PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

segunda-feira, 23 de março de 2026

POEMA DA CATEDRAL

A loira vai ao mar, volta na areia

e dá uma tacada de bola na fogueira.

A catedral está cheia de rosas,

dos girassóis da nova manhã.


Os versos estão ao mar e ao rio,

na lagoa e nos riachos,

que só arrisca ao amor

o que ele dá e recebe,

os olhos e a boca,

o sexo e o peito,

as sensações e as ideias.


Sim, tem muito disso

nos risos da alvorada,

nos loas da vivência,

em que os luares

e sóis cantam loucos

o espanto da vida,

os gemidos e os suores,

as cartas e as searas.


Como na catedral tem altar,

se reza o ato de promessas

e da fé, das almas corpos

e dos votos abertos 

em que o coração manda

e não hesita, faz e vive.


23/03/2026 Sublime 

CONTO DO GRIOT

O griot de Cabinda contava uma história

de Exú que carregava uma cabaça, 

Olorum recitava a sua psiconáutica,

com o gorro vermelho, a cachaça

na cabaça, Exú derrama pelo círculo

e taca fogo com pólvora e palha seca

o rito de sarça dos cruzos de velas rubras.


Eis que o griot toca o tambor, recita a lenda

de Luanda, onde mora Zambi e com as 

veredas do Vedas, no sânscrito, e os peles

vermelhas de Tupã, a vela de caravela,

de febre terçã cruzmaltina, matou-se

o degredo e a infâmia da carne 

das moscas, da difteria, da cólera

e da malária delirante.


Trevas dos navios negros de escorbuto,

dos ratos e dos cheiros podres de 

carne morta, queimada, esquálida

e esquartejada, o sangue como numa 

cabidela de tragédia, o gorro vermelho

de Exú no chão de giz, e a lenda

contada do griot espatifada

depois que Castro Alves

morre de tísica no amor

dos mares sem sonhos.


23/03/2026 Monster