sábado, 18 de dezembro de 2010

VIRTUDE DEMONÍACA


No vitral reflete uma imagem angelical

onde dormiam as catacumbas dos cristãos

em fervor o demônio ameaçava do umbral

de quebrar o vitral e perder-se no mal dos pagãos



Verte o sangue a paz emudecida

taciturna e cadavérica num sopro

ardendo por sete dias de uma semana perdida

onde o imortal seria apenas o denodo



De ter tal ousadia a peste correria

enlameada peste dos algozes

na nua vida de sons de artilharia

fazendo o enterro do que veio de risos ferozes



O vento espatifaria o sacro vitral

e a dor seria um pânico irremediável

num antro de espectros sem moral

onde a astúcia é a virtude venerável



Vai o santo e o demônio na contenda do universo

fazer da manhã seguinte a paz de antanho

onde o que se dá é um amálgama diverso

na ferocidade do eterno rebanho



09/01/2009 Gustavo Bastos

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