domingo, 30 de abril de 2017

POEMA REBATIDO NO CHÃO

Cansei desta obscuridade, em lhes dizer
que o livro "está pronto",
pois em um dia, ou uma tarde,
ou ainda numa noitada,
faço dramas por linhas tortas,
devaneio e um espirro atômico,
flancos na subida dos degraus.

Ah, já me desfaço em partes pueris,
geometria dos braços trucidados,
meios tons, semi-círculos,
folguedos e bruma.

Que o átrio e a ária, que o raio e
a praia, e os fones de ouvido
quando ando ainda, 
todos estes penduricalhos
me movam impiedosamente,
como um giro convexo,
em planas formas como
uma arquitetura brutalista,

e que os sóis desenhados
na tela infantil
me deem alento
na fronteira final
do poema que me
cai sem mais.

30/04/2017 Gustavo Bastos

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