sábado, 24 de setembro de 2011

INEBRIANTE POESIA (LIRAS DE DELÍRIOS)


   Eu clamo de corpo ébrio pela liberdade,
   desta que se encontra na ciranda celeste,
   procurando a fusão harmônica e universal.
   Nirvana! Espetáculo divino de plenitude!
   A poesia que nasce de sutis eflúvios,
   a prece que vigora em cantos silvestres,
   de uma paz já finda e ornamentada.

   A canção é vívida e sempre ecoa,
   como este poeta inebriado
   que vos fala e que luta inutilmente,
   se esvaindo e se debatendo por fogo e vento.
   Ungindo na santidade à calmaria dos anjos
   e profanando narrativas gloriosas de fontes ocultas.

   Nas águas argênteas da poesia que emana a liberdade,
   me encanto com o mundo.
   Desde as liras delirantes harmonizadas pelos aedos,
   rapsódias primitivas de canção remota,
   lembrando-me de deuses mortos,
   que circundavam o universo.

   Hoje, já não há olimpo, nem alvoradas pagãs.
   Os poetas não cantam mais os mitos,
   somente suas dores, para levá-las ao sublime.
   A poesia ainda vive, desde seu habitat grego
   nas liras de delírios.

   Todo poeta que delira e morre de saudade,
   é dominado pela nostalgia
   que traz uma iluminação coroada.
   Tenta viver da arte na qual arde,
   lembrando-se poeta, na alma da poesia.

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