domingo, 30 de outubro de 2011

MORTALIDADE


           
   Um homem agônico descansa na alma pálida
   Qual seja a forma de sê-la.
   Este irônico que ri de qualquer zelo
   Que com ela se arraste.
   O frio neste instante
   É nada como sua alma sem prazer.

   Quem, de todos, diria serem pálidas
   As formas desmembradas
   Dos sentidos, das razões finitas,
   Do cérebro ígneo da dúvida?
   O agônico pasto do mundo
   Canta com seus penitentes,
   Que deixam longe o segredo
   Dos seres cósmicos,
   Preferem o sol sobre a carcaça.
   (Vem lá de cima a ilha do paraíso,
   Não esperem chegar lá).

   Este homem, vês quem é?
   Com afinco me dedicarei a matá-lo.
   Este fantasma dos fantasmas
   É o pior dos idiotas, o mais mortal
   De todos os mortais.
   Eis que é o homem que não se vê,
   A mais noturna ambição
   De querer ser alma
   Quando nela se quer o mundo,
   Poeira de mundo,
   Maravilha de coisa alguma
   Em todas as coisas.

   Qual é a agonia maior do que ignorar-se?
   Qual é a mentira maior do que ignorar-se?
   Tal é a condição humana,
   Este homem é qualquer homem.
   Tal é a falta de um si mesmo infinito
   Sem as fissuras do tempo mortal,
   Seríamos anjos?
   O dia não há de chegar, pois é amanhã.

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