PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

domingo, 8 de fevereiro de 2026

TERRA INCOGNITA

Os caminhos da noite, qual a virada da vitória,

pela manhã embriagada, ao canto bêbado,

pela praia dos mares das ventanias dos sonhos.

Os colares das conchas na fina flor do sol,

que a estrela matutina brilhava como ilha,

e este arquipélago, dos pássaros albatrozes,

que a nuvem siderada transcendia,

era o poema e sua brisa.


Os cantos antigos, das frutas fluidas,

os magos que do espanto tinham o sumo,

e a doida chama, a nunca apagada paixão,

que os delírios aprontavam na luada

prazenteira, com a vinha de sol solstício,

luneta mágica, dos ouros pratas platinas,

dos ocres cevadas e borrascas,

em que os odores ali voavam,

e a sinestesia era a literária litania.


Brotam os brotos nas jardas dos jardins,

com o olhar perdido em horizontes,

o grande e vasto oceano, 

o fundo verde da floresta,

com o orvalho do bosque 

que do fauno cantava loas,

funda estrela que atordoa,

deste seresteta, relva suave,

dos ares os voos,

da terra a origem.


08/02/2026 Estrela Estrela 

sábado, 24 de janeiro de 2026

ILHA DE SANTA HELENA

Do século do terror, guilhotinas de Brumário,

mortes de Termidor, Robespierre, Danton,

a escumalha violenta de Marat, um Sade

enlouquecido a fazer mofa do Ancien Régime,

com os rococós fedorentos das perucas de Watteau,

de uns brioches mofados de Antonieta,

a fazer de Waterloo a farsa da Restauração

dos Órleans, de uma baguete Bourbon,

na bombonière, na boulangerie,

com os ditos de Jean Valjean,

os pedaços de Justine, numa noite

de vileza em Sodoma e a morte

do louco imperador da Ilha 

de Santa Helena, numa casa

infestada de ratos e aranhas,

espumando pela boca o 

arsênico verde-esmeralda

com o brasão de Flor

da dama suicida, poetisa má,

que escreveu seu epitáfio

fumando um haxixe nas 

montanhas dos Pirineus.


24/01/2026 Monster 

  

AZUL DA PRÚSSIA

A cápsula explode no seu aroma doce e amargo de amêndoa,

escorre o azul nos tijolos e os corpos estão só ossos.

O vinco da goma, o cheiro inerte de pneumonia,

nas catacumbas dos suicidas, nos mártires que

ecoavam seus fantasmas nos pântanos e nos vales.


Os poemas que ali cessaram, o julgamento capital

sobre as cabeças das bestas-feras chapadas

de anfetamínicos e de codeína injetável.

Os ritos romanos dos asseclas da morte,

que na árdua ária trinava o caos.


Eis os escritos das chusmas das cinzas,

o pigmento venenoso que mata a presa,

arde na boca dos assassinos, rompendo

o véu das astúcias e dos ardis,

queimando na noite das facadas.


24/01/2026 Monster 

domingo, 18 de janeiro de 2026

RELVA BRUMA

Vicários da armada solar,

os seixos da floresta densa,

em que os capitulados gemem,

na noite da chuva o terrível

cosmos engole o desespero,

correnteza das nuances, 

os poetas das ilhas brotadas,

dos elfos ritos das fadas loucas,

em relvas brumas montesas. 


Surge, vai vindo o silente estrondo,

nas águas das páginas marítimas,

dos dosséis florifloridos,

latifoliada canção arvoreda, 

plenipotente, o poema brio. 


18/01/2026 Sublime 

O POEMA DE TORPEDO

Alucina a tormenta, o torpedo que tonteia a febre.

Vários executados, corpos mergulhados no mar,

o apito do sino, o farol que brilha na noite.


Eis que de poesia morre o velho, o vate vive.

Pois, dando de si ao torrente da alma,

tonitruante o estro mapeia a alma,

localiza a magia, faz o milagre.


O poeta, com os ases e o comando,

dá os nós do vento, à sorrelfa,

na queda do navio astuto,

na praia dos lírios cantantes,

diante da lufada do sol.


18/01/2026 Monster