domingo, 13 de fevereiro de 2011

VIDA TRESLOUCADA

Já dormia esquecida uma nau na esfera turva,

mar e palco para os nobres corações,

nau de bandidos.



Sou toda esta dor, cândida e feroz, contraditória

dor.

Sou todo o tempo em mim que afunda no infinito.

Sou o temor e o torpor.



Nesta nau estrelas se afogam pedindo socorro.

Não me espanto mais com o perfume da flor,

sou a minha boca em teus seios de rosa apavorada,

eu sou completamente louco, desvairado,

a nudez da carne é o pecado da minha nobreza.



Já acorda então a nau do meu desgoverno,

do meu descompasso.

A pena é a testemunha deste marco de minha vida,

a pena que traz a canção do infinito,

infinito de rosas, vinho e paixão.



Sou todo este infinito que não teme o furor.

Vou embora com as veredas do caminho,

vou no caminho que é a sina do amante,

até o poente crepúsculo da deusa do amor,

luxúria de minhas veias

morrendo de sede e de fome,

lívida penúria do meu langor.



Gustavo Bastos 13/04/2009

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