domingo, 27 de outubro de 2019

OS OLHOS DA GUERRA

Quando os olhos lacrimejam de sal,
as portas do céu se abrem
na emoção primeva.

Era tarde no anúncio das tabelas
perdidas e dos planos malfadados,
eu estava entre os dramas
e as tragédias,
e no fio da navalha,
fazia esgares
de comédia,

bruto o passo que ia dar,
e a queda se deu,
da queda mais bruta
da noite,

os olhos do silêncio testemunharam
o grito sem piscar,

ah, e foi enorme o susto
das asas sob o aço
mais profundo,
como um baque
ou uma explosão,

o poeta sorria entre os cacos
de um vício enfermo,
e seu canto se deu
na nuvem torrencial,

lá, ou me mato ou me afogo,
lá, onde a noite mata
o sonho e o delírio,

venho, de dentro do coração sujo,
elencar os hinos ébrios
das brutas canções,
enumerar os hiatos
e os impasses,
fundar a aporia
e a contradição,

lá, ou fico aqui, vivo,
ou morro de ataque
no flanco dos heróis.

27/10/2019 Gustavo Bastos

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