PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

segunda-feira, 28 de julho de 2025

OS HERÓIS DA OVERDOSE

Sua messe cântico plana estrelina.

Abóbada, ecumênica estadia.

Donde o doidivanas canta vida louca,

e atroz seu canto, provoca o costume,

lhe inquieta o desejo, e o infame dos gritos,

mais primais da caverna, está no hospício.


De bom grado, o diabo faz festa,

aqui os marimbondos se infestam,

no gargalo do uísque, dó ré mi.


Tomou uma overdose de heroína,

picada de cobra,

o astro do rock estava

com a cara inchada,

e o vil carmesim de seus

lençóis ensanguentados.


Ao lado de seu braço necrosado,

uma seringa e um cigarro,

e na parede um "do it yourself",

na moldura de dias gloriosos, 

toda a fortuna tomada 

de sanha plutocrata,

saiu da banda, 

foi ao meretrício,

se fartou às largas.


E a morte, delicada, 

foi como num sonho,

o paraíso artificial 

de seu castelo,

de sua cama, 

de seu som,

de sua catarse 

e pó de anjo.


28/07/2025 Monster  

quarta-feira, 23 de julho de 2025

TORNOZELEIRA ELETRÔNICA

“admissão do bolsonarismo como capacho de Trump”


O ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou dois mandados de busca e apreensão e medidas cautelares contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Dentre as medidas, Bolsonaro está usando tornozeleira eletrônica, além de estar proibido de usar redes sociais e proibido de sair de casa entre 19 h e 6 h e também nos fins de semana, além de manter uma distância calculada de embaixadas. Moraes incluiu ainda a proibição de Bolsonaro se comunicar com os demais réus e investigados, e entre estes está seu filho Eduardo Bolsonaro.

Bananinha é o articulador principal da grita pela anistia do pai por vias internacionais, leia-se, uma impostura norte-americana sob a batuta de Donald Trump. Nesta cena está o pano de fundo de uma alt-right hidrófoba que se catalisa com o discurso mão dura de Trump e sua diplomacia comercial, que é um projeto de demolição do que sobrou da globalização da cadeia de produção de mercadorias entre os países do mundo, numa reatualização do tique da excepcionalidade dos Estados Unidos, originada na Doutrina Monroe, e que se traduz no fetiche geopolítico deste país em se comportar como “xerife do mundo”.

Por sua vez, Moraes sofreu sanções do Departamento de Estado norte-americano logo após a operação deflagrada pela Polícia Federal contra Bolsonaro. Marco Rubio, secretário de Estado do governo Trump, anunciou na rede social X ter ordenado a revogação do visto do ministro brasileiro para entrar nos Estados Unidos, o que, de acordo com o Departamento, se trata de uma política de restrição de visto ligada à Lei de Imigração e Nacionalidade do país norte-americano. 

Lula se manifestou contra a medida e disse que se trata de uma intimidação, algo arbitrário e sem fundamento, em nota oficial do governo brasileiro, e acrescentou “"Estou certo de que nenhum tipo de intimidação ou ameaça, de quem quer que seja, vai comprometer a mais importante missão dos poderes e instituições nacionais, que é atuar permanentemente na defesa e preservação do Estado Democrático de Direito."

O deputado federal de férias e campeão em faltas parlamentares, Bananinha, está com o cargo em questão, com possível cassação, e com a articulação de uma sinecura no governo fluminense, do nefando Cláudio Castro. No entanto, esta azêmola comemorou o anúncio de Rubio, agradecendo ao secretário e a Trump, naquele estereótipo de viralatismo, que o bolsonarismo leva agora ao paroxismo, neste evento diplomático, com o que resta  a fazer, neste jogo de truco, que é se abrigar debaixo das saias do Tio Sam, com mais uma cartada e batida de mesa.

A decisão de Moraes se fundamentou, portanto, em investigações que indicam a atuação de Bolsonaro e seu filho numa articulação deliberada para a imposição de sanções estrangeiras contra agentes públicos brasileiros. A ideia, segundo crime confesso em entrevista na internet dos molecotes Bananinha e Paulo Figueiredo, é esta mesma, estender as sanções para outros ministros do STF e demais agentes públicos, na tentativa de coagir o governo brasileiro, mais especificamente, o STF, a aceitar a anistia de Bolsonaro como a única solução para a crise diplomática, como um Deus Ex Machina forçado, postiço, em que o bolsonarismo repete o seu ato de rasgar a fantasia, que agora é ato contínuo.

Donald Trump justifica de modo sofismático a sua medida de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros como uma reação ao tratamento injusto contra Bolsonaro. Por sua vez, o ex-presidente brasileiro alega sofrer “suprema humilhação” com o uso de tornozeleira eletrônica. Ao passo que Eduardo Bolsonaro disse que Moraes, com isso, dobrou a aposta. 

O deputado federal disse que Moraes está batendo de frente com alguém maior em importância do que ele e que o Brasil deveria aceitar as críticas de Trump e buscar soluções para a crise de acordo com os problemas apontados pelo governo norte-americano. Ou seja, se trata de mais uma admissão do bolsonarismo como capacho de Trump, que Lula logo inverteu, numa afirmação de soberania nacional, sem retaliação, isto é, na proporção real do problema, em  busca de uma negociação improvável que, contudo, terá que ser empreendida.

Por seu turno, a Primeira Turma do STF já formou maioria para confirmar as medidas contra Bolsonaro. Na decisão de Moraes se aponta indícios de ao menos três crimes, que incluem coação no curso do processo legal, obstrução de investigação e atentado à soberania. Dentre os apontamentos, se destacam as negociações espúrias de Bolsonaro e seu filho com autoridades norte-americanas para exercer pressão sobre a Corte brasileira no andamento do julgamento sobre tentativa de golpe de Estado, no qual Bolsonaro é réu, junto com outras figuras da malta apelativa.

Moraes vincula também o auxílio financeiro de Bolsonaro a seu filho, em torno de US$ 2 milhões, segundo o próprio ex-presidente, no que afirma “"Ressalte-se, ainda, que a investigação comprovou a participação de Jair Messias Bolsonaro nas condutas criminosas, não só incitando a tentativa de submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de outro Estado, com clara afronta à soberania nacional, mas também auxiliando, inclusive com aportes financeiros à Eduardo Nantes Bolsonaro, a negociação com governo estrangeiro para que este pratique atos hostis contra o Brasil". 

O uso da tornozeleira eletrônica também foi fundamentada, por sua vez, na citação feita pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de possibilidade de fuga de Bolsonaro, o que incluiu, dentre as medidas, a de distância legal e prudencial do ex-presidente de embaixadas. As ações recentes de Bolsonaro indicam, segundo Moraes, junto à obstrução do curso da ação penal, a possibilidade de fuga do ex-presidente.

Trump também manifestou contrariedade em relação aos Brics, em que está na pauta a discussão de alternativas ao dólar nas transações internacionais, o que poderia incluir uma moeda própria do bloco, e que provocou a reação de Trump ao afirmar a importância de manutenção do status do dólar como moeda de reserva do mundo, minimizando os Brics. Por seu turno, além do argumento sobre Bolsonaro, uma falácia, o presidente norte-americano tentou fundamentar a decisão de aumentar as tarifas sobre os produtos brasileiros devido às barreiras comerciais, tarifárias e não tarifárias, do Brasil em relação aos Estados Unidos. 

Se inclui em mais esta falácia o argumento de que a balança comercial estaria desequilibrada entre os dois países, o que é refutado pelo Brasil, através do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, uma vez que a balança comercial tem sido favorável aos Estados Unidos, que acumulou saldo positivo de US$ 43 bilhões nos últimos dez anos. Lula também reagiu ao dizer que Bolsonaro e seus aliados são traidores da pátria e que o tarifaço de Trump representa uma chantagem inaceitável, numa escalada inédita de conflito diplomático entre Brasil e Estados Unidos.

A repercussão internacional, por seu turno, favorece Lula, em que um jornal norte-americano publicou uma reportagem sobre o tema em que se afirma que as ações de Trump para beneficiar Bolsonaro, na verdade, acabaram por revitalizar o governo Lula, em que se cita uma reação doméstica de apoio majoritário ao presidente do Brasil. Por sua vez, o julgamento de Bolsonaro e de seus aliados se dará, provavelmente, entre o final de agosto e início de setembro deste ano. Por fim, em caso de condenação de Bolsonaro, ele deverá cumprir pena em prisão domiciliar, devido a seus problemas de saúde, pois tal precedente foi aberto no recente caso do ex-presidente Fernando Collor, o antigo pretenso (ou fake) caçador de marajás.


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário : Tornozeleira eletrônica - Século Diário 

quinta-feira, 17 de julho de 2025

A REPÚBLICA CONTRA OS BANANAS

 “o chauvinismo bolsonarista entra em curto-circuito”


Esta reviravolta política recente no panorama brasileiro se deveu, inicialmente, à ida de Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado do PL, aos Estados Unidos, na tentativa de pressionar pela anistia de seu pai, já condenado como inelegível pelo TSE e, agora, em vias de ser condenado penalmente, com as alegações finais da PGR (Procuradoria Geral da República). 

Tal movimento, junto com o jornalista Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente militar João Figueiredo, além de pleitear a anistia de Bolsonaro e seus próceres, tenta ainda atingir o ministro do STF, Alexandre de Moraes, com apelos de Eduardo Bolsonaro a Trump e o secretário Rubio por um dispositivo chamado Lei de Magnitsky Global, que pode aplicar sanções como a revogação ou negação de vistos para entrada nos Estados Unidos, além do bloqueio de contas bancárias e transações comerciais.

Agora, o Bananinha desembarca em Washington, tentando dobrar a aposta, em busca de novas sanções do governo de Donald Trump, para viabilizar a anistia de Jair Bolsonaro. Como se sabe, um dos resultados deste pleito internacional foi este tarifaço de 50% de Trump sobre produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos. Tal medida levou agora às reuniões de Alckmin, tanto com industriais como com o agronegócio, para pressionar o governo dos Estados Unidos, e se possível, junto ao empresariado norte-americano, também prejudicado pela previsão de tais tarifas, por um acordo.

Outro efeito, junto a este tarifaço, foi um discurso disparatado de Donald Trump sobre caça às bruxas, supondo uma perseguição política contra Jair Bolsonaro, como se episódios como o de 8 de janeiro e as outras articulações golpistas que agora estão em fase final de processo de condenação dos envolvidos no Brasil, se tratasse, na verdade, de um viés conspiratório do atual Executivo e de ritos autoritários de um lawfare brasileiro, uma ditadura de toga, em que um líder nacionalista teria sido tomado por alvo. 

Contudo, o tiro saiu pela culatra dentro do Brasil, pois o governo Lula, que se encontrava numa saraivada de críticas na azáfama em torno do IOF, ganha sobrevida ao tomar para si a perspectiva de resistência contra uma ingerência estrangeira, em que todo o chauvinismo bolsonarista entra em curto-circuito, pela sua já conhecida subserviência bovina e até de sabujice diante da figura de Donald Trump.

Tal postura de lacaios agora se aprofunda num tarifaço “anti-patriótico”, detonando uma crise até com empresários milionários que aderiram a todas as sanhas bolsonaristas, mas agora se veem atingidos diretamente pela trama diplomática do Bananinha. E,no meio deste imbróglio, foram registradas manobras patéticas, como a de Tarcísio de Freitas, que, de trumpista açodado, logo correu para apagar o incêndio com o empresariado paulista.

O tarifaço favorece Lula e coloca Bolsonaro em uma posição contraditória. A direita ainda tenta responsabilizar a esquerda por tal medida de Trump, se fiando no discurso surrado de que a articulação do BRICS, além de um anti-trumpismo do governo, seriam os responsáveis diretos pelo tarifaço. Este viés da direita logo desmorona quando se tem evidente e à luz do dia o ataque à soberania nacional, em meio de estultices e tiques de viralatice da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, que aprovou uma moção de louvor a Trump. Por fim, toda esta encenação aproxima o Executivo e o STF, renovando o republicanismo em face de um problema comum. 

Por sua vez, nas suas alegações finais, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus na ação penal que analisa se houve uma tentativa de golpe de Estado. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao falar sobre Bolsonaro, afirma que "as evidências são claras: o réu agiu de forma sistemática, ao longo de seu mandato e após sua derrota nas urnas, para incitar a insurreição e a desestabilização do Estado Democrático de Direito".

"As ações de Jair Messias Bolsonaro não se limitaram a uma postura passiva de resistência à derrota, mas configuraram uma articulação consciente para gerar um ambiente propício à violência e ao golpe. O controle da máquina pública, a instrumentalização de recursos do Estado e a manipulação de suas funções foram usados para fomentar a radicalização e a ruptura da ordem democrática", diz o PGR.

E Gonet continua : "as evidências revelam que o ex-Presidente foi o principal coordenador da disseminação de notícias falsas e ataques às instituições, utilizando a estrutura do governo para promover a subversão da ordem". E conclui: "portanto, cabe a responsabilização do réu pelos crimes descritos na denúncia”.

Não há, na verdade, qualquer possibilidade de uma anistia, seja dentro do Brasil, e muito menos por vias de uma ingerência trumpista através de pressões de uma guerra comercial. A fantasia de pretensos exilados nos Estados Unidos é nada mais que um viés infantilizado de meninos mimados, que se voltarem ao Brasil, estarão correndo riscos de condenação judicial, e ao fim, o que acontece e irá seguir é a fuga destes poltrões e quiçá do ex-presidente, que já pode vislumbrar um abrigo na embaixada norte-americana, caso o caldo entorne. 


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Blog : poesiaeconhecimento.blogspot.com 


quinta-feira, 3 de julho de 2025

O TELEGRAM E A PRISÃO DE DUROV - FINAL

 “Telegram enfrentou problemas de bloqueio e possível banimento”


O Telegram teve seus principais problemas em países europeus e na China. Sendo que, no Reino Unido, a plataforma foi usada na organização de protestos anti-imigração, depois que três meninas morreram no norte da Inglaterra. Canais do aplicativo foram utilizados por extremistas para propagação de ódio contra muçulmanos e o compartilhamento de informações sobre alvos de ataques. 

O Reino Unido considera agora o uso da Lei de Segurança Online, visando restringir o acesso a aplicativos de mensagens privadas, mas o Telegram ainda não foi proibido. O governo tem a intenção de agir contra plataformas que estimulam agitações políticas extremistas, contudo, o Telegram continua funcionando no país. 

Na Espanha, por sua vez, um juiz do país baniu temporariamente o Telegram, depois de reclamações sobre divulgação sem permissão de conteúdos protegidos por direitos autorais. Após solicitar informações sobre o caso e não receber respostas da plataforma, este juiz ordenou o bloqueio da mesma. A decisão acabou revertida depois de críticas sobre o possível impacto desta sobre milhões de usuários.

A Alemanha cogitou banir o Telegram diante da descoberta de dezenas de canais que possivelmente violavam leis do país contra discursos de ódio e no meio deles existiam canais antissemitas. Por fim, a plataforma acabou multada em 5 milhões de euros por descumprimento da legislação, sendo que esta afirmou que iria cooperar na remoção de conteúdos ilegais.

Na Ucrânia, após a invasão russa, o Telegram se tornou o principal meio de comunicação do país, sendo usado nas linhas de frente dos campos de batalha e pelo próprio presidente Zelensky. Por outro lado, a plataforma é usada por russos para disseminar desinformação. O banimento do Telegram, então, entrou na pauta ucraniana, a não ser que a empresa abrisse um escritório no país e removesse conteúdos nocivos. Por fim, O Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia restringiu o uso da plataforma em dispositivos oficiais após receber evidências de que o serviço especial russo poderia espionar as mensagens e os usuários.

Por sua vez, na China, o Telegram está bloqueado desde 2015. A censura da plataforma no país teve como causa, segundo alguns relatos, um ataque de negação de serviço distribuído (DDoS) sobre a mesma. Outros dizem, no entanto, que o bloqueio do aplicativo foi para barrar críticas contra o governo e o Partido Comunista Chinês. Portanto, o Telegram enfrentou problemas de bloqueio e possível banimento diversas vezes e em diferentes países, muito se devendo ao fato de que o algoritmo da plataforma faz recomendações tóxicas.

Como foi dito, no aplicativo temos a presença de grupos antissemitas e supremacistas, fraudes, pedofilia, terrorismo e tráfico de drogas e de armas. Quando se faz uma busca por “Donald Trump”, por exemplo, segundo demonstração da pesquisadora-chefe do SPLC, Megan Squire, se chega logo a indicações de canais promovendo o Q-Anon. Isso faz parte de uma investigação de 28 mil canais no aplicativo para o relatório chamado “As Recomendações Tóxicas do Telegram”.

Foi feita, ainda, outra pesquisa de busca sobre revoltas no Reino Unido que levaram a sugestões de canais de grupos violentos de extrema direita. O Telegram, mais uma vez, relatou que suas equipes de moderação, além de sua ferramenta de inteligência artificial, removem milhões de conteúdos considerados ilegais ou tóxicos diariamente. Sendo que o usuário só recebe pelos conteúdos que assina, uma vez que a plataforma não faria promoção de conteúdo.

Em 2020, por sua vez, o negacionismo científico, durante a Covid-19, tomou como plataforma principal o Telegram, uma vez que o Parler, apesar de ser, até então, o aplicativo preferido da extrema direita, ficou, por um tempo, fechado. Com o protagonismo do Telegram na presença de usuários de extrema direita na pandemia, a plataforma se tornou um foco de campanhas de desinformação e fake news, sobretudo de cunho negacionista da ciência.

O caráter de sigilo da informação propagado pela administração da plataforma, por sua vez, sendo então o Telegram conhecido por sua segurança de dados, no entanto, não se configura desta forma na prática, tal como imagina a maioria de seus usuários. Na verdade, no quesito confidencialidade de conteúdo, a plataforma está atrás de outras semelhantes.

O Telegram, para deixar claro, não possui a propalada criptografia ponto-a-ponto. Tal criptografia existe, de fato, nos aplicativos WhatsApp e Signal, em que os dados são mantidos encriptados entre emissor e receptor, sem a participação de um terceiro. No caso do Telegram, entretanto, a criptografia se dá entre o emissor e o servidor e daí entre o servidor e o receptor. E o problema reside na falta de clareza da comunicação do Telegram sobre isso, pois a mensagem, ao chegar no servidor, é desencriptada, e aparece no formato de texto.

Embora seja possível mudar a configuração para permitir a criptografia ponto-a-ponto no Telegram, não é algo fácil de fazer, e não funciona para todos os tipos de chats. Acabe que quase tudo que é escrito na plataforma é armazenado em seus servidores, com acesso de Durov e de sua equipe a este conteúdo, o que coloca o Telegram, na verdade, como um aplicativo bem vulnerável em termos de privacidade. Outro agravante é o fato de se ignorar onde tais servidores estão localizados, uma vez que o Telegram não divulga esta informação.

Outra dificuldade é que o Telegram não foi fundado nos Estados Unidos, como a maioria dos outros aplicativos de mensagens, sendo administrada por Durov, um russo que deixou seu país para evitar pressão do governo e que, a partir daí, mudou a sede da empresa por diversas vezes, passando por Berlim, Londres e Singapura, até finalmente se instalar em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. 

Tais mudanças podem implicar um modo de evitar os agentes da lei. Por sua vez, a sede em Dubai dá credibilidade a Durov em relação aos usuários da plataforma, pois denota a independência da empresa de influências dos poderes estatais, uma vez que, por exemplo, o CEO não pode ser tão facilmente perseguido por autoridades alemãs e norte-americanas. Por outro lado, o fato da administração do Telegram ser inacessível prejudica os usuários, pois caso alguém seja vítima de um  golpe dentro da plataforma, por exemplo, não tem a quem recorrer. Tal distância, por fim, só beneficia os usuários criminosos, pois, caso alguma autoridade tente identificá-los, terão dificuldades de acesso a informações para fazer isso.


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Blog : poesiaeconhecimento.blogspot.com 


terça-feira, 1 de julho de 2025

POEMA AMERICANO

A taça já foi levantada, de Miami a Los Angeles,

por Seattle ou Charlotte, uma copa e uma bola,

um passo a outro lugar, e novo horizonte,

e o mundo no campo, na defesa e no ataque.


Cada sonho um sonho, e que se realiza ao vivo,

no instante da resenha, no canto do poema.


E então comemora, com a cara no vento,

tua vida, na cara do gol, pois aqui tem

de Bárbara a milhão, e o povaréu

que bebe suas vitórias e derrotas.


E como tem sol e chuva

nesta Terra de Tio Sam!

E a água na grama, e o dia

anunciando a América.


The best way of life!

Because in Brazil 

we used to play soccer.

Nice. So we are champions

on football.


01/07/2025 Vibe (Gustavo Bastos)

segunda-feira, 30 de junho de 2025

SUPERVIA

Verme das estepes, a rua entulhada, 

toda a xepa miserere com este 

urbanismo abismal.


A peste, os ídolos da noite suja,

em campanha estavam os ladrões,

toda a trupe, a chusma basbaque,

se empanturrando de birita, de carne,

de sobremesa, ao lado estes banguelas.


Os indigentes com erisipela, 

com difteria, protozoários na barriga, 

fumando crack, delirando de febre 

na beira do trem, como no terror 

do espanto e do macabro.


Começou o canto diabólico 

que o estulto entoava 

na alta madrugada diante 

da grande fogueira, em meio

à terra arrasada, e o vagão

que passava com seu estalo

de carroça enferrujada.


30/06/2025 Monster (Gustavo Bastos) 

TRANSE NOTURNO

Estes rios passando ao longe, este jardim florido,

que a varanda toda ruma em fruteira e rede balançando.

De noite se toca o violão, o vinho aquece o peito,

de todo ardor e do gozo vem poesia, e toda esta

estrela pousa na vinda constelação de abóbada.


Ergui o castelo e a torre, no canto do mais altiplano,

por toda nuvem de toda chuva, a verve tonitruante

borra a pintura, e toda esta borrasca vem como

alavanca, tal é o sopro, e o tremor da terra.


Terra ignota, o incógnito ser de toda bússola,

em teu mistério adormece, como em idílio

pincelado, pois os poemas estão em transe

na noite estrela estrela.


30/06/2025 Estrela Estrela (Gustavo Bastos)