domingo, 29 de junho de 2014

POEMA DA ROSA

Se assim escapo, noutra sala de música,
com o fel desesperado do odor,
fico louco ao resto que fica.

Se, de tonto e doido,
frases saem do compasso,
o dia ri de histérico
como o meu sol.

Lado de outro dia, como no absinto.
O roto tempo delgado
das âncoras de meu sol,
como na iluminura.

Ilumina, do sal à terra,
funda lama opaca da sala de música,
contorce o vento, engole o tempo.

Se assim posso me emoldurar,
quantos ases findos de voo noturno
serão ao mais fundo céu
a flor de minha primavera?

Guarda a tua rosa vítrea,
que de caos somos feitos,
como o estio do coração
é o tormento.

23/06/2014 Êxtase
(Gustavo Bastos)

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