O griot de Cabinda contava uma história
de Exú que carregava uma cabaça,
Olorum recitava a sua psiconáutica,
com o gorro vermelho, a cachaça
na cabaça, Exú derrama pelo círculo
e taca fogo com pólvora e palha seca
o rito de sarça dos cruzos de velas rubras.
Eis que o griot toca o tambor, recita a lenda
de Luanda, onde mora Zambi e com as
veredas do Vedas, no sânscrito, e os peles
vermelhas de Tupã, a vela de caravela,
de febre terçã cruzmaltina, matou-se
o degredo e a infâmia da carne
das moscas, da difteria, da cólera
e da malária delirante.
Trevas dos navios negros de escorbuto,
dos ratos e dos cheiros podres de
carne morta, queimada, esquálida
e esquartejada, o sangue como numa
cabidela de tragédia, o gorro vermelho
de Exú no chão de giz, e a lenda
contada do griot espatifada
depois que Castro Alves
morre de tísica no amor
dos mares sem sonhos.
23/03/2026 Monster
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