PEDRA FILOSOFAL

"Em vez de pensar que cada dia que passa é menos um dia na sua vida, pense que foi mais um dia vivido." (Gustavo Bastos)

domingo, 15 de setembro de 2013

LUZ POTENTE

A luz estala no peito juvenil,
flor da idade em sangue e fúria.

Verte teu sorriso sob o abismo do sol.
As lutas travadas, com o sino atávico,
retomam versos de luto e vinha sóbria.

Os versos finais caem da catacumba,
os versos da sede caem de fome e bruma.

Vejo os olhos concisos do mártir.
As luas estouram sonhos
no cais mais frio
e o universo cintila
poema rijo e filosofia.

Mente o silêncio da mancha espectral.
Tuas sandálias me levam ao vitral,
santos humildes corroem o poço da salvação.
Vejo os dias manchados de paz e sal.
Nesta neve da noite os dias são sombras
no palco da dor de um vampiro.

Mas o ópio serve ao caos
como a flor à chuva.
Penso em poemas vertidos
na areia como o drama principal.

Levo as ondas na senda dos santos.
As trevas renascem do inferno
e o céu poderia ser rubro
se o ataque fosse total.

Gigantes acordam na noite.
A selva dá seu pulo na dor do ferro.
O ópio cintila na sevícia do poeta.
Os navios vão embora no horizonte,
a erva seca nos dentes da miséria.

Nas sombrias noites do inverno,
o sal descia nas ventas do dragão,
os risos subiam no rito fundante.
Os ritos, na cruz e na tumba,
ferviam nos espantos de loas
pelo tempo com o relógio quebrado.

Vejo o sal com o poema
ao mar na paz bruta
de um verso escarlate.
O tempo é o abismo sonhado
na flor do eterno
em todo coração.

15/09/2013 Êxtase
(Gustavo Bastos)  

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