PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

sábado, 4 de agosto de 2012

RITMADA DE IMPROVISO

Me esquecia dos mares mortos,
plácidos e rotos.
Nuvem na hora da vida,
estrela ferida
que rutila
indolor
no convés
do sol.

Azul cintilante,
como a cor da noite
na passada dura
do retirante,
como o castelo na capela
e o corpo de Florbela.

Restos das marés
na paz do vinho,
vícios de boreste
na luz do oeste,
certezas imorridas
de naus vividas,
eu saberia da vida
num ataque
de fúria
pelos poros
de toda anarquia,
eu veria o corpo rijo
de frio na floresta
nórdica em que
minh`alma dormia.

Lembro, ainda,
da pernoite estrelada
da máquina da memória,
lembrança iconoclasta
no mar fundo
como a rosa
sem par,
como o silêncio
sem o grito,
como o meu corpo
sem a dança.

Viveria o bandolim
na cratera de um violão
que flutua,
sustentando toda sombra
no inferno da percussão.
E, de um instante sem rumo,
olharia o convés de través
no ritmo inquieto
de castanholas
conversando com a luz
de um trompete,
enquanto a clarineta
dava pulos
depois do contra-baixo
bafejar
seu fundo
atônito
de poema
escuro.

02/08/12 Libertação
(Gustavo Bastos)

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