PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

quinta-feira, 9 de julho de 2026

VORCARO E A IMPRENSA

 “esquema de controle da narrativa digital”


A Polícia Federal (PF) apreendeu mensagens de dados de celulares recolhidos na Operação Compliance Zero em que Daniel Vorcaro realizou um monitoramento ilegal e uma devassa nos dados pessoais da jornalista de O Globo e da Globo News, Malu Gaspar. Ainda houve uma tentativa malsucedida de suborno da jornalista. Pois o avanço das apurações jornalísticas fez com que Vorcaro tentasse conter e interromper as reportagens que Malu Gaspar estava publicando, nas quais se evidenciava as fraudes e a situação financeira no Banco Master. 

Essa falha miserável de Vorcaro foi feita em parceria com o publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi. O ex-banqueiro enviou recados em que afirmava que precisava “frear” e “calar essa mulher”. Miranda disse, então, que iria levantar tudo sobre a vida da jornalista para achar algum podre. Dentre os dados, foram compartilhados o endereço residencial de Malu, além de dados sobre seus familiares e de contas bancárias.

Além disso, ainda houve um deboche sintomático sobre o modelo de carro da jornalista, em que fica evidente o caráter jeca de grande parte de uma elite brasileira, sobretudo essa nova onda de influencer/bandido que ostenta riqueza nas redes sociais, num exibicionismo de gosto duvidoso, deslumbramento superficial, e que inclui, por conseguinte, essas mesmas figuras da corrupção sistêmica, tudo de uma afetação rasa e vazia.

Depois do deboche parvo da dupla, o resultado é tal qual, pois não havia nada para atingir a jornalista, e o desastre foi ainda maior depois de uma oferta milionária para que ela trabalhasse nos canais de comunicação geridos por Miranda, que incluía o pagamento de R$1,5 milhão em luvas e um salário fixo de R$120 mil mensais. Contudo, a proposta foi implicitamente rejeitada pela jornalista, pois ela voltou à carga contra Vorcaro. A investida e sua falha foram patéticas e o ex-banqueiro ficou descontrolado.

Tanto Malu Gaspar intensificou as publicações sobre as fraudes do Banco Master em O Globo. como assinava matéria também em conjunto com o colunista Lauro Jardim. As ações da dupla Vorcaro e Miranda foram repudiadas publicamente tanto por O Globo como por entidades como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), em que os métodos dos meliantes foram classificados como de “mafiosos” e uma tentativa criminosa de calar a imprensa, além de cobrarem investigações sobre o abuso e assédio sofridos pela jornalista. 

O vazamento dessas mensagens agravou a situação jurídica de Daniel Vorcaro, pois diante disso a Procuradoria-Geral da República (PGR) recuou na negociação de uma proposta de delação premiada com o ex-banqueiro. Este que também planejou violência física contra o jornalista Lauro Jardim, em que a Polícia Federal (PF) descobriu mensagens no celular de Vorcaro em que ele orienta Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, a armar uma emboscada física simulando um crime comum, em que Vorcaro declarou : “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. 

Este caso revelou uma estrutura paralela chamada “A Turma”, que era um braço operacional criminoso do grupo financeiro de Vorcaro, uma milícia privada que levantava dados sigilosos e intimidava testemunhas, monitorando e pressionando qualquer pessoa que pudesse ameaçar os negócios e a reputação do ex-banqueiro. E este andava furioso contra Lauro Jardim, pois o jornalista estava revelando bastidores comprometedores do Banco Master. 

Lauro Jardim revelou casos como o da viagem de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em companhia de advogados ligados ao Banco Master, além de enriquecimento e contratos suspeitos envolvendo familiares de magistrados com o conglomerado financeiro. Consequentemente, diante do risco à integridade física do jornalista, o ministro André Mendonça determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e de seus principais executivos operacionais dentro do escopo da Operação Compliance Zero. 

Diante da revelação desses planos, entidades de classe, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abranji) emitiram notas públicas em repúdio às ações e classificando o caso como um ataque à liberdade de imprensa, à democracia e ao Estado de Direito. O jornal O Globo também manifestou solidariedade ao jornalista afirmando que seus jornalistas não se intimidariam com as ameaças. 

Na guerra de narrativas que também cercou o caso Vorcaro tivemos a atuação de blogueiros e sites alinhados à esquerda contra a jornalista Malu Gaspar, em que seu nome foi contraposto ao do ex-banqueiro e de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Investigações da Polícia Federal, dentro da Operação Compliance Zero, apontam que Daniel Vorcaro teria comprado o silêncio e a linha editorial de veículos de esquerda que até então o criticavam. 

Aqui temos o Caso DCM, em que mensagens apreendidas indicam que o ex-banqueiro teria pago o site Diário do Centro do Mundo (DCM) para que parasse de publicar notícias negativas sobre o Banco Master, e que atacasse quem investigasse ou prejudicasse os interesses dele, Daniel Vorcaro. Pois inicialmente o ex-banqueiro ameaçou processar o DCM por "fake news", mas a relação teria mudado para uma "parceria" financeira com o objetivo de blindar a imagem do Banco Master e desviar o foco das denúncias.

Além da questão financeira envolvendo Vorcaro, a reação ideológica veio de influenciadores e blogs de esquerda, como a Revista Fórum e Brasil 247, contra Malu Gaspar, devido às reportagens que expunham a família do ministro Alexandre de Moraes, em que foram reveladas que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, tinha um contrato milionário com o Banco Master, com valores que variavam entre R$ 50 milhões e R$ 131 milhões em minutas e propostas, coincidindo com um período em que o banco buscava ter influência nos tribunais superiores. 

Foi quando blogueiros passaram a desqualificar a atuação da jornalista, com sites como a Revista Fórum que publicou textos acusando Malu Gaspar de criar uma narrativa artificial contra o ministro do STF, alegando, ainda, que o próprio Vorcaro era uma fonte da jornalista, numa tentativa de inverter a lógica da denúncia.  Com o Brasil 247 questionando, através de artigos de opinião, por que Moraes não processava quem o acusava, pois as reportagens de Malu Gaspar faziam parte de um ataque coordenado da mídia liberal contra o STF (Supremo Tribunal Federal). 

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) emitiram notas de repúdio contra os ataques sofridos por Malu Gaspar, com a Abraji destacando os ataques misóginos sofridos pela jornalista nas redes sociais, logo após a publicação das reportagens que atingiam figuras poderosas, com citação específica da cobertura sobre as conversas entre Alexandre de Moraes e Gabriel Galípolo (presidente do Banco Central). 

No esquema de compra de parte da opinião pública orquestrado por Vorcaro tínhamos então a proteção da imagem do Banco Master e a tentativa de destruição da reputação de opositores, com blogs de esquerda e redes de influenciadores digitais. Depois do Banco Central aplicar sanções e liquidar o Banco Master, mais de 40 perfis nas redes sociais, incluindo páginas de celebridades, entretenimento e culinária, sem nenhuma relação com economia e política, publicaram simultaneamente textos idênticos, com material que vinha pronto da agência, tendo a intenção de atingir diretores do BC no caso, enquanto defendiam Vorcaro.

E no esquema de controle da narrativa digital, estava Henrique Vorcaro, pai de Daniel, no pagamento de salários fixos de até R$ 35 mil mensais para hackers, que tinham como tarefa o rastreamento do andamento de investigações sigilosas no sistema da polícia, invasão de contas de cidadãos que faziam publicações contra o Banco Master nas redes e a derrubada de perfis como forma de censura aos comentários negativos sobre Vorcaro e o banco na internet.


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

Link da Século Diário : https://www.seculodiario.com.br/colunas/vorcaro-e-a-imprensa/


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