarifaria/

ABISMO POÉTICO

Desta água, vem o lavado banhado corpo, em que o rio, 

desde a alvorada, com a sede castanha da fera, 

e as astúcias do mal de afogamento, cruzando 

a ponte que caiu,  verte o verde na verve

desta mata ciliar e ribeirinha, e que faz 

deste poema a correnteza impassível 

que leva e vai.


Foi, num grito antigo, diante da torre esburacada

de tiro, na casa do líder do tumulto, diante da espada

cruel que vigiava os fogos, que o poeta declamou

sua última jornada, no meio da surra dos leões,

com os haustos sacrificiais da floresta queimada, 

com as correntes nos dentes, a faca nos guizos,

os vícios no peito, e a seara doida dos dias.


Tudo era toada naqueles dias do solstício 

de verão, com a visão da erva, e o pulso

vibrando naqueles arroubos de paixão 

que era a festa sem fim da praia,

esperando a queda da noite ao versar

sobre a nudez do mar na alvíssara de sal. 


04/09/2025 Monster - Gustavo Bastos