Penso, logo, ainda sei que existir
é resistir. Sei que nada ainda sei,
e assim, criatura reles e vil,
com toda a vileza,
detenho a possibilidade
do soco, adio os ermos
da morte, sou o ser estranho
das coisas enigmas mistérios,
o mistifório dos hemistíquios,
uma poção, um unguento,
a fazer da benzedeira
o meu caminho na hora
que o sino dobra,
eles dobram como
Donne na Bretanha,
como Baudelaire
no spleen,
e eu penso que sou,
e existo assim,
poeta e pensador,
que nem o mais
fundo mar
do abismo.
Gustavo Bastos, 31-03-2025
Monster
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