PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

domingo, 2 de dezembro de 2012

IDEIAS DE QUEDAS

No despenhadeiro pensei
na queda de meu corpo,
eu não me vi caindo,
eu vi os olhos se perderem
na ideia da queda.

Os olhos meus, quais cavalos
castanhos,
roçaram o fundo sem fim
do abismo,
duas órbitas
encontrando
o nada,
a morte é o nada?

Sem meu corpo, estaria eu
consciente de mim?
Poderia ver a minha alma
flutuar sobre um morto,
poderia ver o eterno
ou talvez o inferno,
posso ainda viver?

Não sei o que virá,
fico feliz e temeroso
pelo adventício,
minha morte eu não a conheço,
minha vida futura
eu a quero mais e mais,
e a dor da angústia
nos trai esta doce percepção.

Tantos poetas tiveram
má fortuna,
eu tenho medo da moira
dos poetas,
tenho o sol na minha face
como boa promessa,
eu temo os suicidas,
e ainda mais os poetas suicidas!

Eu leio as cartas atravessadas
de mar de tais corações,
sofro tão terrivelmente
quanto tais angustiados,
eu duvido de ainda estar vivo,
a alma tem aquela vã esperança
de na tristeza dos dias
não sucumbir,
de aceitar toda a
insensatez do mundo
não como moira,
mas como tentativas em vão
de me roubarem a alma,

estou tão saudável
com o meu pensamento
que busco incessantemente
uma bela canção de amor
onde eu possa descansar
o meu peito,
e as feridas se vão
com este amor perfeito
que viverei.

01/12/2012 Libertação
(Gustavo Bastos)

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