domingo, 31 de julho de 2016

NOITE DE OPALA

Pedrarias quais opalas,
rio de temor.

Com que ás o hausto
se dá ao poema?

Pele de risco, a guerra soturna
embasbaca o mais sutil,
envaidece o mais idiota.

Fruto da serpente, o vinho sem lei.
Déspotas das linhas retas de armas,
rotas de fuga pela última fronteira
onde morre o sol,

as letras ensolaradas morrem de sede,
as letras suadas morrem desertas.

Pedrarias quais topázios,
em flora ametista
o mistério pulula fogo,
colunatas e capitéis
de frisos, as noites dóricas
e góticas, as bocas das Fúrias
na vinha e sarça queimadas,
sem os gritos de fúria
não há mitos,
estas arquitraves sustentam
o olimpo e as pedras roladas
do poema.

31/07/2016 Gustavo Bastos

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